Bitter Sweet Simphony

fevereiro 9, 2010 por brunobandido

Hoje era aqueles dias em que eu saio andando pela rua esbarrando em todo mundo e só olhando pra baixo igual o maluco do The Verve no clip de Bitter Sweet Simphony. È bonita aquela música, tem um arranjo de cordas dos Rolling Stones ripado nela. A amarga e doce sinfonia da vida. Nunca parei pra prestar atenção no que essa letra quer dizer por que sempre que penso na música lembro do filme Segundas Intenções. Um dos meus clássicos dos 14 anos, se é que vocês me entendem. Sempre preferi a meia irmã que carrega pó no crucifixo do que a loirinha socialight, pra mim a meia irmã é muito mais gostosinha (não que eu despreze a socialight, muito pelo contrário) e o playboy que se fode é um idiota completo e merecia mesmo ter se fudido. Eu não lembro agora por que ele morre? Ele morre né?  Merda de filme. O final acaba com essa música do Verve. Enfim, hoje eu saía andando e esbarrando na multidão. E entrava nas livrarias. Queria achar o Mesmo Delivery do Rafael Grampá pra comprar e ajudar a acabar com o meu dinheiro do mês que vai se indo aos poucos em bebida, miojo com salsicha (conforme o dinheiro vai acabando vai ficando só miojo, depois só pão de padaria), revistinhas do Ken Parker e DVDs piratas. Não adianta, se eu for caminhar no centro e tiver algum trocado no bolso, eu vou voltar com gibis do Ken Parker ou outro gibi e DVD pirata ou as duas coisas. Enfim, achei o Mesmo Delivery, eu já deveria ter lido porque sei que eu vou gostar, é daqueles livros que posso dizer “Não li e gostei” e esses são os melhores livros. Mas nunca comprava o Mesmo. Ontem a Claudia Borba falou que o enredo duma peça minha lembrava a história do Grampá, aí eu me lembrei que tinha que ler a bagaça e decidi que eu ia comprar hoje. Sempre que entro numa livraria pego o Visões de Cody do Kerouac e vejo o preço. Setenta e poucos pila, não sei como é que eu vou comprar esse livro. Alguém quer me dar de aniversário? Esquece, eu sei que quem poderia querer me dar também não pode pagar por isso. Aí volto pra casa depois de esbarrar em muita gente, deixo a sacolinha de Ken Parker, DVDs piratas e Mesmo Delivery no colchão, me atiro no colchão, vejo o episódio de House que saiu ontem e, na boa, tô tão cansado que vou abdicar de sair hoje de noite. Vou é dormir. Embora eu saiba que não vá conseguir dormir, e vá ler todo o livro do Grampá e ver o DVD pirata. É o tempo que eu tenho pra fazer essas coisas, dormir é bacana mas não é importante agora que tenho trabalhado durante o tempo que eu deveria usar pra ler, escrever e ver séries e filmes. Comé que eu vou ter tempo pra beber? Eu me pergunto. Mas na real, pressas coisas eu acabo dando um jeito.

Easy Riders, Racing Bulls

fevereiro 8, 2010 por brunobandido

Hoje de manhã eu fui levar uns livros e filmes que tinha pego emprestado coa Gabi lá na casa dela. Uma hora peguei no sono e ela me acordou pra ler uma parte do livro que ela tá lendo, Easy Riders, Racing Bulls, que fala sobre a geração da década de 70 de Holliwood. Todo aquele pessoal bacana, naipes como Coppola, Scorcese, Altman, Friedkin, Dennis Hopper, Al Pacino, De Niro, Spielberg… Enfim, um monte de gente que eu acho do caralho, com excessão do George Lucas. O Lucas tá no livro, eu é que nunca fui coa cara dos filmes dele. A Gabriela sempre tá me contando umas histórias que leu no livro e prometeu que vai me dar ele de aniversário. O trecho que ela leu era sobre o Steven Spielberg e falou “Bruno, saca só, tu que gosta de Dylan Thomas, vou te ler um negócio sobre o Spielberg“. Que porra Dylan Thomas tem a ver com Steven Spilberg, eu pensei. Saca só:

“…
Quando finalmente
(Spielberg) arranjou uma namorada, uma comissária de bordo que conhecera enquanto filmava Louca Escapada e trouxera do Texas junto com ele, Kidder (um amigo dele) lhe deu uma aula de educação sexual: “Eu fui basicamente o Henry Higgins dele. Eu me sentei com ele e disse: ‘Olha só, Steven, é assim que se faz, não vá para a cama de meias e camiseta, tenha alguma outra coisa além de barras de chocolate na geladeira e leia Dylan Thomas para ela’, e ele prestava atenção, ‘Tá bom, tá bom’, ‘E assim você vai ganhar essa garota’…”

Esse capítulo é sobre o Spielberg e é chamado A vingança do Nerd. Depois eu tava folheando a bagaça e parei no capítulo Simpaty for the Devil, que fala sobre o Bob Friedkin, um diretor que curto bastante. A Gabi transcreveu uma parte pra colocar aqui, é sobre os bastidores da produção de O Exorcista.


“…
Escolher alguém para o papel de Regan, a menina possuída, foi o mais difícil. Na época em que Linda Blair foi entrevistada, tinha 12 anos. Friedkin queria ter certeza de que ela poderia enfrentar os elementos mais ousados do papel. Perguntou a Linda: “Você leu O Exorcista?”
“Li.”
“O livro é sobre o quê?”
“Sobre uma garotinha que é possuída pelo diabo e faz um monte de coisas ruins.”
“Que tipo de coisas ruins?”
“Ela empurra um cara de uma janela e se masturba com um crucifixo e…”
“O que isso quer dizer?”
“É que nem tocar siririca, não é?”
“É sim. Você sabe o que é tocar siririca?”
“Claro que sim.”
“E você faz isso?”
“Claro! Você não toca punheta?”
Linda ficou com o papel.
…”

Enfim, esse livro deve ser foda, pelo que li, ele humanizou todos esses fodões do cinema americano. Nunca esperei tanto por uma merda de aniversário, sendo que a Gabi é dessas pessoas que se permite a babaquices do tipo respeitar a data certa pra entregar o presente.

E vieram dizer que eu não tinha vergonha por botar hurt locker e falcon no mesmo post. Só posso responder a mesma coisa que respondi num comentário apreciativo a respeito do filme Falcão, no post abaixo. Porra, um cara que fala coisas como “Toda vez antes de começar uma queda de braço eu penso no meu caminhão e viro o meu boné” e ainda assim faz isso parecer emocionante, pelo menos me emociona, eu tenho que respeitar. Não que meu respeito valha alguma coisa, mas eu não costumo respeitar muita gente. Enfim, é por isso que não gosto muito do cinema cabeça e fico com obras mais pessoais de diretores ou filmes do Walter Hill ou do tipo Rocky I, V ou VI e essas coisas, porque essas porras realmente me emocionam. Esses dias revi o filme The Champ, aquele antigasso com o Jon Voight sobre um pai boxista decadente e o filho que acredita que ele é um herói, porra, meu olho lacrimejou pra caralho no final.

reflexões depois da tormenta

fevereiro 8, 2010 por brunobandido

É o que eu tava falando cos meus parceiros das antigas no sábado. A gente se mete em encrencas violentas, brigas esfarrapadas, mas é sempre porque algo ou alguém vêm nos encher o saco. Eu sei que é aquela lógica ridícula de guerra pela paz, eu vi o Obama falando isso no jornal esses tempos. É mesmo um bocado ridículo. Duvido que o outro lado esteja pensando assim também. Mas quanto aos meus amigos das antigas, aqueles lá da fronteira, a gente sabe que tá disposto a qualquer tipo de violência pra acabar com tudo o que vem diminuir a nossa busca pela tranquilidade absoluta, o que pra nós se resume em um salsichão na churrasqueira, um rock saindo dos cubos de guitarra e uma boa conversa regada a álcool e delicadezas bizarras. Eu não troco isso por nada, assim como não vou deixar virem tirar isso de mim, não tão fácil, é difícil limpar a nossa sujeira, é complicado, cara, no duro, é muito complicado. Por isso seguimos no impulso a lógica ridícula que serve como desculpa pra ganâncias de guerra, a gente luta, mas luta pra chegar na paz, por isso é perigoso quando todo o pessoal daquela turma se junta, por isso é divertido, e por isso a tão desejada paz nunca se completa. Eu já disse, aquela velha lógica que serve desculpa pra ganâncias políticas, aquela velha lógica atingindo uma pureza inalcançável e em busca de algo tão pouco alcançável. Fazer o que?

set list para um domingo ensolarado demais:

fevereiro 7, 2010 por brunobandido

Ontem o Careca me presenteou com uma garrafa de Black Label e foi bacana isso. A noite foi bacana, claro que teve sua parcela de confusão afinal eu bebi um litro de Black Label, mas tudo nos devidos conformes, falando sobre jazz e Western Spaghetti com o Maestro Gentilesa, de mulheres com o pessoal, velhas piadas, velhos rocks, velhas intrigas e tudo o mais. É a minha velha turma. É pra ela que dedico um grande (grande de tamanho) texto que venho escrevendo nas últimas semanas, o nome provisório dele é Uma balada pra garrafas vazias e corações em guerra. E eu tenho me divertido um bocado escrevendo sobre nossas histórias, ou algo parecido com elas. Também tenho dado uma revisada nas mais de quinze peças que escrevi de agosto pra cá. Eu as escrevo rápido, geralmente em um ou dois dias, as mais longas uma semana. Teve uma que eu escrevi inteira na madrugada do dia 24 de Dezembro. O nome dela é Um disco de rock pra quando fevereiro chegar, e fala sobre a possibilidade de levar a vida com gibis, discos de rock e bebida vagabunda, e uma mulher é claro. Na real ela fala sobre a necessidade, geralmente fracassada, que a gente sente de mudar quem a gente ama, e todas as consequencias de distância entre as pessoas que isso tudo pode trazer. Parece algo intelectual e bonito falando assim, mas se for ler a peça vai ver que é a mesma merda simples de sempre. Ontem algo que alguém falou me lembrou de outra peça que eu tava dando uma revisada essa semana, Final Feliz, é sobre Mickey, um boxista impedido de continuar por causa de um problema no pulso direito, é sobre ele e as duas mulheres que ele tinha, Clara e Tulipa, na verdade é mais sobre as duas mulheres do que ele, mas não importa, o que importa é que ontem algo que eu tinha escrito como a fala de uma personagem pra outra  me fez o maior sentido depois de ouvir o que ouvi. Enfim – “Sabe qual é o problema do Mickey? Nunca ninguém o derrotou. Nunca ninguém chegou perto disso. O bastardo pensou que era mesmo invencível. O que estragou nossa vida é que ele tinha certeza que era a droga de um Deus invencível. E quando um cara desses perde, acaba achando que todo o mundo foi injusto com ele.” Algo assim, era isso mesmo que eu queria dizer ontem a uma certa altura da noite, mas não sabia como, então só segui tomando meu whisky e olhando para um bonito par de pernas em mini saia brim que desfilava pra lá e pra cá. De repente aquilo era tudo o que eu podia fazer. Beber whisky, olhar umas pernas, soltar minhas frases cínicas e discutir Andres Calamaro.

Agora um pequeno set list para um domingo ensolarado demais:

Janeiro de 74/ Supernatural/ Hutz’s back

fevereiro 5, 2010 por brunobandido

- Porto Alegre foi o ponto mais quente do mundo ante-ontem. Muito louco isso. A sensação térmica ontem às onze horas era de 46 graus. Ouvi dizer que amanhã chega a 51 por causa da humidade relativa do ar. Eu vejo pessoas nas ruas tirando fotos dos marcadores de temperatura acima dos 40. Não se vê essas coisas assim por aqui. Eu escuto cariocas dizendo que nunca virão calor igual por causa do abafamento. Eu escuto gente falando que a noite teve a maior temperatura em 60 anos. Cheguei num bar e um velhinho com o ar mais sábio do mundo mandou essa pro seu comparsa “Calor assim, só naquele janeiro de 74.” “74! Ano de copa do mundo”, comentou o outro.

- Assisti o último episódio do Supernatural que saiu na internet. Puta bacana foi esse. O Miguel chegou no Dean e eles levaram um bom papo a sós. Tá feia a coisa. Anjos filhos da puta, demônios fazendo o que eles sabem fazer melhor, Deus desaparecido e os irmãos Winchester e o maluco do Castiel tentando resistir a tudo isso. Quando o Dean era pequeno a sua mãe cantava Hey Jude pra ele dormir ao invés de canções de ninar. Vi isso nesse episódio. Sei lá por que achei bacana. Se um dia eu tiver um filho vou querer fazer ele dormir com Hey Jude.

- Desde que a Helena Hutz teve por aqui e depois voltou pea SP, às vezes eu recebo umas mensagens malucas no meu celular, uns comentários cheios de noção mas que eu não entendo nada. Hoje recebi uma de novo sobre o inferno que é andar em São Paulo, duas horas no trânsito com um calor infernal. “A Hutz voltou” Eu pensei. Agora cheguei em casa e fui ver se ela tinha colocado algo em seu blog e tá cheio de posts. Bacana. Gostei desse: “Quero começar um poema  / com a palavra querubim. / Para, tipo assim, nunca mais / eu rimar mim com gim.” Aí Helena, keep walking and writting. O resto é outra coisa bem menos importante.

Pra roer meu coração em castelhano

fevereiro 5, 2010 por brunobandido

Eu tinha marcado com o pessoal, disse que ia aparecer sim pra beber com eles. Mas aí me deitei pra assistir um episódio de House e acabei pegando no sono, acordei a uma da manhã e tudo bem, tá um calor do caralho, vou lá beber com eles agora. Mas li um blog que falava sobre o Rumble Fish do Coppola e me deu uma puta vontade ver de novo. Vou ver ele agora e não vou sair. Tem dias que são assim, o melhor é ficar em casa revendo um velho filme que com certeza tá na sua lista dos melhores que foram feitos. Tudo bem, não sei se é o melhor, mas eu não ando tão legal e é isso aí que eu vou fazer.

Mickey Rourke, Dennis Hopper e Matt Dillon numa das cenas mais bonitas e emocionantes do cinema

Acordei com uma música na cabeça, gosto quando isso acontece, quando o sonho tem trilha sonora e tu acorda cantando uma bela canção. É duma banda chamada No te va gustar que nem acho das melhores, mesmo. Mas sempre curti essa letra. Eu me emocionava quando tava em algum bar do interior uruguaio com meus amigos, ou com alguma pequena, ou sozinho no balcão tomando whisky e assistindo garotas jogarem sinuca, e de repente começava da jukebox (no Uruguai eles sempre têm uma boa e velha jukebox) um maluco gritando “Vuelve a tu casa cuando quieras/ sempre te esperan a cenar”. Porra, isso me ruía o coração em castelhano. Aquela velha coisa “Tudo bem, garota, pode voltar pra casa, sempre te esperam pro jantar.” Isso não é o argumento daquele velho rock do Cazuza e do Frejat? Eu acho que é. Eu curtia mesmo essa balada, o nome dela é No era Cierto. E abria um leve sorriso de canto de rosto quando no refrão rolava um break e o cara mandava “No te preocupes/ No vuelvo hasta mañana”.

Procurei no You Tube e descobri que ainda gosto dessa letra. Traduzindo uns pedaços porcamente elas me dizem alguma coisa – “Pode voltar pra tua casa quando cê quiser/ Sempre te esperam pro jantar/ Buscando fazer passar o tempo/ Sinto falta do tom da tua voz / Pensei que eu tava sozinho e que isso não era verdade / Nesse deserto sem velocidade/ Não te preocupes / Eu não volto até amanhã…”

É isso aí, ainda lembro daqueles bares esfumaçados uruguaios e das garotas jogando bilhar com suas camisetas dos Ramones. Sinto falta de bares como aqueles, queria esses momentos durante todo o tempo. Momentos do caralho. Como esses dias a Gabi me contando uma história um bocado engraçada que ela leu num livro, alguma coisa que envolvia o John Wayne, o Dennis Hopper, um helicópetero e um revólver. Porra, era boa aquela história. Lembro, por associações da minha cuca, do Paulo Scott cantando uma negócio que só dizia “Helicóteros / Aviões” num popular de poesia há anos atrás, o Jimi Joe tava na guitarra, cara. Eu não conhecia ele direito ainda, só duns shows do Wander Wildner, mas eu sabia que ele era foda. Porra, eu sabia que era ele quem tinha traduzido o Garota de Cassidy pra L&PM. Momentos assim, sacam? Uma jukebox castelhana, uma história pelo sorriso da Gabi, helicópeteros e aviões, helicópteros num filme do Bob Altman, essas migalhas e restos que me interessam. Vou lá, tenho filmaço do Coppola com Mickey Rourke e Matt Dillon pra assistir nessa madrugada.

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Sempre previ um futuro sombrio cheio de babacas com óculos 3D. Agora, ele está chegando.

fevereiro 4, 2010 por brunobandido

tava lendo agora sobre os indicados ao Oscar de 2010. a disputa mais fudida é entre Kathryn Bigleow e Tarantino. Eu daria o melhor filme pra The Hurt Locker (Guerra ao Terror?) e melhor diretor pro Quentin Tarantino por causa de Batardos Inglórios. Cês sabiam que em Portugal o Inglorious Bastards é chamado de Sacanas sem lei?

Mas o pior de tudo é que Bastardos e Hurt Locker vão se fuder e o Avatar vai levar todos os prêmios. Por isso que eu não faço apostas quanto a essas coisas, só digo quem eu gostaria que ganhasse. Na minha cabeça Avatar só encabeçaria categorias técnicas, porque ele tem um roteiro ridículo, diálogos ripados dos piores filmes que existem, e cenas que com certeza você já viu umas vinte vezes por aí. Do tipo o mocinho forasteiro dizendo que se infiltrou no mundo deles com segundas intenções, mas agora tinha mudado e se apaixonado por aquele povo. Foda-se o futuro do cinema, que tempos de merda vem pela frente então. Prevejo um futuro sombrio cheio de babacas com óculos 3d. Como eu disse, na minha cabeça são só prêmios técnicos que o Cameron levaria. Dá os prêmios que valem mesmo alguma coisa pra ex-mulher dele, ela sim fez um filmaço.


Os únicos que eu consigo arriscar palpites são “Melhor ator coadjuvante – Cristopher Waltz.” “Melhor roteiro adaptado – Amor sem escalas” (outra merda de título traduzido) . “Melhor roteiro original – Bastardos Inglórios.” Acharia bacana se o Jeremy Renner do Hurt Locker levasse o melhor ator.

fevereiro 2, 2010 por brunobandido

Caminhei quatro quadras e tá foda, a sensação térmica é mais de 40 graus dizem no rádio, eu venho lá dos lados do Uruguai, não tô acostumado com essas coisas. Sempre que fazem essas ondas exageradas de calor aqui em Porto Alegre tudo fica parecendo aquele filme do Hitchcock, Janela Indiscreta. A saída é ficar passando calor embaixo dum ventilador lendo uns livros nesse feriado que eu nem sei do que é até agora. Até eu que não tenho a cerveja como minha preferência para bebidas, queria ter uma grana e tomar várias das mais geladas possíveis. Ou um ar condicionado, mas isso é ainda mais difícil. Queria vender gelos como um dos irmãos Cosmo no Cozinha do Inferno.  Seria um bom negócio agora. Vou rever algum filme que eu tenha por aqui, O Passado não Perdoa ou Bonnie and Clyde, tanto faz.

A baronesa deslumbrada do Jazz

janeiro 31, 2010 por brunobandido

Eu vi esse filme sem legenda, só no inglês mesmo, é um documentário sobre a famosa Pannonica «Nica» de Koenigswarter, a famosa baronesa Rothschild que largou marido e filhas porque se apaixonou pelo jazz. Alimentava músicos maltrapilhos na época como Charlie Mingus e Tommy Flanagan, tirava seus instrumentos das lojas de penhores, dava abrigo em seu apartamento pra eles. Suas relações mais fortes foram com Charlie “Bird” Paker, que morreu em seu apartamento e isso gerou grande onda de mistério nos bastidores da música, e Thelonious Monk, o amor de sua vida. Foi quando escutou o disco Round the midnight de Monk, aliás, que a mocinha se encantou pela beleza que aquele mundo podia lhe proporcionar. O documentário é repleto de depoimentos de grandes nomes do jazz, com ótima trilha, é claro. Ele é produzido pela BBC e dirigido pela neta de Nica, Hanah Rothschild, que disse ao jornal inglês The Guardian, sobre os amigos músicos da vó que lhe concederam entrevista, “as mais dignas, humanas e articuladas pessoas que conheci em 20 anos fazendo documentários.”

Pra quem ainda duvida da importância da baronesa, saca só seis exemplos das muitas homenagens a ela feitas pelos grandes nomes do jazz - Nica’ s Dream (Horace Silver), Pannonica (Thelonius Monk), Nica’ s Tempo (Gigi Gryce), Tonica (Kenny Dorham), Blues for Nica (Kenny Drew), Thelonica (Tommy Flanagan)…

O documentário foi distribuído em 2009 e ainda não tem previsão de lançamento no Brasil. O site do filme é bem bacana e traz várias informações sobra a socialight inglesa que conheceu Thelonious em Parishttp://www.thejazzbaroness.co.uk/;;

E a Etta James, grande nome do blues, tá internada em um hospital. Duas belas preciosidades do you tube e do blues aí embaixo, uma coberta do mais puro sentimento e outra de uma contagiante alegria, nesse a Etta nem canta, só fica na dancinha com o velho rei BB:

INVICTUS E GUTEMBERG BLUES

janeiro 30, 2010 por brunobandido

- Sonhei que eu era o mexicano feio apanhando do Giuliano Gemma, como na canção de Reny. Sinal de que a coisa tá piorando, antigamente eu era o Gemma nos meus sonhos spaghetti e os mexicanos eram só números na minha conta. Se é que eu contava os mexicanos. O Billy The Kid falou algo assim “Já matei quatro homens. (Pausa) E dezessete mexicanos”. Acordei com ela do meu lado e por algum motivo eu sabia que tinha que dar o fora logo. Sem problemas. O ônibus mais lento da cidade. Ontem a gente foi no cinema ver o novo do Clint Eastwood, o Invictus, sobre a copa mundial de rugby de 95 e como Mandela a encarou. Se vocês leram a crítica que saiu na Folha de SP desconsiderem, aquele cara não deve ter visto o filme. Sabe, eu sempre leio o Estadão e a Folha porque tenho que fazer isso no meu trabalho, não a parte de cultura, mas eu sempre passo por ali pra dar uma sacada, e eu nunca me surpreendo, eles correspondem as minhas expectativas, salvando raras exceções, todos são horrorosos. Eu não tô dizendo que o filme é do caralho, ele só é bacana, na minha opinião. Mas o maluco da Folha disse que era só mais um desses filmes de esporte que o time é pior mas vence na raça. Eu gosto desses filmes, sempre me emocionam, mas acontece que não tem nada a ver com isso. É um filme antes político, depois sobre esporte.  Eastwood não transformou Nelson Mandela em um branco, como prometeu em meio a risos dos repórteres, na discussão via imprensa que travou com Spike Lee anos atrás.  Aquela que ele mandou o Spike calar a boca. E o filme é mesmo sobre o fim do apartheid e a união das raças na África do Sul e como o rugby ajudou nisso tudo. Tem muito pouco esporte no filme, o Matt Damon é coadjuvante e o Morgan Freemam é que banca o principal, as cenas de rugby são bem filmadas mas não passam emoção nenhuma, não pra mim pelo menos, a torcida deve passar uma puta emoção pros africanos, eles devem chorar vendo esse filme, alguém chorou no cinema ontem, eu podia escutar os soluços. Assim ó, o filme é muito bom, ao contrário do que o crítico do jornal falou, dá sim pra ver que o Clint é quem dirige. Dá pra ver que o Eastwood tá ali por trás em todas as tomadas. Pena que não é o tipo de filme que eu quero ver do Clint Eastwood. Sou mais dos seus trabalhos mais intimistas e independentes, eles me dizem mais do que suas grandes produções. Quero dizer, acho Sobre Meninos e Lobos, Gran Torino, Bird, Dívida de Sangue, Crime Verdadeiro… muito mais do caralho que Cartas de Iwo Jima, A Troca e Invictus, embora esses filmes também sejam fudidaços.
& o Zumbilândia não estreou nessa bosta de Porto Alegre, esse também deve ser um filmão. Estreou Nine, mas quem é que quer ver essa porcaria?

- Há uns cinco meses atrás o Felipe, meu brother de Curitiba, tinha me descolado o livro Gutemberg Blues num sebo de lá. Só que ele só enviou pelos correios na semana passada, recebi quinta e já acabei, fui lendo os textos em ordem aleatória e fiquei até chateado quando vi que não sobrava mais nenhum pra ser lido. Porque é delicioso cair naquela sopa pop que queima nossa língua. Pra quem não sabe, a parada é a seguinte, uma porção de textos jornalísticos que o Mário Bortolotto escreveu para alguns jornais reunidos. É bom de ler porque o cara escreve bem e porque os assuntos são do caralho. Pelo menos pra mim. Se bem que chamar aquilo de texto jornalístico é quase uma ofensa, tendo em vista o padrão dos textos jornalísticos que lemos por aí. O jornal que publicou esses textos foi atrevido e o Bortolotto também, afinal o cara fala até de Hudson Hawk na bagaça. Lembram quando nuns posts atrás eu falei de uma cena foda de um filme que ninguém gosta, que os caras roubam um banco e vão cantando uma canção pra cronometrar o tempo? É esse o filme, ele tá na sopa. Assim como o ótimo Último Boy Scoult, que também já comentei por aqui, Rocky V, o filmaço Um Tiro De Misericórdia (State of Grace), além de textos sobre Kerouac, Nei Lisboa, Lou Reed e John Cale (muito bonito esse), vários testamentos sobre o blues, o rock, a literatura maldita, o cinema cult americano, o western e o cinema B, uns perfis/entrevistas com Fausto Fawcett, Celso Blues Boy. No duro, eu nunca havia imaginado a hipótese de existir um livro que abrigasse quase todo o meu leque de referências variadas (muitas que inevitavelmente eu comento por aqui), antes de ler Mário Bortolotto. Se no seu blog já dava pra sacar, lendo seus dois romances, suas peças e agora seus textos jornalísticos, fica claro que ele só gosta de coisa boa, no meu humilde gosto pras coisas, é claro. Ler o Gutemberg Blues foi como ler partes do meu cérebro muito bem escritas e isso é um bocado estranho, meio sinistro até. O livro vale a pena pra todo mundo ler, até pra quem não saca uns nomes ali no meio, é pra ler e pegar a dica. Eu não conhecia umas e vou atrás. Ensinem esses textos pros alunos, pros filhos, sei lá.
O texto que mais me fica agora é um que fala sobre um Elvis que não existiu, um Presley sem aquele glamour babaca e obeso, um Presley de fundo de bar. Porra, esse texto é do caralho, se não fosse tão grande eu copiava ele aqui, todo mundo devia ler esse daí.
Quando acabei a bagaça, pensei: “Porra, de tudo isso eu só não gosto da Fernanda Abreu.” Embora ela seja bonita pra caralho, não tem como ouvir aquilo lá, não consigo nem dizer que é bom mas eu não gosto. Acho ruim pra caralho mesmo. Mas isso aí deve ser uma coisa de gerações.