- Sonhei que eu era o mexicano feio apanhando do Giuliano Gemma, como na canção de Reny. Sinal de que a coisa tá piorando, antigamente eu era o Gemma nos meus sonhos spaghetti e os mexicanos eram só números na minha conta. Se é que eu contava os mexicanos. O Billy The Kid falou algo assim “Já matei quatro homens. (Pausa) E dezessete mexicanos”. Acordei com ela do meu lado e por algum motivo eu sabia que tinha que dar o fora logo. Sem problemas. O ônibus mais lento da cidade. Ontem a gente foi no cinema ver o novo do Clint Eastwood, o Invictus, sobre a copa mundial de rugby de 95 e como Mandela a encarou. Se vocês leram a crítica que saiu na Folha de SP desconsiderem, aquele cara não deve ter visto o filme. Sabe, eu sempre leio o Estadão e a Folha porque tenho que fazer isso no meu trabalho, não a parte de cultura, mas eu sempre passo por ali pra dar uma sacada, e eu nunca me surpreendo, eles correspondem as minhas expectativas, salvando raras exceções, todos são horrorosos. Eu não tô dizendo que o filme é do caralho, ele só é bacana, na minha opinião. Mas o maluco da Folha disse que era só mais um desses filmes de esporte que o time é pior mas vence na raça. Eu gosto desses filmes, sempre me emocionam, mas acontece que não tem nada a ver com isso. É um filme antes político, depois sobre esporte. Eastwood não transformou Nelson Mandela em um branco, como prometeu em meio a risos dos repórteres, na discussão via imprensa que travou com Spike Lee anos atrás. Aquela que ele mandou o Spike calar a boca. E o filme é mesmo sobre o fim do apartheid e a união das raças na África do Sul e como o rugby ajudou nisso tudo. Tem muito pouco esporte no filme, o Matt Damon é coadjuvante e o Morgan Freemam é que banca o principal, as cenas de rugby são bem filmadas mas não passam emoção nenhuma, não pra mim pelo menos, a torcida deve passar uma puta emoção pros africanos, eles devem chorar vendo esse filme, alguém chorou no cinema ontem, eu podia escutar os soluços. Assim ó, o filme é muito bom, ao contrário do que o crítico do jornal falou, dá sim pra ver que o Clint é quem dirige. Dá pra ver que o Eastwood tá ali por trás em todas as tomadas. Pena que não é o tipo de filme que eu quero ver do Clint Eastwood. Sou mais dos seus trabalhos mais intimistas e independentes, eles me dizem mais do que suas grandes produções. Quero dizer, acho Sobre Meninos e Lobos, Gran Torino, Bird, Dívida de Sangue, Crime Verdadeiro… muito mais do caralho que Cartas de Iwo Jima, A Troca e Invictus, embora esses filmes também sejam fudidaços.
& o Zumbilândia não estreou nessa bosta de Porto Alegre, esse também deve ser um filmão. Estreou Nine, mas quem é que quer ver essa porcaria?

- Há uns cinco meses atrás o Felipe, meu brother de Curitiba, tinha me descolado o livro Gutemberg Blues num sebo de lá. Só que ele só enviou pelos correios na semana passada, recebi quinta e já acabei, fui lendo os textos em ordem aleatória e fiquei até chateado quando vi que não sobrava mais nenhum pra ser lido. Porque é delicioso cair naquela sopa pop que queima nossa língua. Pra quem não sabe, a parada é a seguinte, uma porção de textos jornalísticos que o Mário Bortolotto escreveu para alguns jornais reunidos. É bom de ler porque o cara escreve bem e porque os assuntos são do caralho. Pelo menos pra mim. Se bem que chamar aquilo de texto jornalístico é quase uma ofensa, tendo em vista o padrão dos textos jornalísticos que lemos por aí. O jornal que publicou esses textos foi atrevido e o Bortolotto também, afinal o cara fala até de Hudson Hawk na bagaça. Lembram quando nuns posts atrás eu falei de uma cena foda de um filme que ninguém gosta, que os caras roubam um banco e vão cantando uma canção pra cronometrar o tempo? É esse o filme, ele tá na sopa. Assim como o ótimo Último Boy Scoult, que também já comentei por aqui, Rocky V, o filmaço Um Tiro De Misericórdia (State of Grace), além de textos sobre Kerouac, Nei Lisboa, Lou Reed e John Cale (muito bonito esse), vários testamentos sobre o blues, o rock, a literatura maldita, o cinema cult americano, o western e o cinema B, uns perfis/entrevistas com Fausto Fawcett, Celso Blues Boy. No duro, eu nunca havia imaginado a hipótese de existir um livro que abrigasse quase todo o meu leque de referências variadas (muitas que inevitavelmente eu comento por aqui), antes de ler Mário Bortolotto. Se no seu blog já dava pra sacar, lendo seus dois romances, suas peças e agora seus textos jornalísticos, fica claro que ele só gosta de coisa boa, no meu humilde gosto pras coisas, é claro. Ler o Gutemberg Blues foi como ler partes do meu cérebro muito bem escritas e isso é um bocado estranho, meio sinistro até. O livro vale a pena pra todo mundo ler, até pra quem não saca uns nomes ali no meio, é pra ler e pegar a dica. Eu não conhecia umas e vou atrás. Ensinem esses textos pros alunos, pros filhos, sei lá.
O texto que mais me fica agora é um que fala sobre um Elvis que não existiu, um Presley sem aquele glamour babaca e obeso, um Presley de fundo de bar. Porra, esse texto é do caralho, se não fosse tão grande eu copiava ele aqui, todo mundo devia ler esse daí.
Quando acabei a bagaça, pensei: “Porra, de tudo isso eu só não gosto da Fernanda Abreu.” Embora ela seja bonita pra caralho, não tem como ouvir aquilo lá, não consigo nem dizer que é bom mas eu não gosto. Acho ruim pra caralho mesmo. Mas isso aí deve ser uma coisa de gerações.