Posts de Maio, 2008

O rebelde príncipe romântico

Maio 30, 2008

Quem me conhece sabe que eu sempre curti o bom e velho Fábio Júnior. O príncipe da música popular brasileira! O rei da música romântica! Quando digo isso muita gente acha que eu tô brincando. Não mesmo. Um amigo chegou ao absurdo de argumentar “aaaah, mas tu lê rimbaud e curte sex pistols, como vai gostar desse viado”. Ridículo ele por dizer isso, rídiculo ele por chamá-lo de viado!

O cara pegou todas mulheres boas do mundo (e botou uma filha boa no mundo). Também pudera, é só ele cantar que qualquer mulher se entrega, ainda mais se canta Pai, aquela que faz todo mundo chorar. Não desprezando é claro a linda Só você, uma das minhas preferidas. Além disso ele é um verdadeiro romântico, não faz essas músicas só pra ganhar grana. Diz que adora conversar com as gostosas que ele pega, curte discutir relações antes de dormir, contar os problemas abraçado. Seria uma grande putice pra qualquer um. Menos para Fábio Júnior.

(fábio júnior casando mais uma vez)

Mas a canção que eu mais gosto mesmo é 20 poucos anos. Essa é boa! Um tempo atrás os Raimundos a gravaram e aí um monte da galera hardcore curtiu. Pssss. Eles tiraram toda a intensa carga sentimental e contestadora da música. Lembro de tocá-la no violão e amigos insistentemente debocharem da obra prima do Fábio. E eu seguia, “…tem gente ainda me esperando pra contar as novidades que eu já canso de saber…”, todos riam. Eu gritava: olha essa frase, ele é um rebelde!

(o rebelde fábio junior com joão gordo)

(me acabei de rir com esta foto)

sonho 99

Maio 28, 2008

um ladrão conhecido me falava que roubar nas ruas saiu de moda. o negócio era furtar e fumar subversos e subversivos.

gosto de ver navios e de fumar cigarros
o restante equivale aos carros rasos que
dançam e atrapalham as poças no meio da rua
e as moças seminuas que debutariam pela américa

gosto de ver cigarros e fumar navios
o que sobram são os vazios das loiras estereótipo
e das conversas alfabetizadas de primeira série

minicontos (machistas ou românticos) I

Maio 26, 2008

Declaração de amor:

Um chupão no pescoço Uma nota de dólar na carteira pra dar sorte Uma vida que podia ter sido e foi Um caso mal resolvido de ti com tua mãe Dentes sem ácaros Dois negrões fortes num filme pornô durante a madrugada Os pingos da chuva entrando pela janela aberta do meu quarto e Uma vontadezinha filha da puta de beijar teu hálito

Fato

Porra, o dia tá uma merda e eu tenho que escutar os laços do casal de cima. Recém saíram de uma clínica de aborto. Eles tentam de novo e não conseguem. Sirvo uma água na cozinha e ouço um choro soluçado feminino que se queixa de não ter mais motivos, que a dor vai sempre sobressair, que não sabe o quanto mais conseguirá amar e que não consegue dormir com o barulho raivoso das paredes. Putinha, isso que ela é.

Maio 22, 2008

Todos os cobradores de ônibus me lembram alguma pessoa. Um dos mais impressionantes é o Allen Ginsberg que trabalha no T1 Direto, com direito a óculos, barba e careca no meio da cabeça. Também tem o Juremir Machado que eu vejo seguido mas não lembro qual a linha.

Ontem ao entrar num T7 me lembrei levemente do William S. Burroughs. Mais um beat pra coleção. Recebi o troco e disse um “muito obrigado Senhor Burroughs”. “Não tem de quer” ele balbuciou.

*Andy kaufman Tupiniquim

Maio 21, 2008

Puta que pariu! Acabo de presenciar a melhor coisa que já aconteceu na história dessa geração imprensa-fofoca. Tava vendo televisão e quando passo pelo canal RedeTV, tá acontecendo um barraco, como de costume, no programa Super Pop apresentado pela mãe do filho do Jagger Luciana Gimenez.

A história era ridícula. Um cara mentiu pra mulher que ia viajar com os amigos no carnaval pruma despedida de solteiro, casaria dois meses depois. Mas nunca mais apareceu.

A mulher, um tanto louca, ganhou grande parcela do povo criando um blogue, um orkut, indo ao programa da Márcia Goldshimdt e saindo nas ruas vestida de noiva (o vestido que já estava pronto) a entregar panfletos expondo seu caso para a população e buscando um pretendente por dia para se vingar do ex-futuro-marido. Uma verdadeira psicótica barraqueira, do tipo oportunista da imprensa burra com bom IBOPE, exploradora de programas e revistas de celebridades e intrigas populares, que já pretendia lançar livro e tudo mais.

Quando botei no canal, já tava a maior briga. A produção localizou o noivo fugitivo, fez uma matéria com ele e o levou ao programa. Aí tudo que se tá acostumado. “Você é um filho da puta”, “Você é uma frígida”, “Teu pau é pequeno”, “Cê só quer se auto-promover, já tá escrevendo livro, indo atrás de macho, e o povo tá caindo na tua, ninguém tem nada a ver com isso… Vagabunda isso que você é”. E a apresentadora, a platéia e o convidado gay (Antigo Pablo do Qual é a música) defendendo arduamente a noiva. E expondo mais ainda tudo ao papel de ridículo, como acontece sempre nesses programas com altas doses de machismo, ignorância, argumentos bagaceiros, idiotices e exames de DNA (que dessa vez não foi o caso).

Eu me perguntava porque tava vendo aquela merda e pertencia a minoria que dava um pouco de razão pro cara. Parece que todo mundo achou que era normal fazer o que ela fez. E o homem só dizia “isso é problema nosso, só nosso”. O que é verdade, mas não funciona nesse tipo de mídia. Só que valeu a pena eu ter acompanhado o desenrolar, porque no final, a produção larga uma matéria contando que tudo não passava de uma campanha de publicidade pro filme 5 Frações de uma Quase História. Apareceram os dois publicitários engajados no serviço, explicando que os barraqueiros eram atores e tudo atingiu uma incrivel proporção: o blogue foi extremamente visitado, candidatos a sair com a noiva deprimida eram muitos, psicólogos falavam que a mulher precisava se tratar, a imprensa toda foi enganada, matérias de revista, a Márcia e outros programas do tipo divulgaram o fato como se fosse verdade. E eles realmente acreditavam nisso. Só a produção do Superpop que soube e fez a matéria pra que os publicitários explicassem e se desculpassem pela imensa proporção, mas é claro, pedindo pra que fosse levado na maior brincadeira, “como uma pegadinha prolongada”.

Coisa muito bem feita! Pra Andy kaufman aplaudir do túmulo! O povo que xingava arduamente o canalha covarde, o Pablo e a Gimenez e as caravanas que o insultavam, os pretendentes e espectadores do caso na internet, tv ou revistas, ficaram boquiabertos.

Todos caíram vitimas de uma excelente armação pro idiotismo geral assumido como postura nas tardes dos canais C, D e E de televisão. Publicidade realmente fazendo algo inteligente, interessante e kaufmanmente engraçado. Isso também tá raro de se ver. O que resta é saber se o povo (e a Márcia) vai levar numa boa, ou achar que foi de mal gosto. Qualquer um dos resultados será bom para o filme que já tá em cartaz e ninguém comenta, isso eu tenho certeza. Ah, os atores também desempenharam muito bem o papel de gente fiasquenta utilizada pela mídia pra fazer audiência. Olé!

* para saber sobre o filme baseado em Kaufman - Man on the Moon - clique aqui.

Solomon

Maio 20, 2008

Carl Solomon disse que Ginsberg estava errado e pouco queria saber se seu O Uivo já era uma obra consolidada.

hospicios trocados, saladas de batata e tudo mais.

Ele era o cara, assim como os outros.
Verbos acidentais e carrinhos gingando. Todos uns vingativos vidrados e
vicodin.

sonho 158

Maio 19, 2008

as pessoas todas apavoradas, sem saber pra onde ir. no meio da confusão, um violão me perguntou o nome e se eu tinha fogo, não respondi. foi quando reparei que meu relógio de pulso tinha sumido, não dava mais tempo pra correr atrás do instrumento laprário, como todos o chamavam.

adeuses

Maio 17, 2008

#1

não quero acordar contigo ao meu lado
contado-me teus casos e casas
pedindo para que eu case
sem usar crases nem frases de efeito

não quero acordar e te ver dormindo
com teu rosto lindo
com tua boca semiaberta
com teu cabelo (des)penteado
e com tua vida perfeita

#2

joguei tanta coisa fora
armas e medos e gramas
que já nem sei se sou eu
ou todos os teu antidesejos.
é que de tantos beijos
apenas em teu ser,
cansei de ficar parado
esperando a vida
olhando pela noite a tv.

o cachorro latiu fora do ar e outros versos #17

Maio 14, 2008

tá certo que eu
não quero ir pro exército
e essas coisas mais

mas não preciso
levantar bandeira
ler bandeira

tô guardado
em nada menos
que a desatenção

breve reverência

Maio 13, 2008

vinicius

desde que descobri a poesia, passei a não gostar dos poemas do vinicius de moraes. sempre preferi as músicas e olhe lá. aquele velho romântico-diplomata-beberrão, é claro, tinha algum ponto forte - era beberão. mas quando me vinha com que não seja imortal posto que é chama… eu até concordava que ele deixou a frase bonitinha, mas respondia na lata, com o gaúcho carlinhos carneiro, é sempre amor mesmo que mude.
tá certo que ele falou que rimbaud era mesmo o maior de todos e que a canção que queria ter composto era detalhes do rei roberto carlos. nesse aspecto, sou obrigado a aplaudir.