*Andy kaufman Tupiniquim
Puta que pariu! Acabo de presenciar a melhor coisa que já aconteceu na história dessa geração imprensa-fofoca. Tava vendo televisão e quando passo pelo canal RedeTV, tá acontecendo um barraco, como de costume, no programa Super Pop apresentado pela mãe do filho do Jagger Luciana Gimenez.
A história era ridícula. Um cara mentiu pra mulher que ia viajar com os amigos no carnaval pruma despedida de solteiro, casaria dois meses depois. Mas nunca mais apareceu.
A mulher, um tanto louca, ganhou grande parcela do povo criando um blogue, um orkut, indo ao programa da Márcia Goldshimdt e saindo nas ruas vestida de noiva (o vestido que já estava pronto) a entregar panfletos expondo seu caso para a população e buscando um pretendente por dia para se vingar do ex-futuro-marido. Uma verdadeira psicótica barraqueira, do tipo oportunista da imprensa burra com bom IBOPE, exploradora de programas e revistas de celebridades e intrigas populares, que já pretendia lançar livro e tudo mais.
Quando botei no canal, já tava a maior briga. A produção localizou o noivo fugitivo, fez uma matéria com ele e o levou ao programa. Aí tudo que se tá acostumado. “Você é um filho da puta”, “Você é uma frígida”, “Teu pau é pequeno”, “Cê só quer se auto-promover, já tá escrevendo livro, indo atrás de macho, e o povo tá caindo na tua, ninguém tem nada a ver com isso… Vagabunda isso que você é”. E a apresentadora, a platéia e o convidado gay (Antigo Pablo do Qual é a música) defendendo arduamente a noiva. E expondo mais ainda tudo ao papel de ridículo, como acontece sempre nesses programas com altas doses de machismo, ignorância, argumentos bagaceiros, idiotices e exames de DNA (que dessa vez não foi o caso).
Eu me perguntava porque tava vendo aquela merda e pertencia a minoria que dava um pouco de razão pro cara. Parece que todo mundo achou que era normal fazer o que ela fez. E o homem só dizia “isso é problema nosso, só nosso”. O que é verdade, mas não funciona nesse tipo de mídia. Só que valeu a pena eu ter acompanhado o desenrolar, porque no final, a produção larga uma matéria contando que tudo não passava de uma campanha de publicidade pro filme 5 Frações de uma Quase História. Apareceram os dois publicitários engajados no serviço, explicando que os barraqueiros eram atores e tudo atingiu uma incrivel proporção: o blogue foi extremamente visitado, candidatos a sair com a noiva deprimida eram muitos, psicólogos falavam que a mulher precisava se tratar, a imprensa toda foi enganada, matérias de revista, a Márcia e outros programas do tipo divulgaram o fato como se fosse verdade. E eles realmente acreditavam nisso. Só a produção do Superpop que soube e fez a matéria pra que os publicitários explicassem e se desculpassem pela imensa proporção, mas é claro, pedindo pra que fosse levado na maior brincadeira, “como uma pegadinha prolongada”.
Coisa muito bem feita! Pra Andy kaufman aplaudir do túmulo! O povo que xingava arduamente o canalha covarde, o Pablo e a Gimenez e as caravanas que o insultavam, os pretendentes e espectadores do caso na internet, tv ou revistas, ficaram boquiabertos.
Todos caíram vitimas de uma excelente armação pro idiotismo geral assumido como postura nas tardes dos canais C, D e E de televisão. Publicidade realmente fazendo algo inteligente, interessante e kaufmanmente engraçado. Isso também tá raro de se ver. O que resta é saber se o povo (e a Márcia) vai levar numa boa, ou achar que foi de mal gosto. Qualquer um dos resultados será bom para o filme que já tá em cartaz e ninguém comenta, isso eu tenho certeza. Ah, os atores também desempenharam muito bem o papel de gente fiasquenta utilizada pela mídia pra fazer audiência. Olé!
* para saber sobre o filme baseado em Kaufman - Man on the Moon - clique aqui.


Maio 21, 2008 em 3:00 pm
hauehauhehuae
genial!
Maio 21, 2008 em 3:30 pm
Que coisa divertida!
O filme com o Jim Carrey é muito legal.
Maio 26, 2008 em 6:02 pm
Genial!!
sério, viraria marqueteira, digo, publicitária, pra criar essas coisas!
tá, minha criatividade não chegaria a tanto. Mas fica o querer porque enganar a Márcia e os que assistem ela não tem preço.