Feriado na cidade natal e os filmes eróticos do Canal Brasil

Eu cheguei aqui no sábado às oito da noite, desci numa parada perto da minha casa, tava de manga curta e tinha um vento gelado pra caralho. Logo depois, o Careca me ligou dizendo que tava todo mundo na frente da casa dos meus pais. Eu abri a porta, olhei, não vi ninguém mas escutei uns gritos. Fui mais pra frente e eles tavam na frente do Gentilesa Records, estúdio do Maestro Gentilesa, que foi meu vizinho desde os nossos seis e sete anos até 2006. Hoje ele mora em Pelotas e eu lá em Porto Alegre, porque acaba que quase nenhum jovem pára por aqui. Uma lata de cerveja vôou nos meus pés, o Parrudo que atirou, eu peguei do chão e segui tomando e caminhando calmo até eles. Tavam bêbados pra caralho, tinham bebido umas 50 latas ou algo assim, o Gentilesa se despediu de mim mas disse que amanhã tinha churrasco e que ele ia me acordar pra gente ir. Falei que tudo bem. Saí com o Careca e a gente ficou bebendo e conversando um bocado.

Era noite de baile de debutantes na cidade, um monte de guriezinhas bêbadas de coquetel desfilavam com seus vestidinhos impiedosos e faziam pensar em pedofilia. Os rapazes vestidos de gala se fingiam de homens com copos de cerveja na mão. O Careca e eu ficamos olhando tudo bebendo uma cerveja litro e sentados ali pelo centro. A gente até praguejava algo contra eles e contra a cidade que tá, cada vez mais, sem opções. “Esses caras vão se casar com umas garotas bacanas e ter dois filhos em cinco anos e trabalhar dentro da porra de um escritório e vão bater várias punhetas lá dentro e quando chegarem em casa com seus top carros importados, eles vão ficar um tempão na garagem escutando a música que tá tocando no rádio e fazendo hora pra entrar em casa, só pra ter um momento de paz no dia, sem as crianças pedindo atenção ou a mulher contando uma merda qualquer com um rosto infeliz”. Eu falei algo assim e o Careca riu, aí a gente apenas ficou se lamentando por não ser um deles. É estranho, mas é assim que é. Depois quase toda turma ou se recolheu com suas namoradas ou foram pruma festa de gaudérios. Eu apenas caminhei pra casa meio bêbado com a última ampola na mão, ou vasilham, como meu vô apelida as garrafas de Antártica que toma. Apesar da tristeza no ar, foi uma noite bacana, pelo menos não vi antigos amores da cidade, aquelas garotas que a gente odeia mas ainda ama de algum jeito diferente. Sempre quando eu tô bêbado por aqui e enxergo alguma delas, eu faço uma bobagem.

No outro dia o Gentilesa me acordou mesmo às onze da manhã e fomos no seu carro pegar o pessoal e comprar cerveja. Meu pai me deu um pacote de salsichões, o Careca botou mais umas carnes e a gente encheu um carro com cerveja contando as notas amassadas do bolso. Tava um bocado de gente lá, todos bêbados e felizes e assando carne e bebendo na casa dos pais do Careca e do Parrudo. O Careca tinha uma casa lendária aqui na cidade, um lugar pequeno, meio que de madeira, com uma sala um quarto com geladeira e um banheirinho, foi disso que a gente precisou pra fugir do tédio durante uns dois anos. Mas ele também não mora mais aqui, trabalha em Pelotas e só vem nuns feriados visitar os pais e rever amigos.

Eles iam tocar de noite eu tava feliz por isso, depois descobri que ia ter uma banda de pagode também e a festa não era nada legal. Fui passar o som com os caras, voltei pra casa bêbado, fiquei vendo pornochanchadas do Canal Brasil e depois me dormi. Eu passei um tempão assistindo esses filmes eróticos do Canal Brasil à meia noite e meia quando eu morava aqui. Filmes clássicos com Crazy – Um dia muito louco, Ilha dos prazeres, Dama da lotação, Gozando a vida, Bacanal, Shock: Diversão Diabólica e outros com times de futebol feminino, ilhas paradisíacas e jovens que faziam sexo isolados mas eram interrompidos por assaltantes e que a Aldine Muller era uma gostosinha tarada e tudo o mais. Domingo eu revi Histórias que nossas babás não contavam, puta filme esse, um clássico com a gostosa Adele Fátima e com o Costinha no personagem de caçador. Não se fazem mais filmes nacionais como antigamente. Aí depois eu acabei me dormindo e não fui ver os guris tocarem. Perdi a chance de ver um monte gente bacana, mas aquilo não era lugar pra mim também.

Ontem e hoje eu passei meio que dentro de casa. Conversando com meus pais, lendo e assistindo episódios de The Shield. Vou embora meia noite daqui, chego lá às seis e pouco da manhã e já tenho que ir pro campus às oito.  Pelo menos essa semana é curta, pelo menos eu já me diverti um bocado.

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Eu cheguei aqui no sábado às oito da noite, desci numa parada perto da minha casa, tava de manga curta e tinha um vento gelado pra caralho. Logo depois, o Careca me ligou dizendo que tava todo mundo na frente da casa dos meus pais. Eu abri a porta, olhei, não vi ninguém mas escutei uns gritos. Fui mais pra frente e eles tavam na frente do Gentilesa Records, estúdio do Maestro Gentilesa, que foi meu vizinho desde os nossos seis e sete anos até 2006. Hoje ele mora em Pelotas e eu lá em Porto Alegre porque acaba que quase nenhum jovem pára por aqui. Uma lata de cerveja vôou nos meus pés, o Parrudo que atirou, eu peguei do chão e segui tomando e caminhando calmo até eles. Tavam bêbados pra caralho, tinham bebido umas 50 latas ou algo assim, o Gentilesa se despediu de mim mas disse que amanhã tinha churrasco e que ele ia me acordar pra gente ir. Falei que tudo bem. Saí com o Careca e a gente ficou bebendo e conversando um bocado.

Era noite de baile de debutantes na cidade, um monte de guriezinhas bêbadas de coquetel desfilavam com seus vestidinhos impiedosos e faziam pensar em pedofilia. Os rapazes vestidos de gala se fingiam de homens com copos de cerveja na mão. O Careca e eu ficamos olhando tudo bebendo uma cerveja litro e sentados ali pelo centro. A gente até praguejava algo contra eles e contra a cidade que tá, cada vez mais, sem opções. “Esses caras vão se casar com umas garotas bacanas e ter dois filhos em cinco anos e trabalhar dentro da porra de um escritório e vão bater várias punhetas lá dentro e quando chegarem em casa com seus top carros importados, eles vão ficar um tempão na garagem escutando a música que tá tocando no rádio e fazendo hora pra entrar em casa, só pra ter um momento de paz no dia, sem as crianças pedindo atenção ou a mulher contando uma merda qualquer com um rosto infeliz”. Eu falei algo assim e o Careca riu, aí a gente apenas ficou se lamentando por não ser um deles. É estranho, mas é assim que é.

No outro dia o Gentilesa me acordou mesmo às onze da manhã e fomos no seu carro pegar o pessoal e comprar cerveja. Meu pai me deu um pacote de salsichões, o Careca botou mais umas carnes e a gente encheu um carro com cerveja contando as notas amassadas do bolso. Tava um bocado de gente lá, todos bêbados e felizes e assando carne e bebendo na casa dos pais do Careca. O Careca tinha uma casa lendária aqui na cidade, um lugar pequeno, meio que de madeira, com uma sala um quarto com geladeira e um banheirinho, foi disso que a gente precisou pra fugir do tédio durante uns dois anos. Mas ele também não mora mais aqui, trabalha em Pelotas e só vem nuns feriados visitar os pais e rever amigos.

Eles iam tocar de noite eu tava feliz por isso, depois descobri que ia ter uma banda de pagode também e a festa não era nada legal. Fui passar o som com os caras, voltei pra casa bêbado, fiquei vendo pornochanchadas do canal Brasil e depois me dormi. Eu passei um tempão assistindo essas pornochanchadas à meia noite e meia quando eu morava aqui. Filmes clássicos com Crazy – Um dia muito louco, Massaroca 57, Gozando a vida, e outros com times de futebol feminino, ilhas paradisíacas e tudo o mais. Domingo eu revi Histórias que nossas babás não contavam, puta filme esse. Aí depois eu acabei me dormindo e não fui ver os guris tocarem. Perdi a chance de ver um monte gente bacana, mas aquilo não era lugar pra mim também.

Uma resposta to “Feriado na cidade natal e os filmes eróticos do Canal Brasil”

  1. Fabiano Says:

    Verdade bandido, não fazem mais filmes como antigamente!!!!!…

    abraço e boa volta!!!

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