eu ando elaborando paraísos egoístas na minha cabeça enquanto tenho que ser caridoso. tô precisado de 7 garrafas de conhaque por semana e a mais completa solidão, talvez alguns filmes do john ford. e eu nao vou ter isso por um bom tempo e saber isso me deixa mais sozinho no meio dessa merda toda. quando sobra um tempo, assisto os episódios que me faltam nas duas temporadas completas de Louie – a combinação de piadas sobre masturbação e peido com a melancolia de um solitário crônico criando suas filhas, ou de trepadas no instinto, ou de amigos que caem na porrada e depois voltam a andar juntos pela madrugada, ou de um velho conhecido que volta pra quebrar uma noite de bebedeira e depois dizer que vai se matar, é um bocado interessante na minha mente escrota e amargurada. escrevo notas rápidas para um DJ de rádio que criei há uns anos atrás. um DJ desses que não existem mais. DJ Sallinger é o nome dele. E se eu pudesse colocar num dial em que ele tivesse falando e mandando suas músicas, pelo menos eu ia poder brindar coa solidão e não ficar nesse jogo maluco e infantil com ela – quando moleque, tinha essa brincadeira idiota em que a gente pegava uma bainha de faca e ficava batendo um na mão do outro com ela até ver quem não aguentava mais, quem não desistisse seria o campeão, a bainha era de couro e deixava vergões na mão da gente, uns moleques levavam a porrada e faziam um fiasco de dor e depois riam feito panacas daquilo tudo, o que dava a porrada também ria e eles voltavam a jogar taco ou falar sobre meninas, nas poucas vezes em que decidi entrar naquela porra, eu só fiquei quieto – levava a porrada, dava ela, o outro fazia seu fiasco afetado cheio de dor e dentes e gargalhadas e eu ficava quieto morrendo de dor, até pra levar porrada eu era tímido e antipático, e eu geralmente não desistia, mesmo que meu braço estivesse tremendo e eu não pudesse segurar nada coaquela mão por um bom tempo (é claro que eu escolhia a esquerda, já que sou destro e um garoto tímido apaixonado por uma coleguinha de classe e gamado naquelas atrizes gostosas dentro da televisão precisa de sua melhor mão funcionando – era um esforço meu, porque de acordo coas regras do jogo da bainha a mão que leva é a mesma que bate, e claro que eu bateria muito mais forte coa direita, mas eu não correria o risco de prejudicar meus momentos mais sagrados), então, eu vencia de canhota e voltava quieto pra casa, quando eu ficava distante o suficiente pra que os outros garotos não pudessem me ver eu começava a caminhar com passos rápidos, entrava pela porta correndo, rezando pra que meus pais não tivessem e colocava a mão embaixo da pia, ficava ali, coa água correndo e aliviando um pouco a ardência na palma da mão e me sentindo o maior idiota de todos os tempos. foi quando eu descobri que ser o vencedor não significa porra nenhuma pra mim e que perder também não. e, agora, quando de noite, eu tenho alguns segundos de descanso, eu apenas tiro a bainha da faca e chamo a solidão prum duelo de babacas. sempre dá empate. as pessoas não mudam quase nada. aqueles caras que duelavam comigo na infância seguem rindo dessas bostas e comemorando conquistas, eu sigo sendo um idiota melancólico e sozinho e tudo isso não me faz pensar em nada de mais.
30/12/2011 às 9:28 pm |
tá foda, punheteiro.
03/01/2012 às 5:05 pm |
muito foda, Bandido!
Feliz ano novo, irmão!
grande abraço!
04/01/2012 às 12:38 am |
Tem maior hipocrisia que criticar os babaquinhas que pagam pose uns na frente dos outros na maior falsidade, quando no fundo a pessoa que critica não mostra o seu verdadeiro eu por timidez?
Timidez é uma puta falsidade. É o EU de carapuça, com fama de bandido em pele de cordeiro para ninguém te ver.
A internet tá aí pra botar pra fora o lobo. A vida também.
Abraço!
04/01/2012 às 2:50 am |
não acho que timidez seja hipocrisia, cara. aliás, ser tímido não é algo que tu opta por ser, pô, como vai ser uma atitude hipócrita?
falsidade? não engulo essa teoria.
eu sou tímido, mas sou ainda mais reservado (pra não encher muito o saco das pessoas como gostaria que não enchessem o meu) além de ser muito antipático e anti-social, às vezes as pessoas confundem essas coisas com timidez.
e não foi no sentido de fazer uma crítica veemente a ninguém, eu posso ter dito que acho a atitude deles babaca, ou idiota, assim como sempre me achei também um idiota. o fato de eu não gostar da maioria das pessoas, não quer dizer que eu me ache melhor do que elas, muito pelo contrário.