não sei bem qual vai ser minha periodicidade por aqui. quando der tento escrever meu diário de bêbado. acontece que tô atolado nas mais variadas merdas. também não vou lamentá-las por aqui. no tempo que sobrar, vou procurar escrever minhas coisas, assistir séries atrasadas e, acima de tudo, ver os dois filmes do Hal Hartley (
) e ler Noche de escupir cerveza e maldiciones
que a Camilinha F tinha me trazido da Espanha e finalmente consegui pegar com ela. Ela conseguiu achar esses filmes com legendas em espanhol e mais uns curtas do Hartley que vêm como extras. E esse livro é um catatau de correspondências entre Charles Bukowski e Sheri Martinelli. Já li algumas e é bacana de ver o velho Hank nem tão durão e dando opiniões mais embasadas sobre literatura, não sei até que ponto ele deixaria que publicassem isso, acho que a primeira edição é de 2001 e os direitos eram da Linda Lee, mas bem, pra quem é fã é do caralho ler essa bagaça. Eu me interessei de cara porque Sheri Martinelli é responsável por um dos poemas mais comoventes de O amor é um cão dos diabos. Esse aí:
um poema quase feito
elas são pequenas e a fonte é na França
de onde você me escreveu aquela última carta e
eu respondi e nunca mais obtive retorno.
você costumava escrever poemas insanos sobre
ANJOS E DEUS, tudo em caixa alta, e você
conhecia artistas famosos e muitos deles
eram seus amantes, e eu escrevia de volta, está tudo bem,
vá em frente, entre na vida deles, não sou ciumento
porque nós nem nos conhecemos. estivemos perto uma
[vez em
New Orleans, metade de uma quadra, mas nunca nos
[encontramos,
nunca um contato. assim você seguiu com os famosos,
[escreveu
sobre os famosos, e, claro, descobriu que os famosos
estavam preocupados com a fama deles – não com a jovem e
bela garota em suas camas, que lhes dava aquilo, e
[que acordava
de manhã para escrever em caixa alta poemas sobre
ANJOS E DEUS. nós sabemos que Deus está morto, eles nos
[disseram,
mas ao ouvi-la eu já não tinha certeza. talvez
fosse a caixa alta. você era uma das melhores poetas e eu
disse para os editores, “publiquem-na, publiquem-na,
[ela é louca mas é
mágica. não há mentira em seu fogo”. eu te amei
como um homem ama uma mulher que jamais tocou,
[para
quem apenas
escreveu, de quem manteve algumas fotografias. eu poderia
[ter te
amado mais se eu tivesse sentado numa pequena sala
[enrolando um
cigarro e ouvindo você mijar no banheiro,
mas isso não aconteceu. suas cartas ficaram mais tristes.
seus amantes te traíram. criança, escrevi de volta, todos os
amantes traem. isso não ajudou. você disse
que tinha um banco em que ia chorar e que ficava numa
[ponte
e a ponte ficava sobre um rio e você sentava no seu banco de
[chorar
todas as noites e descia o pranto pelos amantes que
te machucaram e te esqueceram. escrevi de volta mas não
[obtive
qualquer retorno. um amigo me escreveu contando do seu
[suícidio
3 ou 4 meses depois de consumado. se eu tivesse te
[conhecido
provavelmente teria sido injusto com você ou você
comigo. foi mesmo melhor assim.
04/03/2012 às 9:39 pm |
ow, os filmes são seus, o livro não muito!
04/03/2012 às 9:43 pm |
tudo é meu. e o de esbozos do kerouac também. mas te empresto o livro pra tu ler depois, se quiser.
04/03/2012 às 10:09 pm |
por que cê se ilude?
04/03/2012 às 10:17 pm |
a única ilusão é a minha em teus olhos.
04/03/2012 às 11:07 pm |
ah, sou burra.
05/03/2012 às 12:23 am |
o livro é meu.
05/03/2012 às 11:33 am |
Se o livro é seu, não sei, mas que esse poema é du caralho, sem dúvida.
Beijo, Bandido
05/03/2012 às 4:29 pm |
é de fuder mesmo, adriana. e o livro é meu sim, não restam dúvidas. um beijo.
05/03/2012 às 10:59 pm |
cala boca.
05/03/2012 às 11:08 pm |
vem calar, baianinha.
05/03/2012 às 11:26 pm |
logo logo, gaucho.