POEMA Nº 73

13/09/2017

Bengala

 

Por que não desenharia um cavalo?
Não é esse o significado da vida?
Um cavalo você o desenho.
Porque faz tempo as marcas da catapora
as cobras de Manasa
os ritos de sangue e outras meninas.
Não é esse o nosso significado?
Shiva excitado na piscina
teus cabelos entupindo o ralo
havia um milho no ralo –
o deixei lá semanas meses vidas
depois da nossa vida.
Você cagou no meu ralo.

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livro novo

24/06/2017

Tô lutando comigo mesmo e com um romance, que o Daniel Valentim (grande editor e grande padeiro) me encomendou, desde fevereiro. Ele estava de certa forma redondo na minha cabeça. Hoje, por causa de uma frase, foi como se eu tivesse naqueles jogos de tabuleiro – você joga o dado, conta o número de casas, para em cima de uma e a mensagem é algo como: “Você perdeu. Volte para o início”. E eu voltei. Mas sigo no jogo. Provavelmente o livro contará a história de um bar na Liberdade e de um de seus donos, o bar só funciona de madrugada e, para comer, só serve uma receita de foie gras a preços módicos. Posso adiantar que a falta de enredo, a solidão e a desolação habitual das coisas que escrevo estão lá, mas eu nunca investi tanto na loucura – tem veganismo, anjo da guarda, fantasma japonesa, lutador de sumô, espírito de marreco, deuses indianos e até o Giovanni di Pietro di Bernardone, que vocês devem conhecer como São Francisco de Assis (tudo bem, na bíblia tem até dragão), mas no fundo, no fundo mesmo, o livro seguirá sendo sobre nada, ou sobre a vida, se eu estiver em um dia pretensioso. Começa mais ou menos assim: – Para contar a história do Bar e Restaurante Ogawa, talvez eu tenha que contar a minha história e para isso devo lembrar de meu avô, que caçava javalis, e de minha avó, que ouvia espíritos.

poema nº 72

23/06/2017

Ontem no solstício de inverno

 

Toda pedra é uma consciência adormecida

me disse um buda adormecido

numa estação de trem em Rishikesh

– onde encontrei a paz

quarenta e nove graus celsius

superpopulação de moscas e pessoas

dois ratos dividiam

conosco o vagão – dentro de mim.

E todo deus é OM pois todo deus

são todos os mantras e orações

sorriu o buda adormecido

e estendeu suas mãos malucas

como se bebesse água de

um riacho filipino dentro de mim.

Nessa altura, o carinho desmemoriado

de meu cão me fazia lembrar

Helena Blavatsk e as bruxas chapadas

sorriam lá fora sem conseguir falar e

traiam seus namorados e lambiam

o pescoço do destino

e toda folha que arranquei de toda

planta formava em minha sala

o grande espelho vulgar.

Ontem no solstício de inverno

a garota que tem me visitado

tirou sua roupa e parecia

mais linda e parecia a Virgem

com a fumaça de seu punhal azul.

Seu filho (que ainda não existe)

dormiu sorrindo

assistindo aos Simpsons no sofá.

 

futebol

20/06/2017

 

  1. O músico gremista Jupiter Maçã costumava dizer sobre a seca de títulos do seu time, com a língua enrolada e seu forjado sotaque bom fim-liverpool, que havia um cavalo enterrado no Olímpico e era essa magia negra a causa de todo infortúnio tricolor. Curiosamente, já que faleceu no decorrer de 2016, vitimado pelo alcoolismo, não viu seu time quebrar o jejum de taças – já fora do Olímpico – nem o Inter, arquirrival, ser rebaixado para a série B. Hoje, em 2017, se algum pinguço do lado vermelho levantar a hipótese de um cavalo enterrado às margens do Guaíba, não sei se alguém se atreverá a duvidar.
  2. Na minha peça, Enterro dos Lobos, no meio da cena de assuntos desconjuntados entre pai e filho pródigo, em algum momento eles emendam um diálogo sobre futebol. O pai fala: – Futebol no Brasil hoje é que nem quando vocês tinham aquelas apresentações no colégio. Sabe? Dia dos Pais, Dia das Mães… Chato pra cacete, mas a gente tem que ver, porque são nossos filhos, ora… Às vezes até se emociona…
  3. Bem, ele estava falando de futebol no Brasil. Pois se fosse falar dos jogos do Inter na série B, caramba, seria como se a apresentação no colégio fosse as crianças lendo “Em busca do tempo perdido” na íntegra e, eu juro, o tempo passaria mais rápido que os 90 minutos do jogo e, com toda certeza, seria muito mais emocionante.
  4. O frio no Rio Grande do Sul, segundo contam as notícias e meus amigos, está um negócio pavoroso. Como se não bastasse o futebol do Inter estar essa coisa, o jogo, por crueldade do destino e da CBF, foi marcado para às nove e meia de uma terça-feira. O torcedor que foi ao estádio está voltando agora, à meia-noite, para casa, com a temperatura abaixo dos dez graus, após ver isso, que comparei inferiormente a crianças declamando Proust na íntegra. Amanhã é recém quarta-feira. Dia dos jogos da primeira divisão.
  5. Durante a exibição deste espetáculo do futebol, recebi uma mensagem de minha mãe no celular, era a foto do meu pai sentado ao sofá em frente à TV. Muito mais sábio que eu, o velho dormia.

Poema nº 69

29/05/2017

Todos os peixes

Todos os peixes são lobos
nos encontramos assim
pernas embaixo da mesa
todos os peixes são monges
e bêbados antigos
ainda que o mar acabe
ainda que nosso dinheiro acabe
em bobagens
nos encontramos assim
olhos de santo e
morreremos
todas as manhãs
sem sede.

Enterro dos Lobos

29/05/2017

O Peterson Queiroz, foi assistir a nossa peça, que está em cartaz no Cemitério de Automóveis, e escreveu sobre ela. Abaixo:

 

SOBRE “ENTERRO DOS LOBOS”

Thomas Hobbes popularizou a frase do dramaturgo romano Platus que diz que “o homem é o lobo do homem”. Mas tudo o que Jara (Bruno Goularte), filho pródigo de Claudio (Walter Figueiredo) e Cristina (Ângela Figueiredo), vê quando chega de volta pra encontrá-los juntos de sua irmã Ionara (Debora Sttér) são apenas almas vira-latas cercadas pelas grades de seu próprio patrimônio. Os nomes dele e de sua irmã saíram de um livro de nomes indígenas do qual o pai, espécie de ex-selvagem, não se lembra de como lhe veio parar nas mãos. A mãe não faz outra coisa senão lamber suas crias e tentar manter o equilíbrio delicado daquela matilha efêmera, uma vez que Jara, num primeiro instante, parece ressurgir apenas para evocar ressonâncias perdidas como ganidos distantes demais para serem ouvidos. E para atiçar também a selvageria de velhos fantasmas e conflitos mal resolvidos. Estes sempre delicadamente varridos para debaixo do tapete pela mãe e pela irmã, zelosas que são daquele sistema clássico em torno de seus referenciais masculinos principais, embora isso soe como algo tardio mesmo ali, nessa carcomida estrutura patriarcal por sobre as tábuas rangendo em noites gélidas como se fossem passos – não de fantasmas, mas, sim, do próprio tempo.

Pouco importa a preocupação de mãe com o descaminho de Jara ou as desventuras amorosas igualmente desesperadas da irmã ou o peso literal de um deus-pai-todo-poderoso cujas leis parecem emanar, o tempo todo, de um simples olhar implacável para o filho com “vocação pra suicídio”. O que realmente parece ir minando a força vital de cada um destes animais agora domesticados é mesmo o tempo. Presente ali em livros velhos cheios de renovados signos ou em quadros ‘kitsch’ esquecidos nas paredes. Ou nas lembranças sempre tão escorregadias que nunca são concluídas a tempo, levadas que são pela correnteza dos acontecimentos carregados de urgência em torno da volta do filho, ainda que em letárgico e pesado desenrolar – num efeito proporcionado quer seja pelo descompromisso da narrativa proposta pela dramaturgia densa e repleta de sutilezas do autor/ator Bruno Goularte (o filho que é “quem entende dessas coisas”) ou pela direção concisa e detalhista com a qual Ademir Muniz encontrou a forma ideal de preservar esta fluência algo modorrenta e típica das manhãs geladas do sul, de onde Bruno parece nutrir-se de senso e de sensibilidade em cada palavra/situação/personagem a cada obra que vou conhecendo deste escriba tão desconcertante e cheio de brilhantismo.

Os desempenhos do quarteto de cordas: o pai nos gravões de uma construção obsessiva e vigorosa do ator compondo a medida exata entre o brutal e a alma em frangalhos, a mãe nas semitonais carregadas de doçura e singeleza feito torrentes de um amor que é tão puro e profuso que sempre se apresenta deslocado naquele quadro de desalento consumido e consumado, a irmã jogando um ou outro sustenido entre acordes dissonantes na sua busca por um sentido sempre tão perdido de entendimento dos homens e, enfim, Jara em solos implacáveis de agudos surdos dentro de si como uivos que teimam em chamá-lo de volta pra floresta o tempo todo. Tudo pontuado por baladas do cone sul e ecos de Procol Harum, pra descambar num tipo muito específico de nostalgia-do-que-parece-nunca-ter-sido. E assim foi: o bom filho a casa torna. Mas nem todos os lobos aceitam ser enterrados. Ainda bem.

poema nº 67

28/02/2017

Paz secreta

 

Elas voltam

com nuvens negras nos dedos

cabeça de cavalo corpo

de dragão

e uma picape de almas

Elas me dão carinho

acionam o despertador

para o fim do pesadelo

Voltam

como poemas de Hitler

cicatrizes de horror

não são videntes

são oráculos

e são bichas

pescando no grande lago

lambendo o grande lago

Deixe que as mulheres venham

– dizem

continue só

acumule as células do câncer

e deixe que as mulheres

venham

Só assim.

Morte Entre Amigos ainda em cartaz

18/02/2017

Semana passada, o Peterson Queiroz foi assistir e escreveu sobre:

SOBRE ‘MORTE ENTRE AMIGOS’

Fui ver ontem “Morte Entre Amigos”, nova peça com direção de Mário Bortolotto para 4 autores que, cada um a seu modo, abordam a finitude. Me arriscaria a dizer que a relação tempo/distância é o que define a morte. Pois há aqui um belo ensaio cênico composto justamente nestas bases, seja por meio da ressonância causada pelos espaços entre os precisos focos de luz que o Marião trabalha tão bem (e pelo trânsito sutil de cada um vagando em cena de um porto ao outro) ou pela também sempre muito sacada escolha das músicas, sobretudo as que embalam as cenas como trilha incidental por sobre os diálogos/hiatos entre todos estes personagens/almas penadas suspensas nesta penumbra toda que é a vida.

Em “Não dá pra ver a lua da Augusta”, da Carol Teixeira, Carca Rah empresta sua verve desencantada pra um reencontro com uma escritora, Débora Estter muito bem também, em meio a ressonâncias do consumo pop/cult fossilizado pelo rock e pelo jazz e ao eterno desencontro. E é isso: 2 anjos caídos sobre a noite paulista, na sarjeta dos pensamentos, sem nada adiante que possa valer a pena. Nem uma dança. Nem mesmo uma chegada mais forte e que nem por isso diminui o abismo como um buraco inesperado no asfalto engolindo carros e consciências distraídas em suas bolhas particulares. Nem mesmo a lua parece poder abençoá-los.

Na sequência, Fernanda Gonçalves (muito precisa em sua composição e filha do lendário Ênio Gonçalves, um dos maiores atores que já tivemos) divide a cena com Guilherme Lorandi, além do óbvio encaixe da escolha pelo seu visual heavy metal, um ator de espontaneidade e comicidade fáceis: “Cocainômano”, de Edivaldo Ferreira, joga ambos na composição de um tipo estranho de ode a Lynyrd Skynyrd. E é justamente o descompromisso, algo difícil de se atingir numa dramaturgia sem que a coisa fique meio capenga (o que não é o caso aqui, claro), é que dá a medida exata dessa coisa que sempre se interpõe entre o real e a expectativa com a qual sempre se projeta algo no outro. Novamente então, como na morte, a distância. Não tão grande aqui, mas sempre presente. Na oposição/junção desse que a gente nunca consegue dizer facilmente tratar-se de um casal tanto quanto não dá pra dizer que não sejam um. E um tempo sempre dilatado demais.

“Kenny G”, do gênio Lucas Mayor, não poderia encontrar intérprete melhor que o diretor/ator Mário Bortolotto. É raro ver um texto onde a revolta e a inadequação social tornem-se tão desconcertantes que só nos resta rir. É impressionante como em um monólogo patético sobre uma dondoca de classe média alta e sua peculiar relação com o animal de estimação possa alcançar toda a dimensão da tragédia humana e ainda ser um compêndio/petardo crítico à indústria cultural e ao consumo massificado de subprodutos. Como se, nisso, fosse possível tirar da prateleira sua identidade como uma pessoa ‘sofisticada’ e/ou ‘única’, lotando vernissages e cursinhos de História da Arte sem entender nada sobre o que realmente trata a real questão por trás de tudo: novamente a distância, agora entre a aparência e a essência, da arte e da própria vida. E ainda consigo me impressionar com a energia e as sutilezas com as quais o ator consegue fazer com que a gente se deixe levar, no melhor estilo Louis CK, pelos vastos caminhos que o texto magistral do Lucas nos conduz – então não vou resistir a um trocadilho muito infame: aqui, literalmente ‘o buraco é mais embaixo’ (quem for ver, vai entender).

Por fim, o magistral texto de Bruno ‘Bandido’ Goularte que dá título à peça. Em “Morte entre amigos”, a síntese de todo este ensaio. Frases certeiras. Figuras arquetípicas como todo grande autor busca almejar pros seus personagens. Quando surgem, são como fotografias still que escorressem diante dos nossos olhos. Como lágrimas demorando pra cair ou mesmo teimando em se esconder diante do outro. Marcando a distância. E o tempo. Como a luz que não é salvadora. Como não conseguir se esconder por tanto tempo assim nas sombras/sobras entre eles e entre tudo. Como amigos que também nem perceberam o fim dessa ideia de fraternidade entre eles até ali. Como interstícios entre os suspiros na morbidez frívola e civilizada da espera cerimonial pelo rito de encerramento de outro amigo. Na ausência nem tão repentina assim dele. E de nós mesmos diante dessa escultura do tempo – não por acaso vislumbrei como personagens de Jim Jarmusch poderiam flanar em um filme de Tarkovski, ainda que eu saiba que os autores elegeram Cassavettes como referência, o que também se aplica, claro. De todo modo, Gabriel Oliveira surge como um ator de cuja densidade parece escapar todo o timming letárgico necessário para a contemplação de sonho que a cena pede. Mas com contundência. E uma força interna. Silenciosa. Perturbadora. Tenho falado muito sobre essa idiotice de privilegiar o ritmo. A cena me mostrou que continua valendo a pena não ter pressa. Sobretudo pra apreciar a beleza. Renata Becker é o próprio desalento. Ela simplesmente parece afundar com tudo ali. Como o epicentro nervoso de um terremoto que nunca se acalma, abalando tudo em volta, de dentro pra fora. Único facho de luz possível sobre o futuro, mas um facho pálido. Embaçado. E Marcelo Selingardi atingiu uma espécie de ingenuidade e inocência quase que sagrados. Navegando de um lado pro outro ali também, com um tipo de esperança estúpido qualquer. Nessa cena, pra mim, se consolidou este ensaio sobre a morte. Tempo/Espaço por sobre os quais vamos nos destilando a cada gota. Obrigado aos atores, autores e ao diretor.

Lido Motel

31/01/2017

O único quarto disponível era a suíte asiática – venho mesmo me dedicando a ler todos Kawabatas. Seria engraçado se morrêssemos na suíte asiática? A perversão em seu ventre (não é japonesa, mas poderia). Seria engraçado se morrêssemos assassinados pelo casal do quarto ao lado? Isso não evitaria a inevitável conversa sobre eu só ter dinheiro pra suíte normal. Isso evitaria que fôssemos infelizes. Que voltássemos pra casa. Quando a gente morre encontra nossos cachorros mortos, eu disse. E nossos amantes mortos. Eles estão todos em paz no paraíso. Trabalhando com os mortos. Peraí, ela disse – só de calcinha, os peitos dançando uma canção asiática, um pouco, só um pouco menores e seriam asiáticos também -, eu tô postando algo no face pra despistar meu marido. Algo no face? É, uma piada sobre o Trump que pensei hoje. E então ela ri. Pode rir. Ria da vida enquanto eu penso nos amantes mortos (não os meus mas os do mundo, todos no paraíso, trabalhando felizes com os mortos e seus cachorros mortos) até que ela atire o celular na mochila e a gente se encontre como fantasmas insaciáveis por desespero (a infidelidade é a profissão mais antiga do mundo). Quando criança assisti essa série sobre o holocausto em que o exército americano salvou um grupo de judeus em privação e eles se atiraram sobre um caminhão de comida e alguém teve de implorar pra que tivessem calma e comessem aquilo devagar e aos poucos senão morreriam e mesmo assim alguns continuaram a devorar os pães que viam pela frente e depois de quatro camisinhas ela diz pra eu falar o nome de uma banda. Steely Dan, eu digo e ela procura no YouTube e compartilha no face e ri novamente e deixa a música rolando enquanto eu penso em Primo Levi e na vez que meu amigo Gustavo Schwetz, na primeira semana de faculdade, duvidou que soubéssemos soletrar o seu nome e só eu acertei. Ela o tem no facebook porque viemos da mesma cidade e frequentamos lugares iguais e agora estamos aqui na suíte asiática do Motel Lido numa das maiores cidades do mundo – que nem nos parece grande coisa assim. Ela pede um Uber e eu volto a pé pra casa e penso que seria engraçado morrer atropelado. Me jogar na frente do primeiro carro bêbado que fizesse o melhor do sertanejo universitário chegar aos meus ouvidos. Seria engraçado eu morrer assoviando um tango de Paco Varela a caminho de casa? Porque a vida pode ser séria. Minha amante viva. Meu cachorro vivo e suas alegorias. Pulando em mim logo que eu girar a chave, lambendo minha boca e abanando seu rabo e caindo sentado em meu colo assim que eu me atirar no sofá.

 

Poema #185

19/01/2017

Carta aos inquilinos de inverno

A casa é um lixo mas a vista é linda
chuva nas montanhas pôr do sol no píer
dentro a tranquilidade de
bonecas de tecido antigo batizadas por
crianças que já morreram

algo nas árvores sem folha
no circuito foragido dos insetos
lembra os deuses esquecidos
do quarto de visitas

à noite podemos ouvir nossas
pupilas aumentando
é quando o suicídio lambe
minha orelha
nosso filho sonhou com um lobo

uso folhas verdes
e madeira úmida para fazer fumaça
com a fogueira