Esperei quatro dias por uma carona que não aconteceu, então, tive que gastar dinheiro e, ontem, peguei um ônibus. Faz um frio danado aqui na fronteira, dois graus ou coisa parecida. Encontrei velhos amigos em um boteco castelhano. Quer dizer, era um boteco – um dos bons, por sinal. Agora, é um restaurante até meio que comportado. Bebemos um vinho estranho que vem em uma espécie de caxinha de leitre, e a recepção dos jogadores da Celeste em Montevideu era assistida ao vivo na televisão. Loco Abreu e Pereira tocavam murga, crianças extasiadas corriam pelas ruas, pintores exibiam seus quadros com grandes momentos do Urugay nesta copa, coisa de louco. Depois andamos pela cidade e encontramos mais gente no lado brasileiro, mas como tava tudo fechado, atravessamos a ponte novamente. É bacana voltar pra cá de vez em quando. Quero dizer, só aqui os inferninhos armam fogueiras no chão, no meio do estabelecimento, para que as putas não congelem e tudo o mais. Só aqui eu tenho amigos que caem em cima dessas fogueiras, ou que usam um rabo de rapousa no chapéu (e sentem orgulho disso), ou que sobem em cima do capô dos carros em movimento pela autoestrada a 100 km por hora. E quando a gente se encontra, demônios festivos, provavelmente castelhanos, vêm de toda a parte para dentro dos nossos corpos e a gente pode ter um bocado de coisa numa cidade que não tem absolutamente nada bacana pra se fazer. Sempre foi assim, tivemos que inventar nossas próprias confusões por aqui. E isso deve ter valido alguma coisa, só não sei direito o que é. Nem tento pensar agora, meu estômago tá um bagaço porque, aqui, eu sempre acabo misturando todo tipo de bebida, ontem foi vinho (o da caixinha de leite), whisky bagaceiro, jim beam, skol e brahma – tudo isso em quantidade considerável. Como eu disse, não tem muita coisa pra fazer nessa cidade.

E essas férias do trabalho têm sido muito úteis para eu não pensar em coisas do tipo quebrar computadores, atirar em pessoas ou me jogar do oitavo andar. De qualquer jeito, é sempre uma boa saída se jogar do oitavo andar. Ontem, meu irmão, que é mais novo que eu, falou que não devia existir colégio e trabalho e que Deus deveria dar um pouco de dinheiro pra cada um viver. Bacana isso de ser criança e poder pensar em deuses socialistas ou qualquer coisa que o valha. Porém, quando se envelhece, essas coisas devem parar. Não parou para um cara que sentou na nossa mesa e ficou falando sobre o pontencial industrial brasileiro para sustentar um regime socialista. Por que as pessoas sentam na mesa da gente e falam esse tipo de coisa? O que leva elas a fazer isso? Não sei, mas levantei e fui para o balcão beber minha dose de Jim Beam (como é barato o Jim Beam no Uruguai) E enquanto o Brasil não souber fazer um bom whisky eu nem penso nessas coisas de regime socialista ou o caralho que for.

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2 Respostas to “”

  1. Lalo Arias Says:

    Concordo plenamente: que diabos de regime socialista seria esse se não houvesse uisque de qualidade para todos?
    boas férias.

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