Sobre rir de si mesmo e os bailes de formatura encontram o torture porn

Viajei 360 km abaixo de chuva durante toda a madrugada e a água não dá trégua aqui em Porto Alegre. Amanhã caio na estrada de novo, tô esvaziando meu mp3 e carregando novamente só com Joaquín Sabina, Van Morrison e Rolling Stones. Eu não quero escutar mais nada além disso, por enquanto. Uma crise de espirros, o disco Magic Time repete pela terceira vez no computador, é um grande disco – saudade da jukebox porteña. E dos olhos chapados de Marina ao som de Nei Lisboa, me preparando um café. Ela sabe como gosto do meu café, preto e sem açúcar, simples pra burro. Acende um cigarro e faz a fumaça confundir a chaleira. A chaleira me acorda – é uma daquelas chaleiras que assobiam irritantes quando a água ferve, malditas sejam, nunca pensei que algo tão estúpido como uma chaleira poderia me despertar de um sono bêbado. Ela sorve da sua xícara em pé, ao lado do forno à lenha, com o cigarro na mão. “Café e cigarros, o desjejum dos campeões”. Acho que foi o Jim Jarmush que disse isso no filme Blue in the Face. Cinismo inerente. Harvey Keitel esquecendo do personagem e rindo à toa. Outro filme bacana que Marina nunca viu. Mas que bobagem é essa de se apaixonar por referências, não é mesmo? Coloco o Swordfishtrombones pra tocar, ela ri. Lembro de uma velha canção que eu tinha escrito lá pelos meus dezesseis anos, algo como “ela é do tipo que joga / cartas de baralho num chapéu / ri da voz do tom waits e / depois se toca / que a coisa mais linda que já ouviu” – Naquela época eu escrevia todo o tipo de canções babacas ou não, desde jazzies (como este) até punks deslavados em portuñol. Também lembrei de um punk meio blues, neste fim de semana, quando eu falava com o Maestro Gentilesa sobre uns sons punks que a gente andou fazendo, era uma letra escrota cheia de rimas pobres (como se já não bastasse rimar). Sei que voltei pra casa cantando a música aquele dia, não achei a letra depois, mas era algo como “a bailarina escondeu a gilete embaixo do travesseiro/ o seu namorado encrenqueiro tá causando problemas / a enfermeira se trancou no quarto do paciente em coma / pra tentar escrever uns poemas / lhe bater uma bronha” e por aí seguia. Eu me acabo com essas coisas. Acho que eu devia gravar todo esse tipo de merda pra, quando eu for velho (se eu for), poder escutar e ter ainda mais motivo pra rir de mim mesmo – julgo extremamente importante rir de mim mesmo. Por enquanto, o disco do Van Morrison segue repetindo, recém tá começando de novo com Stranded, acho vai seguir por hoje até eu parar pra ver o episódio final de Twin Peaks – me amarro naquele anãozinho maluco (por sinal tenho uma boa história a ver com ele, conto depois).

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E o Couto acaba de me passar o link prum trailer do filme The Loved Ones, que vai estreiar esse ano. É um puta trailer bacana. Me parece ser uma mistura de Jogos Mortais (que eu particularmente não gosto) com Carrie, a estranha (o original do Brian de Palma, é claro). Ele diz que o filme tem potencial. Não duvido disso. Saquem só aqui.

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4 Respostas to “Sobre rir de si mesmo e os bailes de formatura encontram o torture porn”

  1. Menina Misteriosa Says:

    Adoro rir de mim mesma e de blues. Acho que deveria gravar as músicas. Eu gostaria de ouvir!
    Beijo

    MeninaMisteriosa

  2. Duda Bandit Says:

    Fui bandido no passado, pro sin la maestria.

    • brunobandido Says:

      la maestria, esta puta madre, no interesa. lo que importa es que tenemos nuestras canciones.

      “somos feos pero tenemos nuestras canciones”
      andres calamaro.

      grande abraço!

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