tô meio bêbado e de volta ao trabalho – sobre pôneis e suicídio

Férias acabadas. Volto a pensar em quebrar computadores, atirar em pessoas, ou me jogar da janela de onde moro, oitavo andar.

Atropelar cachorros, talvez – como em um conto do Daniel Galera que eu li quando tinha uns quatorze ou quinze anos, mas, às vezes, me surge na cabeça (não lembro o nome, acho que é do primeiro livro do cara).  O personagem saía na madrugada atropelando os vira-latas e comprando cervejas em postos de gasolina. Se eu tivesse um carro, ou se eu tivesse um pingo de vontade de ter carteira de motorista e dirigir e conversar, com um tipo de amigos que não tenho, sobre quantos litros de gasolina meu carango faria por quilômetro rodado, talvez, eu pensasse em atropelar uns cuscos também.

Isso que eu gosto um bocado de cachorros. Na verdade, tenho uma tremenda vontade de ter um, mas seria tortura ao bicho, porque não curto cães pequenos e não vivo em um lugar com espaço suficiente pra ter um São Bernardo, ou qualquer porco do tipo.

(Tempos atrás escutei um homem de terno, no café do prédio onde trabalho, dizendo a outro homem de terno que havia comprado um pônei pra sua filha. Que porra de american way of life, não?
Tudo bem, bacana, os pôneis são simpáticos e tudo o mais.
Lembro de um filme que assisti quando criança e mudou completamente o meu jeito de ver a vida. O astro principal dele era um desses cavalinhos anões bobocas e mansos – Arrombadas por um pônei, era o nome da bagaça. Película de fino trato, muito intelectual.
Pra quem cometeu o pecado de nunca ter visto, vou resumir em uma frase: Um bocado de gostosas fazendo de tudo com um pônei, tudo mesmo. E, na boa, as gostosas eram muito boas atrizes. Posso garantir, tamanha desenvoltura que tinham – passavam uma enorme naturalidade pro espectador enquanto faziam e aconteciam com seu affair nano-eqüino. Também não posso desprezar a atuação do pônei, sempre ali, paradão com uma cara de quem não tá fazendo merda nenhuma – algo como se Robert Mitchum estreiasse um trhiller pornográfico.
Porra, depois que assisti o filme, minha mente de garoto de nove anos saía por aí achando que todas minhas professoras e priminhas e que até a minha mãe, por que não a minha mãe?, podiam, em algum momento de suas vidas, ter ‘feito amor’ com um maldito pônei.
As mulheres viraram vadias nojentas. Eu, inocente garoto, tentando esquecer de todos amores platônicos que tinha na época,  e tinha vários, como a professora de português, a babá do irmão de um colega meu – Clara, o seu nome, que peitões ela tinha – a Vera Fisher, já velha, capa peluda da minha única Playboy, e uma coelhinha dessa Playboy, porra, aquela coelhinha era demais, na verdade, era uma playmate francesa e havia apenas uma foto dela e era ruiva de pele claríssima e tava coberta com chocolate em pó, caralho, eu me amarrava naquela francesa. Porém, agora, não fazia sentido sofrer por todas essas cachorras, eu tava numas de Dane-se, ainda bem que não me querem, elas organizam surubas com pôneis, não podem ser boa gente.
Só fui esquecer disso quando a irmã de um amigo meu, uns três anos mais velha, me empurrou em seu colchão e me deu um longo beijo molhado e, depois, ficou em cima de mim lambendo o meu rosto por uns cinco minutos a fio, enquanto deixava eu passar a mão em sua bunda de calças jeans. Meu primeiro beijo. Grande merda se elas fodem com pôneis, devo ter pensado, de repente, elas podem foder comigo também. Que raio de garota era aquela? Nunca mais fez nada comigo, a vadia. Lembro que o namorado dela era militar e tinha um fuca. Eu adorava fuscas, e odiava aquele cara.)

Enfim, agora vou trabalhar até dezembro e, até lá, beberei muito conhaque sozinho e flertarei diariamente coa minha janela que, além de proporcionar uma vista não tão desagradável, oferta-me o chão há uns oito andares abaixo – sempre num espaço de duas horas e meia. é o tempo que tenho livre antes de pegar no sono assistindo algum filme do Corujão, ou um desses pornôs rasinhos da madrugada na tv aberta, nada que contenha pôneis ou boas atrizes (no sentido cênico, e não fálico, de ´boas atrizes’), ainda bem.

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9 Respostas to “tô meio bêbado e de volta ao trabalho – sobre pôneis e suicídio”

  1. Drix Says:

    =]

  2. Montenegro Says:

    E aí Bruno, beleza? a trilha para acompanhar esse post e Since you been gone do Rainbow.A música é do caralho,dá uma sacada.Abraço

  3. Cidah Duarte Says:

    kkkkkkkkkkkkk! muito bom, Bandido! hj eu tive um dia desses que dá vontade de sair por aí atropelando cachorros e comprando cervejas! precisava muito rir… principalmente de mim mesma…beijo!

  4. diego moraes Says:

    Esse conto do Galera é bom mesmo mas tem um intitulado “Escrava” no Dentes guardados que é de bater uma no desfecho. grande bandido das pampas.

    • bb Says:

      não lembro do conto, não pelo nome, pelo menos. como disse, li esse livro quanto tinha 14 anos e nunca mais li muita coisa do Galera.
      grande abraço.

  5. Janaína Says:

    Caí aqui pela citação do Mirisola numa crônica (http://congressoemfoco.uol.com.br/coluna.asp?cod_canal=14&cod_publicacao=33752&filha=1 )

    Li vários posts. Queria te elogiar, ma qualquer tipo de elogio me soa bobo. Afinal todo comentario de blog é só mais uma massagem no ego do blogueiro. Sei lá, não sei fazer essas coisas…

    De “Passeio Noturno” a la Cicciolina esse conto me proporcionou várias imagens interessantes.
    Uma delas seria uma cerveja com o Sr.

    Voltarei por a sempre.
    Abraços

    • brunobandido Says:

      Elogios às vezes são meio bobos mesmo. mas comentar não, é bacana, e não são todos que massageiam ego não, muito pelo contrário.

      Se passares por Porto Alegre, tô sempre bebendo uma cerveja ou qualquer outra coisa por aí.

      Um beijo.

  6. Adriana Godoy Says:

    Adoro entender a mente de um homem. Realemnte é traumatizante uma mulher com pônei…mas faz parte desse mundo paralelo. Nunca conheci ninguém na vida real que tivesse essa tara….ainda bem que vc foi salvo pelo beijo , pelo primeiro beijo. Grande texto, Bandido. Nunca me arrependo de vir até aqui.Beijo.

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