Vela Puerca

Ressaca de Passport, um rock’n roll honesto rolava no bar. Antes disso, fiquei tomando Norteña e assistindo na tv um show da Vela Puerca. A Amy Winehouse entrou de repente, digo, uma mina vestida de Amy Winehouse – que merda, eu pensei e segui tomando meu “whisky”. Quando tava bêbado pra burro, percebi que eu tava falando com ela. Por que tu tá vestida de Amy Winehouse? Eu não tô, ela disse, é assim que eu me visto. Que merda, pensei novamente, ela se veste do mesmo jeito e usa a porra do mesmo cabelo e tudo o mais, só não bebe do mesmo jeito – o que é uma pena. Depois começaram a entrar uma cambada de gente escrota que batucava nas mesas, sei que eu tava bêbado e fui o culpado, sei que não devia ter entrado na briga contra eles (junto de mais uns bêbados culpados), mas, porra, aquele é o único bar tosco de rock na cidade, provavelmente, ninguém se incomodaria se eles batucassem um pagodinho nas mesas de qualquer outro lugar, por que logo ali?, pra foder coa nossa paz. Foderam, e a gente fodeu coa paz deles e o dono do bar veio nos agradecer depois. O que adianta, não devia nem deixar eles entrarem. Já falei, acho que num conto, que se eu tivesse um bar o nome dele seria Mala Vista Anti Social Club e, assim que a pessoa entrasse pela porta, eu deixaria ,ou não, ela prosseguir, baseado em preconceitos bem fundamentados dentro da minha cabeça – ninguém teria razão no Mala Vista Anti Social Club, só eu, e olha lá.
Aí de repente, não sei por que nem como começou a conversa, mas eu tava falando pra Amy WInehouse sobre quando o Hunter Thompson se candidatou a xerife e raspou zero o cabelo pra chamar o seu adversário, um conservador de cabelo escovinha, de comunista cabeludo. Ela gostou disso, mas mesmo assim não devia tá vestida de Amy Winehouse e mesmo assim eu não devia tá falando essas merdas por aí, a torto e a direito.

Acho que tocava Lou Reed e então eu só sentei e fiquei bebendo minha décima sexta dose de Passport, tranquilo. Uns caras vieram me avisar que os pagodeiros tavam armando uma emboscada pra quando a gente saísse do bar, eu continuei tranquilo, tive de continuar. Fiquei pensando que se eu fosse sair com a Amy, seria perigoso demais pra ela. Ela já tava bêbada, embora não bebesse como a verdadeira Amy Winehouse – era fraca pra bebida –  e virou tequila na minha camiseta do Dylan Dog, nada de mais, Amy, nada de mais. Mandou que eu parasse de chamá-la de Amy. Então qual é a porra do teu nome? Carla. Não sei, mas eu prefiro Amy, e continuei assim. Todos que tinham participado do episódio da expulsão dos pagodeiros encontravam-se lastimáveis dentro das garrafas. Nós apanharíamos feio agora, ainda mais se eles tivessem mesmo preparando uma emboscada. Pagodeiros dessa cidade são bem do tipinho que preparam emboscadas, mesmo.
Pedi ao dono do bar que ele deixasse a gente sair com alguns cascos de cerveja, ele deixou. Se não tivesse permitido a entrada daqueles marotos filhos de uma puta no seu bar, nada disso teria acontecido. Acho que dissertei sobre como será o Mala Vista Antisocial Club pra ele, devo ter cuspido um bocado, tem vezes, quando tô deploravelmente embriagado, que eu costumo falar essas merdas e realizo uma chuva de perdigotos enquanto as falo. Saímos, eu e mais quatro caras coas garrafas de Bavaria Premium em punho. Quando dobramos a esquina foi que vimos uns oito ou nove negrões correndo em nossa direção com pedaços de madeira, correntes enroladas nos dedos e tudo o mais. Fiz aquele negócio que eu sempre quis fazer de segurar a garrafa pelo bico e quebrar seu corpo em alguma base, pra que ela fique cortante, afiada e perigosa. Só que, antes que a briga começasse pra valer  e algum de nós podesse se ferir gravemente (embora eu esteja um pouco dolorido hoje), a polícia chegou. O dono do bar apareceu, junto coa Amy – Pelo que entendi, ela pediu prele ligar pros PMs senão a coisa ia ser feia. Ele ligou e aliviou nossa barra com os soldados. Valeu Amy. É carla. Ok, Amy, ok.
O resto foi aquele negócio de mão na parede e recolher as armas brancas. Caralho, os pagodeiros tavam com muitas armas brancas pelo corpo todo – viadinhos, isso que eles são, acho que ainda falei, antes de me colocarem dentro de um táxi. Uma noite babaca e deprimente, isso que ela foi. E a Amy Winehouse não quis dar pra mim.

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10 Respostas to “Vela Puerca”

  1. Gabriel Daher Says:

    Essa cena dos caras correndo atrás de vocês e você preparando a garrafa foi algo totalmente “Warriors”. E pagodeiro é uma espécie lamentável mesmo, só não é pior que a turma do sertanejo universitário, e aqui em londrina tá infestado desses manés com caminhonetes de cabine estendida que o pai deu ouvindo no último volume umas porcarias que fariam Hank Williams e Tonico e Tinoco chorarem sangue.
    Abração bandido!

  2. bb Says:

    Pois é, hoje eu levantei e fiquei me lembrando e pensei no Warriors também.
    E esses caras tão por tudo quanto é lugar, tudo bem, o foda é quando eles invadem os nossos, que são minoria.

    grande abraço.

  3. Mário Bortolotto Says:

    Quando eu tive um bar em 2.003, no nosso teatro, coloquei um cartaz escrito: “Aqui o cliente nunca tem razão”.

    • bb Says:

      Esse é o espírito, Mário Bortolotto. Aliás, eu me sinto respeitado quando vou em bares que curto e eles tem esse método de lidar coas coisas. Pena que são poucos, pelo menos aqui em Porto Alegre. Devia ser um bom bar, o teu. Abraço.

  4. Fernanda Says:

    E aí guri! to fodidamente sem tempo prá nada. até os finais de semana que eu saia e voltava de manhã a pé prá casa ficaram prá trás. a coisa tá tão crítica que trabalho até nos domingos, foda prá caralho. pedi meus 30 e enfim esse inferno todo vai passar e eu vou trabalhar com foto, fazendo o que gosto de verdade. em algumas semanas entro em contato e eu escrevo como prometido. pinta aí uma hora dessas, quem sabe não rende algumas boas histórias, Mr Maradona?

    • brunobandido Says:

      escreve sim, fernanda. se não rolar nessa edição, vai ter uma próxima em breve. Ia ser bacana mesmo aparecer por aí, mas essa história de trabalho fode também… quem sabe.
      um beijo.

  5. Adriana Godoy Says:

    Olha só, Bandido. Vc escreve de um jeito tão forte e desprendido que a gente vai lendo e, mesmo com essa violência toda, com esses pagodeiros babacas, não dá pra parar. Juro que se vc escrever um livro, vou comprar, nem que tenha que ir pra Porto Alegre. Sou sua fã mesmo. Vejo vc como um garoto que eu poderia ter sido, mesmo sendo mulher e bem mais velha que vc. É doido, mas é isso. Beijo

  6. diego moraes Says:

    Grande Bandido:

    Bicho, eu Namoraria com a Amy winehouse ( original ), eu seria a felicidade da Muchacha… abraços.

  7. Igor Says:

    Boa ressaca de Dias dos Pais- não ia mesmo passar despercebido. melhor do que o meu D. dos pais, Bruno. Dividi um pedazo del Chancito com o tio uruguaio e depois bebi a ponto ( também por motivo) de não lembrar de ponto pra dar nó. Você teve os pontos, os nós. E um bom post. Obrigado.

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