Patrick and Sinatra and Bukowski

O domingo passou num tapa com Dylan Thomas e um par de filmes. Os dois com o Patrick Swayze, por sinal (e pode crer que Ghost e Dirty Dancing não tão nessa dupla).

O primeiro foi Road House (ou Matador de Aluguel(?)), que ainda conta com o excelente Ben Gazarra de antagonista. Ouvi dizer que o Swayze foi indicado, como pior ator, ao Framboesa de Ouro por esse filme. Tudo bem, ele não é um mestre das artes cênicas, mas é o meu filme preferido dele. Aliás, acho que é o único que eu gosto em que ele faz o papel principal. Porque no outro que revi, ele tá bem, mas é coadjuvante. The Outsiders (ou Vidas sem rumo), mais um belo filme do Francis Coppola que não recebeu seu devido valor. É de 82 ou 83 e tem um puta elenco bacana (pelo menos, pra mim, é um elenco bacana): C. Thomas Howell, Emilio Estevez, Matt Dillon (antes de roubar farmácias), Ralph Macchio (melhor atuação dele – antes de lutar karatê, ou ganhar do Steve Vaii num duelo de guitarra), Rob Lowe, Tom Cruise… E tem também a menor ponta que o Tom Waits já fez no cinema.

Agora é esperar o dia de amanhã queimando os dedos no teclado e ouvindo Frank Sinatra. Não é com qualquer música que consigo escrever. Principalmente, se tiver vocal. Mas com o velho Sinatra rola. Então, não há razões pra desligar o som essa noite. Preferi não inventar e já separei o In the wee small hours (1955), um dos meus preferidos dele. O primeiro disco realmente conceitual do cantor. Canções embaladas pelos momento de fracasso em que vivia (gravadoras e grandes boates haviam lhe descartado na época). E, ainda por cima, passava pelo divórcio recente de Ava Gardner. Por tudo isso, os temas que pairam pelas letras e canções  são os momentos de solidão em madrugadas e a angustia das separações amorosas. Claro que com todo aquele cinismo que os sambistas da dor-de-cotovelo pouco conheceram aqui no Brasil. Baladas solitárias com arranjos fodas de Nelson Ridlle. Um disco que em sua abertura tem o arranjo de In the wee small hours of the mornig jamais poderia falhar. E Glad to be unhappy, It’s never entered my mind, Mood Indigo, Deep in a dream…
Não falhou. Por isso fico com ele, pelo menos, nessa madrugada.

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E lá se vai mais uma porrada de noites sem beber pra comprar o que acabo de descobrir lá no Os Armênios.

E lá no site da L&PM tem uma espécie de web tv com uma pá de coisas bacanas. Acabo de ver uma entrevista legendada que a italiana Fernanda Pivano fez com Jack Kerouac. Ele já tá velho e bêbado e fica implicando com a Pivano o tempo todo. “Uma coisa interessante na Itália é que ela não tem bons poetas.” É meio que desolador ver o vídeo, é o Kerouac ali, afinal. Desolador como tudo que é sincero. Não vou ficar explicando mais nada.  Confiram lá. Também tem entrevista com Simenon, mais materiais do Kerouac (Trecho legendado do documentário de Richard Lerner, O que aconteceu com Jack Kerouac? Onde tem outra entrevista dele bêbado e rabugento, porém, com toda razão, explicando sua intenção do que era o Beat e o que o Ferlinghetti e os outros fizeram com isso. “Acredito que a guerra do Vietnan é um complô do Vietnan do Norte e o do Sul, que são primos, só pra terem Jeeps no país. Eles não são muito bons em complô, mas conseguiram um bocado de jeeps.” e “Ei, Edd, fui preso há duas semanas atrás e o guarda que me prendeu disse “Eu estou prendendo você por decadente.”) e trechos de The Ordinary Madness of Bukowski (com um depoimento muito bacana do Sean Penn, sobre quando o Bukowski foi numa festa na casa dele, dançou coa mãe dele e tudo o mais… E uma ótima leitura de The man at the piano), trailers do filme O Uivo. Muita coisa, ainda não consegui ver por completo.Vou fazer isso agora. E tá tudo legendado, o que é ainda melhor.

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9 Respostas to “Patrick and Sinatra and Bukowski”

  1. Carlos T. Eduardo Says:

    Mario Bortolotto,Clarah Averbook, Marcelo Mirisola, Bruno Bandido… Corja de punheteiros exibicionistas que metem o pau no próprio umbigo e acham lindo serem fracassados mediocres. Quando é que os novos pseudo-escritores pararão com tamanha merda ninada em berço Bukoswkiano? Fica a indagação.

  2. Diego Moraes Says:

    Psedo-escritores ? isso existe ? o que é literatura pra esse babaca ? na certa lê Augusto cury e Paulo coelho num quarto cheio de ursinhos de pelúcia.

  3. Gabriel Daher Says:

    Eu acho fabuloso as pessoas finalmente sacaram o que o Bukowski tava querendo dizer. E acho mais legal ainda ver que pessoas novas se ligam nisso. Mas tem sempre algum idiota pra achar defeito em qualquer coisa. Eu acho uma pá de gente chata, mas eu não perco meu tempo indo falar isso pra eles. Há muita coisa boa pra se ocupar e pouco tempo pra perder com as coisas que não interessam. Acho que alguns manés deveriam sacar mais isso. Finalmente, quanto ao post, ainda não sabia do lançamento desse novo livro do velho Buk. Agora vou ter que dar um jeito nas economias pra comprar e ir completando a coleção do cara. E porra, o In The Wee Small Hours é fabuloso. Tá ligado que é o primeiro livro do disco “1001 discos para ouvir antes de morrer” né? Não que esse livro seja lá essas coisas. Tem muita bobagem, mas tem muitas pérolas fantásticas como esse disco também. E o livro tava em promoção por aí, coisa de 29 reais, comprei por algo em torno disso. E apesar de algumas queixas, valeu bastante a pena. Esse canal de vídeos da L&PM é foda mesmo, e essa entrevista do Kerouac é genial. Foda ver o cara bebaço e já meio decadente, mas é incrível como mesmo já no “final” de tudo o cara ainda mandava umas pérolas geniais.
    Grande abraço!

  4. Sandro Rocker Says:

    Bandido! Valeu a dica cara. Não tinha conhecimento do L&PM WEB TV,e para foder com meu parco orçamento, os caras me lançam mais um livro do “Velho Safado”…e isso ai! Forte abraço!!!

    • brunobandido Says:

      Comprei ele hoje, Sandro. Vou ficar umas boas noites sem beber por causa disso. De algum jeito a gente tem que domar essa solidão. O Buk não é um mal remedio, no final das contas. Abraço!

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