alguma coisa qualquer e ensaio errante de Bukowski.

– Tem vezes que por mais que a gente tenha certeza de alguma bobagem qualquer, a madrugada chega e faz questão de nos mostrar o contrário. A noite pode ser muito cruel, mesmo para os tipos noturnos, até mais do que o próprio dia – algumas vezes. Não tenho muito mais a dizer sobre isso.

– Eu tinha mandado uns contos inéditos pro Diego Moraes ler. Eles fazem parte de um conjunto que pretendo chamar “Guia subeterrâneo de relações arrasadas“. São contos que demorei pra chegar neles como estão agora, escrevi um bocado de outras coisas antes de pensar “achei o ritmo que eu queria pra falar disso aqui”.
Talvez se encontrem fragmentos espalhados por esse blog, mas pouquíssimos fragmentos, com excessão de um conto, é tudo meio que inédito. E também é provável de que eu os leia daqui há cinco dias e ache mais coisa pra melhorar, mas sempre dá pra melhorar na minha cabeça, e eu vou alterando e realterando meio que freneticamente e uma hora deve piorar sem que eu me dê conta. Acho que esses tão no ponto. Vou procurar não ler de novo com intuito de revisar estrutura e levada e coisas assim. Enfim, o Diego leu eles em um dia e escreveu um troço bacana no seu blog  –

“saco maturidade, desenvoltura e humor certeiro de escoteiro de canivete bem amolado que assa pintinhos e ursos na lareira dos leitores. o livro sugere Blues na vitrola e dá uma afliçãozinha de pegar a estrada e mandar todo mundo pra putaquipariu. lê-se maravilhas em suas bússolas literárias que parecem conduzir um carentão à terra do nunca. (…) a sagacidade do autor é a prova bandida que promessas não existem, somente Machado e gelo no vazio dos corações.”

– fora isso tudo, tem uma escola de samba aqui perto de onde eu moro. sua bateria ensaia todos os dias com seus bumbos, surdos, taróis, pratos e apitos. o som cai direto aqui dentro. meu deus, como isso me deixa irritado.

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Esse último lançamento do Bukowski é realmente algo muito bom. Tava lendo agora pouco um artigo chamado “Um ensaio errante sobre a poética e a vida visceral escrito ao longo de seis cervejas (grandes)“. É um bom ensaio, ao meu gosto. E, pelo jeito, a literatura aqui de Porto Alegre e das cidades que conheço segue do mesmo jeito da América do Norte nos anos cinquenta:”O jogo continua nas mãos dos marrequinhas, dos admiradores de constelações, das lésbicas e dos professores de letras”. Escreveu em meio do artigo. E depois, seguiu com essa:

“Nunca disse isso antes mas agora estou suficientemente alto para ao escrever isso dizer que Ginsberg tem sido a força mais vivaz na poesia americana desde Walt (Whitman). É uma puta vergonha que ele seja homo. Não que se trate de vergonha ser homo mas sim que nós tenhamos que deixar que os homos nos ensinem como escrever de verdade. Whitman, pelo que sei, costumava correr atrás de marinheiros. Aquele homem viril, com aquelas suíças tão brancas, suíças de contemplação, com aquele rosto tão belo: correndo atrás de marinheiros!

Pode-se culpar os garotos do pátio do colégio por dizerem que os poetas são marrecas? Vocês conseguem ver Whitman dando um beliscão na perna de um marinheiro idiota e depois um risinho? Conseguem imaginar o resto?

Os que restam de vocês, os dois que sobraram, aproximem-se. Tenho consciência de que estou escrevendo um texto dos bons, não suficientemente bom. Mas estou ficando velho, bebo demais, e já é hora de um certo rabugento cabeça-dura se superar…

faça por fim
aqueles valentões do pátio da escola
baixarem seus punhos e seus tacos
e suas pedras
para escutar a real
força de
E. E. Cummings em bronze
do lado de fora, na frente de um prostíbulo e
do secundário…
o velho Ezra chegando em casa aos
100 anos
tatuado com hieróglifos chineses e
seendo eleito governador de New Hampshire.

(…)”

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10 Respostas to “alguma coisa qualquer e ensaio errante de Bukowski.”

  1. Murilo C Says:

    escola de samba ensaiando todo dia em agosto? acho q só em porto alegre isso…. ta loco, ahahahahhaha

    pra quando é o lançamento dos contos?

  2. bb Says:

    Em agosto? O ano inteiro, cara. Não sei que merda eles fazem nesse QG deles. Pior é quando tem festa com banda ao vido, o repertório dos caras não é muito bacana. Que lançamento?

  3. Diego Moraes Says:

    Escola de samba inspiraria a escrever um camalhaço. gosto de barulho. é foda. Agosto e todo mundo sambando.

    • brunobandido Says:

      O centro de treinamento da Fidalgos e Aristocratas é ocupado todo o ano por tambores barulhentos, que não me inspiram nada, diga-se de passagem. E me irritam, como me irritam. Sou ruim da cabeça e horrível do pé, Diegão. Mais Maradona, do que Pelé, por supuesto. Abraço!

  4. Drix Says:

    demais.
    heh.

  5. Paula Klaus Says:

    Bruno, a noite sempre pode ser muito cruel, e até mais que isso, acho… a sensação pela manhã (e não tô falando só de quando o dia amanhece, é quando a gente “amanhece”, mesmo) é de mais uma ferida, ou cicatriz, não?

    Ah, Bukowski, o resonsável por tantas dessas minhas aspirações, e indagações… o Homem!

    Um abraço aí pra você rapaz!

    • brunobandido Says:

      Quase sempre ela começa e acaba em dor, mas, se a gente saca o que tá acontecendo e respeita isso, o que tem no meio dela pode ajudar a suportar, ou a entender, um bocado de coisas. Pelo menos me ajuda.
      Um beijo, Paula.

  6. Paula Klaus Says:

    e sobre os barulhos e pandeiros, algo assustador… e dizem que agosto é o mês do cachorro louco, vai ver que é mesmo…

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