dia de trabalho difícil, mais livros sobre brizola e, por milagre, uma derrota do colorado.
fora os livros sobre o leonel b., nada de interessante não. aliás, li pouquíssimas coisas boas pra faculdade, umas duas, eu acho. os sobre brizola não contam porque fui eu que escolhi o tema. depois teve um que o Juremir Machado mandou a gente ler lá no primeiro semestre chamado “Extensão do domínio da luta“, do maudit pós-contemporâneo francês Michel Houllebecq. Era um romance sobre um niilista, meio hedonista e deprimido. muito bom. nada tinha a ver com o jornalismo em si. há quem diga que o professor só deu esse livro porque foi ele quem traduziu, mas acredito que não. é um livro bem bacana pra ter apenas esse motivo idiota.

o outro livro bom foi, na verdade, não lembro o nome dele. Mas tenho ele aqui. só tô com preguiça de procurar. é a publicação de um ensaio e de uma reportagem famosa do Joseph Mitchell sobre o Professor Gaivota, Joe Gould. Um vagabundo nascido em boa família que decidiu virar mendigo em Nova York, algo assim, muito resumidamente.  O cara escrevia uma parada que prometia ser um grande livro chamado “A História Oral” e que ninguém sabia se realmente existia ou era só bobagem. Foi uma grande reportagem a que Joseph Smith fez. Eu já tinha lido sobre Joe Gould em várias passagens de livros do Jack Kerouac. Por isso me interessei tanto quando o professor deu a dica.(Parece que tem um filme sobre o cara. Crônicas de uma Certa Nova York. Quem faz o Gould é Ian Holm e o diretor é o Stanley Tucci, que também atua como Joseph Mitchell. Mas nunca encontrei esse filme)

E foi só. Nada mais de realmente bom. Por onde andam, na cabeça dos professores, todos aqueles grandes nomes parceiros de Mitchell que eu lia e me impulsionoram a cursar essa faculdade? Por onde anda Truman Capote?, que não passa de breves citações dos acadêmicos. E por onde andam as grandes reportagens de Norman Mailler? E Hunter Thompson? Jack London??? Não? Não. E o Tarso de Castro? Por que diabos nunca falaram do Tarso de Castro? Outro cara responsável por ajudar um garoto de quinze anos que gostava de escrever e queria muito sair do interior a se decidir pelo jornalismo… Acontece que nem a maioria dos alunos tá interessado nesses caras. Todos querem o mercado e passar por cima dos outros e se contentam com matérias mal escritas e leads que um macaco faria. Por isso não dá pra contestar tanto assim a obrigação do diploma. Um macaco faria. Por isso os únicos argumentos contra a medida são sobre salários e regulamentação sindicalista, o que parece babaca pra maioria dos estudantes também. Fazer o que? Setenta por cento dessa faculdade é bem babaca mesmo. Na minha opinião.

O que me resta é acabar meu trabalho sobre a Campanha da Legalidade e dar o fora e passar fome, talvez. Porque eu não vou trabalhar fazendo coisas que macacos fazem. Nem pelo fato dos macacos fazerem, se eu gostasse, não daria bola pra isso, é que a maioria das coisas é negócio muito chato mesmo. Tudo igual. E tudo a mesma merda. Macacos individualistas brincando com a própria merda.
Pra começar, eu sempre gostei mais do jornal impresso. Que tão toda hora dizendo que tem que mudar se não vai ser sucumbido pela internet e tudo o  mais… O que vejo é a ausência de culhões pra mudar de verdade, pra melhor. Quando pego a Zero Hora, principal jornal do RS, nada me faz vibrar (a não ser algumas gostosas que o Roger Lerina põe na contra-capa do segundo caderno). O que esperar de um jornal em que aceitou a infanto-babaca-condição do Luis Fernando Verissimo e despediu Juremir Machado da Silva por ter dado sua opinião (não elogiosa) sobre a obra do pai Erico Verissimo? O L.F.V disse algo como “Ele falou mal do meu papai. Ou ele ou eu. Escolham!”. Quem vocês escolheriam? Pois é… Enfim, também não dá pra vibrar coas colunas do Juremir no Correio do Povo. Não mesmo. E isso que tô falando de colunistas, porque os textos noticiosos dos grandes jornais são ridiculamente iguais uns aos outros. Experimentem ler Tarso de Castro pra ver se vocês não vibram. Experimentem ler o livro A Luta do Norman Mailler

p.s: Começou nos EUA, a terceira temporada de Sons of Anarchy. Já tem o episódio pra baixar na internet. Do jeito que a segunda acabou. Vou ter que assistir logo esse novo começo.

p.s2: alguns posts do blog apagaram, não sei bem o motivo. talvez eu tenha feito alguma cagada. não tem como postar de novo pois escrevo as coisas direto aqui e não ficam salvas em nenhum outro lugar…

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4 Respostas to “…”

  1. Kleber Felix Says:

    Porra Bruno, as instituições são foda mesmo, pelo menos as por onde eu passei, não acredito que exista alguma diferente de verdade, são como os jornais sem colhões, às vezes rola umas gostosas na contra capa de algum caderno, mas nada que se compare a um Norman Mailler.

  2. paulo Says:

    cara tomara que vc consiga se livrar dessa merda toda. porque realmente o mundo parece um moedor de carne. não quero dar nenhuma lição de moral, nem parecer um cara derrotista, pra ti que é um cara que eu nem conheço. mas pra ter um teto e uma boa comida na mesa talvez vc tenha que escrever umas matérias idiotas. até o augusto dos anjos foi vendedor de apólices de seguros de vida. ele que era um cara tão obcecado com a morte, teve que mercantilizá-la. tomara que vc não tenha. espero que vc consiga organizar toda essa coisa que vc escreve (e vc manda bem) e consiga ganhar um troco com isso. pra terminar, como isso é público. se eu tivesse que te dizer uma coisa. te falaria que o bukowiski tem uma coisa que é foda. misto quente virou um esquema carne da vaca. toda hora vc vê neguinho falando que ficou de porre que é um fudido do caralho por culpa do velho safado. isso parece ser fácil. mas vc tem uma pegada autoral bacana. invista nisso e deixe de lado um pouco o velho buk, pra não virar cópia. Abraço.

  3. eve Says:

    bruno, o mário bortolotto citou você como um puta (expressão máxima aqui de são paulo) e resumo meu, escritor, mesmo sem livro (ainda) publicado, na mesa de debates com reinaldo moraes no centrro cultural de são paulo, depois de uma pergunta sobre a relação entre escritores e internet. Adorei.

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