um mapa pra futuras cicatrizes.

eu tava mesmo voltando mais cedo dos bares e, agora, com o início do mês cada vez mais longe, tenho parado um pouco de ir até eles também. não sei se por morar tão longe,  ou por qualquer outra merda furada. então, eu olho a programação dos cinemas e nada me interessa, leio a sinopse das peças que vieram pro Porto Alegre em Cena e nada me agrada – minto, Navalha Na Carne vai vir com uma montagem que parece ser bacana e me chamou atenção, só que os ingressos tão esgotados. Acho eu que não existe cambista nesses teatros daqui, menos mal. Então fico assim, fazendo meus trabalhos e assistindo pedaços de bons filmes nos tempos de sobra, antes de pegar no sono e acordar meia hora depois. recebo uma ligação com péssimas notícias, saúde em família e coisa e tal. fico chateado com isso. sigo com os trabalhos, uma reportagem sobre gangues (“bondes do mal”), nada a ver com The Warriors. um documentário sobre John Ford, bacana,  um disco de Ron Wood & Bo Didley.  e depois eu chego aos pés de Lady Pain e lambo suas pernas e digo saca só Etta James, que Billie Holiday não me ouça, mas essa noite,  eu te prefiro. talvez seja isso que me reste a longo prazo. aquele filme sobre o Basquiat, com o David Bowie bancando o Warhol, passando no intercine. parece que vai ter mais um filme sobre o espírita Xavier ano que vem. pra mim ele imitava o andy warhol e toda aquela afetação e óculos escuros. ando com isso na cabeça. ando me aporrinhando rotineiramente com uma certeza de que eu vou apenas restar junto coessas coisas rasas que me acompanham ao natural. tenho respondido e-mails e olhado tv aberta e pensado em diálogos fatais pra textos que ainda não escrevi. coisas rasas, cova rasa, nada de mais.  ruídos rotineiros como essas bêbadas mais velhas de bar (e quando eu ficar mais velho, quantos anos elas vão ter?) e os tragos e as tentativas frustradas de vender a alma ao diabo coa caneta na mão – pronto pra assinar o contrato ou beijá-lo em shape cheerleader a la Supernatural) e os espelhos quebrados e as conversas jogadas fora, os gloriosos hot dogs noturnos de pão francês. ontem fui na padaria e pedi um pãozinho e deixei o troco. custava vinte e cinco centavos, entreguei uma moeda de cinquenta pra moça bonita da máquina registradora, Fica com o troco, eu falei. nunca me senti tão perdedor e

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