vômito de rinoceronte e judido diário e boardwalk empire

Essa edição do Língua Pop bateu recorde de visitantes.
Já no primeiro dia, teve a metade das visitas que tivemos durante todas as outras duas edições – isso coa divulgação pelo meu blog e pelo blog do ricardo ara e o da Helena e dos mails. No segundo dia, impulsionado pelos links nos blogs do Mário Bortolotto e do Ricardo Carlaccio e de todos que divulgaram em facebooks e tudo o mais, ainda que não tenha batido o primeiro dia, a soma dos dois juntos arrasaram coas outras edições. Não sei por que foi tanto assim dessa vez – mas é bacana saber que mais vagabundos leram nossas vagabundagens – não é pra isso que a gente as comete, mas é bacana do mesmo jeito. A bem da verdade, acho que essa não foi a melhor edição, talvez, nem a segunda melhor. Mas foi legal. Temos pautas interessantes e bêbadas pra próxima, resta saber se faremos todas elas, ou se faremos alguma delas.

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Janeiro de 2008


Bebiendo Tristes, Bailando Graves
foi o livro que eu achei na fachada da rodoviária de Paso de Los Toros. Rodoviária não. Aquilo é só um lugar onde se compra a passagem e depois cai fora e espera na calçada por um ônibus que vai passar e te levar junto de castelhanos escutando cumbias em alto volume nos seus radinhos de pilha. Eu tava numas de matar o tempo e toda aquela uma hora que ia demorar pro ônibus vir. Tomei um café na esquina, saí de lá e encontrei o livrinho abandonado. Nunca tinha ouvido falar do autor, agora, me foge o nome – lembro que pensei “impossível esquecer o nome desse cara”, porque tinha o mesmo sobrenome de algum desenhista de HQ que eu curto – acontece que eu esqueci o nome dele, além de esquecer que desenhista é que era (lembrete – procurar no Google, después, pelo nome do livro). Nome profundamente atrativo, diga-se de passagem, pelo menos pra minha nada sóbria persona. Eram contos. Contos muito bons, que eu lia contente sem me preocupar coa porra do ônibus. Eu não tava mais nem aí pra viagem nem pra nada do tipo, só queria um buraco negro comigo e com o Bebiendo Tristes, Bailando Graves dentro.

É que eu tava dormindo num sábado de manhã e o Cabelo ligou de algum lugar distante do Uruguay.

– Bandido, atravessa a ponte e pega o ônibus que o nosso baixista sumiu.

– Porra, Cabelo, tô com uma puta ressaca, o Baixista vai aparecer alguma hora.

– Não vai não, frisou, temos fontes seguras que o viram pegar um caminhão rumo a Dragón.

– Que porra ele iria fazer em Dragón? Que porra um caminhão vai fazer em Dragón?

– Só Deus sabe, Bandido, só Deus sabe.

Dragón, ainda passo um carnaval lá. Isso porque detesto carnaval. Isso porque tem um ditado que falamos aqui por esses pagos, algo que usamos pra expressar coisas que duraram pouco tempo, ou até uma baixa medida de comprimento, sei lá. Algo do tipo “barbaridade, mas isso daí é mais curto que carnaval em Dragón.” E há, inclusive, quem diga que nem existe carnaval em Dragón. E se existir, pelo menos, é curtíssimo, por supuesto, e murga é melhor que axé. Foda-se. No próximo carnaval, vou passar em Dragón. Espero topar com o Baixista por lá.

De repente, um castelhano coa camiseta da celeste olímpica chegou lá pelas tantas e disse Esse é o meu livro. É um bom livro, comentei e o devolvi ao dono. Ele não respondeu mais nada, virou as costas e foi embora, maldito castelhano, maldito buraco negro que não apareceu, era um bom livro aquele, um bom livro que podia ser meu. E que talvez eu nunca vá poder terminar. Suspeito que também era um bom livro pra ser terminado. Hasta luego, jodido diário.

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Meia noite e meia. Acabei tudo o que tinha pra fazer, não vou sair pra beber, então, fico com o piloto de uma nova série gângster. Saquem só: ela é da HBO (o melhor canal no quesito séries autorais), dirigida e produzida por ninguém menos que Martin Scorcese, escrita por Terence Winter (Os Sopranos) e estrelada pelo grande Steve Buscemi. é Boardwalk Empire. Tem como ser ruim? Acho que não. Vai durar muitas temporadas? Acho que não. É inteligente e só o primeiro capítulo custou 18 milhões de dólares. Duas coisas que não combinam. Negócio é aproveitar a bagaça enquanto os malucos engravatados que decidiram levar esse projeto em frente não notem o que tá acontecendo coas suas contas bancárias (parece que eles recusaram Mad Men por causa dos custos elevados e tão putos da vida porque,agora, a série ganha todos os emmys.)

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