quase-jornalismo/ post na pressa / hay que haver um subversivo

a melhor fanzine castelhana, Libros Vencidos, me pediu uma lista dos livros brasileiros que eu mais gosto (eles adoram listas). aí eu respondi Não pode ser dos livros policiais que eu mais gosto? – tava com vontade falar de romances policiais. Não deixaram. Tem que ser literatura brasileira. Não sei escolher. mas vou botar os que me trouxeram agradáveis surpresas ao ler e/ou descobrir e, por isso, tirando um ou dois, todos da lista são os primeiros livros que li dos autores citados, mesmo que tenha lido outros melhores depois, ou não. porque na literatura, assim como no cinema, me agrada muito o fato de descobrir algo que realmente faz a diferença na vidinha da gente. também me pediram pra entrevistar um diretor de cinema daqui, que tenha filmes recentes, eles vão pagar, pouco, mas vão, mesmo assim, só vou entrevistar alguém que eu goste, tá demorando pra me sair uma hipótese. falando em cinema nacional (que merda é essa do filme do Lula concorrendo pra ver quem concorre o Oscar? palhaçada política. um dos piores filmes brasileiros que eu já vi. mas também, concorria o sobre a vida do Xavier (não o professor de mutantes, mas o espírita) e o Nosso Lar. dois filme que eu não vou assistir nem morto (como escreveu o Pascotto – a único pessoa que escreve coisas engraçadas (e não chatas) no Facebook. uma espécie de stand up pra machos.)

vâmo lá: livros que até agora pensei em comentar na lista pra Libros Vencidos:

Os Malditos – Wainberg (a maior surpresa literária que já tive, até porque só tinha lido merda antes desse clássico do mestre Paulo W.)
Verdes vales do fim do mundo – Bivar (o melhor dele)
Abacaxi – Reinaldo Moraes (prefiro o pornopopéia, mas quis colocar esse por motivos que ñ escreverei agora)
O Animal dos motéis – Márcia Denser
Tarso de Castro: 75kg de músculo e fúria (é biografia, mas o Tarso era foda o suficiente pra tá nessa lista)
Baganas na Chuva – Mário Bortolotto
Jesus Kid – Lourenço M. (o segundo melhor dele)
Mala na Mão & Asas Pretas: obras reunidas – Roberto Piva
Joana a contragosto – Marcelo M. (o segundo melhor dele)
Laertevisão – Laerte

ps1:Sempre bom deixar claro que tudo isso é minha opinião e não tem nada a ver com os gostos de você, provável leitor que vá torrar minha paciência ao lembrar que sou uma merda analfabeta.

ps2:Tenho que escolher cinco desses agora. Missão impossível. Sei que ainda vão pintar outros. Só Os Malditos e Tanto Faz tão certos. Tenho colocado o resto dos escritores num ringue desnecessário dentro da minha cabeça.

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E seguindo no assunto-espécie jornalismo, dias atrás recebi um mail querendo fazer uma entrevista sobre o blog. era pra MegaZine do site do jornal O Globo. hay que haver un subversivo, pensei (em portuñol/ ou espanhol selvagem, como diria o Wander Wildner). dei a entrevista, eles fizeram um texto baseado nela e linkaram lá e vão deixar por uns tempos, numa sessão que chamam de “Blog Convidado”.

no texto e na linha de apoio eles disseram coisas que eu não concordo em nada sobre o meu blog, mas são interpretações deles sobre o que eu respondi na entrevista e, imagino, sobre o que leram nessa bagaça. não vou ficar reclamando. porém, coloco a entrevista em ping pong na íntegra aqui, pra quem chegar pelo link de lá poder ler e tirar suas próprias conclusões. a entrevista foi feita pelo mesmo repórter que solicitou, o jornalista Alessandro Soler, o diretor assistente do MegaZine, que parece ser um cara bacana.


– por que bruno bandido?


“Bandido” foi uma alcunha que surgiu nos meus tempos de bandas de rock e eventos malucos na fronteira com o Uruguai – eu tinha 15 ou 16 anos. Não lembro bem o por que, mas acho que pelo status de maldito que eu e minha turma tínhamos numa cidade falida e careta do interior.
O apelido pegou e, eu mesmo, comecei a assinar os textos e peças da época porque  não queria botar o sobrenome do pobre do meu pai nessas vagabundagens e putarias que escrevo, certo?

– tem gente que acha que é uma referência ao goleiro bruno, do flamengo?

– Eu sou chamado de bandido muito antes de todos saberem que o Bruno do Flamengo era, de fato, um bandido. Claro que ele é um bandido no sentido mais horroroso e condenável da palavra. As pessoas não costumam confundir, mas depois que o caso estourou na mídia, algumas não perderam a piada.

– qual é a proposta do blog? que tipo de coisa o leitor vai sempre encontrar lá?

– O blog não tem uma proposta definida. Escrevo algumas coisas que acontecem comigo, geralmente nos bares ou nos tipos de lugares que freqüento. (Escrevo várias vezes bêbado, também, sem nenhuma pretensão literária, diga-se). Claro que tem uns temas recorrentes, como a solidão, a bebida, garotas e por aí vai. Outra coisa que o leitor vai sempre encontrar são comentários sobre cultura – séries de tv norte-americanas, filmes b, literatura, rock’n roll e histórias em quadrinhos – o meu tipo de cultura. Lá de vez em quando também posto uns textos e contos que não escrevo especificamente pro blog.

– e o que nunca a galera vai encontrar por lá?

– Opiniões politicamente corretas, elogios ao Caetano Veloso e acho que nada muito refinado também.

– por que escrever num blog?

– Me pauto muito pela mesa de bar. Gosto de silêncio ou de falar apenas bobagens em uma. Então uso o blog pra desabafar ou dizer o que eu penso sobre tal coisa e não ter que aporrinhar ninguém com isso quando eu sair pra beber de madrugada. Meu blog é a ferramenta que uso pra manter uma espécie de conversa comigo mesmo, e só vai ficar sabendo, ou seguir o diálogo, quem tiver mesmo interesse ou até se identificar coaquilo. Assim, eu fico mais quieto, tranquilo e tento poupar meus amigos das minhas reclamações, comentários e coisa e tal
Mas esse é apenas um dos vários motivos que me levam a ter um blog…

– há quanto tempo ele surgiu?

– Acho que o blog existe desde que eu vim morar em Porto Alegre. Uns quatro anos, quase cinco.


– como é a resposta dos leitores? vc recebe muito comentário? e muito xingamento?


– Recebo alguns comentários, porém pouquíssimos se for feito uma relação com o número de visitas. Muito pouca gente comenta, o que acho normal, também não comento na maioria dos blogs que leio. Então, eu não sei quem é a maioria dos meus leitores.
E o que acho bacana mesmo é receber e-mails de pessoas que curtem e elaboram mais as conversas do que num simples comentário. Quando são pessoas bacanas, é claro. Esses dias, por sinal, uma leitora escreveu um e-mail dizendo que gostava do meu blog, mas com o decorrer do texto, também começou a escrever sobre ela e num ritmo bom de narrativa e com ótimas sacadas também. Quando acabei de ler eu pensei “porra, mesmo que ela diga gostar do que escrevo, essa mulher escreve muito melhor do que qualquer post meu” e fiquei contente por isso.

Também tem os e-mails e comentários de quem me xinga ou sente uma estranha necessidade de me comunicar que o que eu tô fazendo é uma merda. Alguns caras dizendo que só escrevo besteira e algumas minas me acusando de machismo ou coisa assim – Bem, eu gosto das minhas besteiras e amo todas as mulheres.

– você já pegou gente por causa do blog? acha que atrai as pessoas?

– Nunca ‘peguei’ uma garota, exclusivamente, por causa do blog. Isso ou é um absurdo, ou é o tipo de coisa que acontece com quem também é bonito. Não comigo. Já conheci muita garota bacana através do blog, mas se “peguei” (não gosto do termo) alguma delas, ou se virei amigo, foi por algo que se desenvolveu a partir dali, conversas, canalhice, essas coisas. O blog não atrai as pessoas a esse ponto – pode despertar vontade de conhecer, conversar comigo, mas acho que não de dar pra mim – o que talvez fosse até bacana.

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10 Respostas to “quase-jornalismo/ post na pressa / hay que haver um subversivo”

  1. Drix Says:

    mazá!

  2. Manoel Says:

    Queria muito ver uma conversa entre você e o Caetano. E tenho certeza que vcs iam se amarrar um no outro.
    hahahaha.

  3. Dieguito delos rins Says:

    Massa pra cacete ( risos ) muita saúde, paz e prosperidade pra tu Kane Gauche.

  4. ana portoalegre Says:

    Bruno!
    Gostei de ver seu blog no megazine, gosto de saber que mais pessoas vão ler as coisas que tu escreve…. Apesar de meio caretinha, esse megazine é uma boa divulgação…
    Há um tempo atrás vc indicou um livro aqui que a capa era uma mulher nua segurando um travesseiro.. lembra? queria saber o nome daquele livro.. na época não anotei a dica…
    bjos

  5. Helena Hutz Says:

    Pega sim, pega sim! Lembra daquele cara naquele bar que fui com um cara pq vocês sumiram do Van Grogue, blá, blá, blá…. e ele perguntou o que a gente fazia? Pegou sim!

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