sobre dias ruins e hooligans ingleses

Os dias de tormenta tão quase passando – velórios, delírios, notícias ruins e outras coisas que tavam tornando cada vez mais difícil o meu ato quase involuntário de segurar as lágrimas lá dentro, seja lá de onde elas venham. Ontem já pude sentar no bar, mesmo morrendo de sono, e ficar tranquilo por algum tempo. Claro que ela chegou com suas bombas via mensagens de celular. Verdadeiros torpedos que faziam questão de comunicar que toda a sua insistência cansou de ver o mal que faço a mim mesmo. É semspre assim. Há algumas semanas ouvi a mesma coisa, O problema não é o que tu faz comigo, são todas as merdas que tu faz contigo.

Sei disso, garota – jamais escondi essa minha idiotice de sair por aí e socar os muros de concreto da cidade – meus punhos tão sempre à mostra, um pouco esfolados e fodidos, mas prontos pra próxima besteira que eu aprontar.

Antigamente, ao ouvir esses argumentos femininos, eu tomava um gole e dizia Tudo bem, volta pra tua casa e arranja um cara bacana, usa o dinheiro que tu gastou em bebida nesse tempo todo em que tu deu pra mim e volta a comprar estojos de maquiagem, ou sei lá. Bobagem. Hoje em dia eu só tomo um gole. Não digo mais nada. Porque não tem mais nada pra dizer, simples assim, como todas essas coisas rasteiras que me estragam – filmes de bang bang dublados no pior canal da tv aberta. Mas essas garotas e essas conversas também são estragadas, claro que sim, e o que estraga são as suas desculpas cada vez mais sinceras e menos convincentes. E o que estraga é essa coisa de tentar vivermos juntos e estragados – é isso que acaba um pouco comigo, essa parada de eu não entender porra nenhuma e saber que não entender nada já é entender um bocado de coisas.

(Como os hooligans ingleses, que, pra mim, seriam perfeitamente aceitáveis não tivessem nada a ver com o futebol.)

Mesmo assim fiquei tranquilo, isso era fichinha depois da péssima última semana. Como disse, só dei mais um gole. Um amigo chegou. Tinha acabado de comer uma puta de rua na sua casa e deu uma carona de volta prela e acabou parando pra beber e bater um papo comigo. Falou que quando chegou na esquina e perguntou o preço pra prostituta – Dez do quarto e quinze pra mim, isso por uma hora, ela disse. Ele perguntou algo como E se eu te levar lá pra minha casa? A puta mandou esperar, sumiu dentro de um estacionamento, provavelmente, pra consultar seu cafetão e, depois de um ou dois minutos, voltou envergonhada e comunicou “Benzinho, se for assim vai dar trinta mangos… Facada, néhn?”

Essa história de merda é engraçada com ele contando, então rio com ele e bebo outro gole e acabo ficando um pouco triste também – por mim, por ele e pela puta – paramos de conversar e ficamos em silêncio por um tempão até eu dormir em cima da mesa. Quando acordei, ele tinha ido embora e já tinham retirado tudo de cima da mesa. Revirei os bolsos procurando pela comanda e olhei pelo chão todo e nada de encontrá-la. Disse pro garçom que tinha perdido e ele respondeu O outro cara pagou. Tudo bem, eu meio que sorri, então me vê mais um duplo.

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2 Respostas to “sobre dias ruins e hooligans ingleses”

  1. Pascotto Says:

    Bruno, baixei hoje o “Machete”, deve ser o trash do ano, com direito ao improvavel encotro de Robert De Niro e Steven Segal. Confere lá se der. Grande abraço.

    • brunobandido Says:

      Porra, já tem pra baixar? Agora tô na dúvida se espero pro cinema ou não. Só o trailer já me fez rir à toa de emoção na hora em que o Danny Trejo arranca as tripas de um cara e usa como corda pra saltar de uma janela. Com certeza deve ser um grande filme. Depois diz aí o que achou. Grande abraço.

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