everybody’s happy but I’m drunk and beat

o tempo tá começando a esquentar, o conhaque e o whisky cada vez mais quentes, mas eles seguem sem gelo e vagabundos. eu tenho acabado algumas noites sozinho, sem gelo e vagabundo, por mais que converse com amigos ou me amarre em um bom par de pernas, eu sempre acabo sozinho de alguma forma, e bêbado. a bebida me ajuda, a solidão também, por mais que essas duas coisas me levem a fazer algumas besteiras de vez em quando. tenho caminhado furtivamente pelo centro depois do trabalho, bebido Jim Beam com o Plínio no Café ABC. esses dias ele levou o filho dele lá, o João. uma hora o guri deixou cair a metade dum bolinho de batata no chão e o Plínio pegou rápido e devolveu pra ele comer (o café abc não é um lugar muito limpo, principalmente no fim do dia, depois de funcionar o dia inteiro, baratas andam pelas paredes, essas coisas), aí ele falou pro filho num tom bem sério “João, escuta aqui filho, quando a comida cai no chão, tu tem 3 segundos pra pegar ela, depois entra micróbio”, aí ele se virou e voltou os papos dele de literatura comigo, ele tá sempre falando de Kerouac e Bukowski e essas coisas. aí eu tava indo pra parada de ônibus e uma voz feminina me chamou de uma das mesas da rua do Mercado Público. Era a Gabi, que tá com namorado de novo. O cara é negão. Tomei umas cervejas com eles, não paravam de rir. A Gabi tá feliz pra burro, como eu nunca tinha visto antes.  Eu imagino o motivo. Já vi filmes do tipo One Nigger and two brunettes horny as a hell. Não dá pra competir coesses caras. Aliás, os brancos só comem alguém porque ainda existe o racismo.  Coloquem Nigger and two horny brunettes no redtube que vocês vão entender. Enfim, fico contente de ver a Gabi contente com o Eduardo (o nome do brother).  Gosto de ver meus parceiros num estado radiante de felicidade ou seja lá o que for que eles estejam sentindo. Gosto mesmo. Então, volto pra casa e coloco um disco do Jimmy Reed ou The Freewheelers (valeu, Mário Bortolotto) ou aquele do Ron Wood & BoDiddley e fico quase aliviado. Penso na frase de uma linda canção do mestre Leon Gieco, “ayer la tormenta casi me rompe el corazón, pero igual te quiero”, aí acabo revirando tudo pra achar uma fita k7 que tenho certeza que tem essa música, não encontro, então lembro que existe youtube e escuto e é a mais pura verdade.  A Pomba aparece no MSN e diz que ontem teve show do Hugo Race aqui em Porto Alegre por cinco mangos. Eu nem sabia. Fico puto. Isso que dá ter amigos que só falam de mulher, futebol, filme de ação, teorias racistas de por que os brancos ainda comem mulheres, gibis do Sergio Bonelli ou por que diabos tudo que é italiano fodão se chama Sergio – vide Leone, Corbucci… – (o nome do meu pai é Sérgio, ele é guapo, mas não é italiano) e nem me venham falar em Frederico, o carcamano é bom, só que nunca me disse muita coisa. A Pomba diz que hoje tem show da Graforréia Xilarmônica, eu simplesmente não dou dinheiro pro mala do Frank Jorge. Não acredito nele, na música dele e naquela faculdade de rock babaca que ele inventou. (mas eu gosto do Birck, que não participa dessa banda há muito, muito tempo). Aí eu descubro que a Confraria do Blues na sexta é com o Fernando Noronha. Parece que eu sou o único gaúcho que curte blues e não acha esse cara grandes coisa. Quero dizer, ele toca bem, mas não me passa um pingo de emoção. Muito exibicionismo na guitarra, aquela coisa. O Blues no Rio Grande do Sul tá cada vez mais elitizado. Os caras tocam em pubs (não em bares) que vendem cerveja gringa e artesanal e cara, claro que o ingresso também fica caro pra caralho. Show de blues de artista local devia ser cinco reais e a cerveja devia ser barata e se é pra cobrar 16 pila por uma dose de Red Label falsificado, pelo menos deviam ter um Dommus por 3 ou 4 mangos à dose. Devia ser menos show. O confraria é mais descontraído, e às vezes tocam uns caras legais, mas ainda é caro e elitizado e todos gostam de Fernando Noronha.
Às vezes eu mesmo acho pesada a minha chatice, mas não largo, não dá pra largar.

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2 Respostas to “everybody’s happy but I’m drunk and beat”

  1. Diego Moraes Says:

    “João, escuta aqui filho, quando a comida cai no chão, tu tem 3 segundos pra pegar ela, depois entra micróbio” – genial. Ri pra caralho da competição com a negada.

    Valeu Kane gauche.

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