Nei Lisboa e meu velho violão afinado em sol aberto

Hoje o grande Nei Lisboa encerra a temporada de 2010 dele no jardim do Solar dos Câmara (Rua Duque de Caxias, 968) aqui em Porto Alegre. É de graça e tem que chegar às seis da tarde pra pegar senha. Gosto um bocado das músicas e das letras dele. Já coloquei algumas por aqui, como a bela Baladas, minha predileta.

Mas hoje eu tô coessa cançãozinha bacana dele na cabeça:

Sempre que eu me sinto legal
Levando uma vidinha sincera
Ela parece que se importa
Esconde atrás da porta o meu bourbon
E mente pro pai dela que eu tô bom

E sempre quando eu fico pinel
Jogando pratos pela janela
Ela então desaparece
Esquece que eu existo até o natal
E diz pro mundo inteiro que eu sou mau

Tudo é melodia, tudo tem seu dia
Tudo um mero acaso
Eu quase que caso e que caio do altar
Tudo é melodrama, tudo fantasia
Tudo um caso sério
Tudo que é lindo desmancha no ar

E sempre quando eu volto ao normal
Compreendo que o amor é traiçoeiro
Jamais esquecerei dos seus cabelos
Cachos e novelos
Entupindo o ralo do chuveiro

(BABALÚ – NEI LISBOA)

__________________________________________
Comprei cordas pro meu velho violão folk bagaceiro essa semana. Fazia uns quatro anos que eu não comprava cordas. Aí como ainda não tinha colocado a mi grave – talvez inspirado pela biografia do Keith Richards – afinei as cinco outras cordas em sol aberto e fiquei tirando vários sons dos Stones. Eu sempre preferi tocar baixo do que violão ou guitarra, mesmo sozinho. Mas confesso que é um bocado bacana e tranquilo ficar tocando algum blues vagabundo ou brincando de Tumbling Dice em sol aberto. Rolling Stones é minha banda favorita, são os caras que sempre me disseram coisas, mesmo quando eu não entendia um pingo de inglês. Mas isso é algo belo no rock’n roll. Acho que tem coisas que só acontecem no Rock’n Roll. Como quando eu viajei com velhos amigos Uruguai a dentro e paguei 30 dólares (setenta reais) pra ver Bob Dylan tocar pruma plateia de umas duas mil pessoas, e sua voz era a plena falta de voz e sua antipatia era mítica e linda e suas melodias eram novas e, um pouco, piores do que as canções em estúdio, mas tudo aquilo tinha uma vida quase que rara e o público saiu flutuando dali (eu nunca contei essa história por aqui, aconteceram coisas bacanas naquela viagem, quando tiver um tempo vou escrever sobre isso). Mas o que eu tava querendo dizer é que se a Ivete Sangalo, ou o Alexandre Pires, ou o Skank, ficarem velhos e roucos com fiapos de voz e dor nas costas quem é que vai pagar algo pra ver os caras, ou ainda sair satisfeito com o show?  As pessoas vão lembrar deles quando os caras tiverem com 80 anos? Eu vou lembrar, mas eu não importa. Isso é, se eu ainda tiver vivo quando esses caras chegarem nos 80 anos. Na verdade, não era isso que eu tava querendo dizer, mas, agora, são quase sete da manhã.

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11 Respostas to “Nei Lisboa e meu velho violão afinado em sol aberto”

  1. Pedro Pellegrino Says:

    http://www.viajenaviagem.com/2010/12/a-mais-bela-das-derrotas/

  2. Patyboo Says:

    Pior que essa biografia do Keith é inspiradora mesmo…

  3. Helena Says:

    “E a Helena tem que chegar as 6 da tarde pra pegar senha…”.

    Vãmo que vâmo!

  4. Camila F Says:

    Vou lembrar de Alexandre Pires pro resto da vida, aquele lindo! talentosissimo naquele filme massa que é cinderela baiana! adoroo! (ironia) bjs

  5. Adriana Godoy Says:

    Bandido, vou ganhar de presente o livro de Keith. Stones também é a minha banda preferida. E continuo gostando de vir aqui e encontrar esses textos que me dizem sempre alguma coisa diferente.

    A música que mais gosto de Nei Lisboa é “Por ali” ou “Por aqui”(?).

    Beijo

  6. Adriana Godoy Says:

    Fui ouvir ontem e realmente é “Por aí”. Essa música e letra me levam a um tempo em que era possível acreditar em alguma coisa e que , de alguma forma, podíamos mudar o mundo…é isso. Beijo

    • brunobandido Says:

      “procurando Deus entre as folhagens” é bonito.
      eu não vivi esse tempo aí, não sei se é bom ou ruim nunca ter acreditado que podia mudar o mundo.
      um beijo.

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