cães de agosto e as velhas cicatrizes de sempre

Caminho de noite e driblo bandidos e lembro duma velha canção gravada em um cd feito lá na minha cidade natal só com compositores da região sul do Rio Grande do Sul. A que eu preferia era de um tal Chico Saratt chamada Asas Perdidas. Ela era mais urbana do que nativista e tinha essa estrofe: “Veja meu bem/ quantos anos se passaram/ e eu não mudei/ ainda tenho aquela velha cicatriz no rosto/ e no mês de agosto/ continuo a fugir dos cães”. Bonito, né?

E ainda bem que Porto Alegre tem um rio (há controvérsias – idiotas, porém controvérsias) e que amanhã é feriado e eu espero transcrever, de uma vez por todas, uma entrevista com o Rodrigo Fonseca que fiz lá em novembro. E escrever mais umas coisas pra nova edição do Língua Pop ir ao ar. Depois ler algum gibi, talvez um filme ruim no cinema, talvez um bar e o mesmo tipo de livros de sempre. Eu não costumo mudar muita coisa. Não me importo em repetir o mesmo prato, vibrar com os mesmos riffs, me emocionar com as mesmas cenas clichês de algum final de filme de luta e continuar tentando fugir dos demônios – cães de agosto, ou sei lá.

Hoje achei um negócio que escrevi quando eu tinha uns 15 ou 16 anos e era um garoto de saco cheio da cidade pequena e querendo vir pra Porto Alegre pensando que ia conviver com Dylans, Faustos Fawcets, Cummings e Sabinas. Quanta bobagem. Mas dentro das arestas principais, repito; eu continuo o mesmo idiota.
Taí o texto:

e tu ainda pergunta por que eu fiquei a tarde toda olhando O poderoso Chefão:
não tenho saco para: propagandas de tv, filmes do bergman, sonhos do david lynch, almodôvar, música chorinho, virtuoses da guitarra, pessoas efusivas, pessoas em geral, contar os meus problemas pralguém, amarrar meus cadarços direitinho, beber caipirinha, cachorros pequenos, gente que diz que as músicas dos Rolling Stones não têm boas letras, gente que diz que o Bukowski só sabia beber, gente que não separa o gosto dos fatos, gente em geral, Graciliano Ramos, tentar Ezra Pound, quebra-cabeça, bang jumping, para-quedas, jogar xadrez, baralho, bilhar, jogos em geral, sair pra festas com o objetivo exclusivo de comer uma boceta anônima qualquer, tropicália, dançar, assistir essas peças de teatro circenses ou vanguardistas e sempre geniais, pizzas com muito adorno em cima,  sarau de poesia, sarau de qualquer coisa, FM & AM, tênis, vôlei, basquete, conhecer os sogros, ter um milhão de amigos, continuar assistindo os pornôs depois de gozar (algum gênio da raça faz isso?).
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21 Respostas to “cães de agosto e as velhas cicatrizes de sempre”

  1. adriana godoy Says:

    Bandido, bom te ler de novo, depois de umas férias quase caretas na Itália. Também não tenho saco pra isso tudo que vc falou aí. Só que já passei há muito dos quarenta. Pois é, te ler faz bem, pra isso eu tenho muito saco. Beijo

  2. fofaun Says:

    “continuar assistindo os pornôs depois de gozar ”

    putz.. isso é de matar mesmo
    ahhahahaahha

  3. Rozz Says:

    Li e me vi cuspindo cada uma das suas palavras; como aquele texto inconsciente e adormecido em alguma fresta escura da mente.

  4. Beatriz Provasi Says:

    hahaha o final é genial! mas tem muita coisa ali no meio q tu não tem saco, e q eu gosto. muita não, alguma, mas… cada um na sua, né. é isso aí. beijos

  5. Paulo de Tharso Says:

    Porra, maluco. Penso então que ainda tenho 16 anos.
    Muito bom.

  6. camila fraga Says:

    Eu tava pensando hoje quer dizer, tava ouvindo, e perguntei se tu já ouviu ou sei lá. Não é nada genial e não sei bem se dá pra captar a porra toda com vídeos ou MP3, é que eu tava ouvindo Retrofoguetes, uma banda baiana e tudo. O show deles é genial, não sei bem se o MP3 passa a mesma energia, mas tenta aí.

    E achei meigo teu texto. Sério. Lembra muito eu com 14 anos (não muito tempo atrás HAHA)

  7. camila fraga Says:

    haha caramba que nada, quando eu tinha 14 anos eu era bem revoltada. ahh é só instrumental, mas tenta ver, eu acho bacana

  8. Gabriel Daher Says:

    Lembrei bastante de quando eu tinha uns quinze anos também. Na verdade não mudei muito, só aumentei a coleção de discos e livros e colecionei umas histórias malucas pra contar. Isso aí também me lembrou um lance que escrevi num blog que eu tinha aos 16 anos: “…queria ser um Ramone e acho que Keith Richards e Iggy Pop são imortais”. Acho que era mais ou menos isso. E o Pata de Elefante é bem legal, boa banda. O guitarrista é casado com uma amiga minha daqui de Londrina que rumou aí pra Porto Alegre.
    Abração, Bandido.

  9. camila fraga Says:

    nunca ouvi, vou dar uma escutada

  10. Adriana Brunstein Says:

    Tô começando a achar que você é o Benjamin Button.

  11. chico saratt Says:

    ola! eu sou o tal do chico saratt da cançao da cicatriz,kkk passei aqui pra deixar o link de onde podes encontrar minhas músicas para download: http://www.reverbnation.com/chicosaratt
    grande abraço
    CHICO SARATT

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