Passo a noite olhando episódios de Californication.

Hank Moody tá no tribunal dessa vez. Eu pensava que o personagem tava preocupado demais, até me lembrar do Roman Polanski.

Desde que a série começou o maluco tenta acertar os pontos em linha reta, claro que não consegue. Pelo menos dirige um porshe, ou seja lá que carro é aquele.

Não entendo nada de carros, não sei dirigir e tô cagando prum porshe, pra todas as ferraris e pro filme do Airton Senna. Mas o Hank tem mesmo um carrão.

Tento lembrar de uma tirinha do Angeli em que ele diz não saber nada sobre carros, e alguém pergunta “Você viu o último carro da Wolks?” e ele responde “Qual? O fusca?”

Não é bem assim, mas é por aí.

Serge Gainsbourg também não sabia dirigir, ele disse: “Não se pode beber e dirigir, eu fiz a minha escolha”.

Eu também olhei esse filme sobre ele ontem à noite. É bom. Podia ser melhor.

Quem também gosta de Serge Gainsbourg é o meu amigo Rodrigo Corcel. Gravei o filme.

Ele também gosta de carros, sabe tudo sobre eles e dirige bem aquela enorme banheira velha e barulhenta que ele chama de automóvel.

Dirige bêbado inclusive. Fala que é melhor motorista assim. Não nego.

Lembrei dele reclamando que não gostou muito de O Apanhador no campo de centeio porque o Holden Caufield era um mimadinho de merda.

“Porra, bandido, tu te fode caminhando de madrugada porque não tem mais ônibus e o guri ia lá, reclamava da vida em New York e pegava um táxi”.

Acho isso uma bobagem sem tamanho. Mas o Corcel é um tipo que dá valor pressas coisas. Até quando se trata de escritores ele pensa assim.

Eu acho que ser duro não faz de ninguém um bom escritor, assim como ser rico também não.

Alguém comentou comigo que o poeta Carpinejar disse, acho que pelo twitter, que pra ser escritor você deve ter sido uma criança solitária.

Meus escritores preferidos meio que se mantêm sozinhos.

Pero no hay reglas.

“Nada como uma multidão pra gente se sentir sozinho”, diz aquela música dos Rolling Stones.

E tem um verso bacana que é de uma banda de hard rock argentina chamada La Renga:

“É que a morte tá tão segura de vencer, que nos dá uma vida inteira de vantagem”.

Eu visitei o twitter esses dias. Tava cheio de gente que ‘retwita’ o poeta Carpinejar. Ou seja, aquilo lá não é pra mim.

O Californication acaba e o filme sobre o Gainsbourg também. Fico quieto e deitado no colchão, pensando em versos de Charles Bukowski.

Tem essa editora, a Spectro, que lança vários livros de poemas do velho safado. Só botar no google, quem quiser comprar.

Nas minhas conversas com o brother e escritor Diego Moraes, já me surgiram duas ideias de títulos pra contos ou qualquer coisa do tipo. Não posso esquecê-las:

A primeira é Calção, sunga e amizade sincera & a segunda é Churros Bukowski

Cheguei ao último enquanto discutíamos um bom nome pro seu novo projeto de empreendimento no Amazonas: uma carrocinha de picolés.

Na verdade eu sempre falo uma coisa e ele diz “Isso daria um bom título.” Não nego.

E era nisso que eu pensava quando ela ligou.

A mina parece ter o dom de saber quando eu tô com insônia. Nunca liga quando tô dormindo.

Se eu tô bêbado, falo algumas bobagens e ela ri. Senão, deixo ela ficar falando, como deveria ser sempre.

Há tempos não tinha uma noite tão calma. Elas são raras.

“Si faltan emociones me las invento, la madrugada no tiene corazón”, já escreveu o grande Joaquín Sabina em Vámanos pal sur.

Coloco o Sabina entre os melhores poetas vivos. E entre meus cantautores preferidos também. Leonard Cohen, Bob Dylan, Tom Waits, Van Morrison, Nei Lisboa e Léon Gieco.

Mas o que eu tava falando era sobre essas noites em que parece que a madrugada não vai nos colocar em encrenca. Elas são perigosas. Mas a gente tá quase tranqüilo com alguma boa garota (que garota não é boa, afinal?), ou com bons amigos, e bebemos vinhos e tentamos a paz.

Faz tempo que não sei direito o que é isso.

Até mais.

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8 Respostas to “”

  1. Rafael Rocha Says:

    bacana o texto bandido! me lembrou uma coisa que escrevi faz tempo: “Solidão não é a ausência do outro. Solidão é sentir-se só mesmo quando há o outro. E por vezes, sentir-se ainda mais só quando o outro está.”
    grande abraço!
    se cuida!

  2. brunobandido Says:

    Algo assim Rocha. O Sabina escreveu “dormir contigo es estar solo dos veces/ es la soleda ao cuadrado”. E o Reinaldo Moraes ou o Raymond Chandler, ou os dois, escreveram personagens que se sentem sozinhos ‘mesmo dentro de uma mulher’.
    Abraço.

  3. adriana godoy Says:

    Bandido, senti seu texto mais doce hoje. Algo como se vc tivesse meio apaixonado…beijo

  4. Edilva Bandeira Says:

    Nossa….essas noites de insônia devem ser bem criativas, pois o texto trás tantas informações que vão sendo jogadas, como se alguém estivesse falando assim com voz sonolenta….num delírio entre o sono e a lucidez…..kkkkkkkkk

  5. Miriam Says:

    raramente me arrependo de seguir tuas “dicas” de música ou literatura, valeu.

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