maratona

Ontem saí às duas da manhã embaixo de uma puta de uma chuva pra beber um pouco e chego agora às nove e meia ou coisa assim e foi uma daquelas noites em que a gente vai pulando de estrela cadente pra estrela cadente, como escreveu o Kerouac, coisas bêbadas que parecem maravilhosas acotecendo a todo instante como se fossem milagres ou coincidências surpreendentes e tudo o mais – claro que isso faz bem pra uma pessoa, claro que agora eu vou ter que trabalhar virado e provavelmente de ressaca e o trabalho sobre a Legalidade que eu tinha que adiantar hoje ficou pro fim de semana e claro que eu também vou sair no fim de semana mas até hoje eu sempre consegui conciliar as duas coisas dormindo pouco, o que é uma pena, mas o que mais eu poderia fazer era largar tudo e, provavelmente, vai ser isso que eu vou fazer uma hora porque a gente nasce pro que é e eu não quero acabar pulando do oitavo andar, dando um tiro na boca, aliás eu não vou fazer isso, aliás eu posso acabar assim é claro, por que não, mas antes disso eu espero uma vidinha mais ou menos, se eu me matar um dia é porque eu já vou tá velho demais pra aguentar qualquer tipo de coisas e retwites do Carpinejar (uma garota me mandou e-mail xingando porque ironizei o poeta, talvez outra hora eu fale sobre isso) mas também não quero acabar sendo uma pessoa mais amarga do que já sou, tenho amargura suficiente pra encher um caminhão e não preciso mais disso. ontem li uma entrevista do Faulkner onde ele dizia: “Sou, por temperamento, um vagabundo. Não quero dinheiro tanto a ponto de ter de trabalhar por ele. Na minha opinião, é uma pena haver tanto trabalho no mundo. Uma das coisas mais tristes que existem é que a única coisa que um homem pode fazer durante oito horas por dia, todos os dias, é trabalhar. Você não pode comer oito horas por dia, nem beber oito horas por dia, nem fazer amor por oito horas — você só pode trabalhar por oito horas. E é por essa razão que o homem faz a si mesmo e a todos os outros tão miseráveis e infelizes.” Há quem discorde quanto ao que o camarada disse sobre beber e fazer amor, mas garanto que um bom trabalhador concorda que isso é impossível, e eu concordei mesmo foi com o pensamento do Faulkner e é melhor tomar um café forte um banho gelado um comprimido pra cabeça e acabar por aqui.

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9 Respostas to “maratona”

  1. Camila Says:

    Gostei dessa citação do Faulkner. Do teu texto também, claro. E só de ler uma coisa dessas de tiro na boca ou se jogar do oitavo andar, dá aperto no corazon. Beijos.

  2. maco1969 Says:

    Em primeiro lugar, agradeço pela visita em meu blog e pelo comentário oportuno. Conheço o Diego Moraes e também admiro muito o que ele escreve. Ambos temos um estilo bem diferente de escrever, talvez o que nos aproxime é a maneira de como experimentamos a linguagem, estilos, e talvez isso se aplique a vc também, pois que já li coisas suas e gostei muito. Aliás, quem me apresentou seus textos foi o próprio Diego Moraes. Quanto ao fato de estar sugando demais na tal fonte, acho que não entendi bem. Refere-se a que e a quem? Se porventura, você se referiu ao escritor Diego, infelizmente cometeu um equivoco. Como afirmei a principio, Diego tem uma maneira bem diferente da minha e portanto nào há qualquer similidade entre ambos.
    De qualquer modo, sinta-se a vontade para acompanhar o trabalho e tecer seus devidos comentários. Vindo de um escritor com o potencial que tens me faz sentir muito grato.

    • brunobandido Says:

      se ele foi oportuno e se tu achou que foi um equivoco, por que tu não aceitou o comentário? não te desrespeitei nem nada do tipo.
      enfim, talvez não devesse ter comentado, mas vi que era suspeitosamente parecido com os textos do meu amigo e aí resolvi fazer isso. foi só a minha opinião de qualquer forma. não acho que cometi um equívoco. O Diego tem uma maneira diferente de escrever da tua porque os textos são mais envolventes. No mais, eu não sou um escritor.

  3. Pedro Pellegrino Says:

    Foda essa do Faulkner, perfeita. Abraços,brow.

  4. diego moraes Says:

    Não iria me manisfestar por sentir puro asco desse senhor do comentário aí acima mas não resisti: não sou seu amigo. já o acusei de plágio uma vez no auge da minha crise renal e resolvi deixar pra trás. os textos grotescos com tentativas bizarras de imitar meu estilo são

    verossímeis. pensava que fosse apenas os parágrafos mas agora a ratazaba quer devorar a casa inteira. trata-se de uma alma sebosa da pior espécie. não citarei seu nome pra não dar em delegacia, processo, essas veadagens judiciais porque felas da puta do tipo adoram se fazer de vítima. de uma vez por todas: pare de mandar e-mais ou fazer comentários no meu blog. escreva mil Romances usando-me como protagonista ou qualquer merda mas me deixe em paz. você está mais para Cabeleireiro que pra escritor. infelizmente fui um jovem junkie-burro e tive o desprazer de conhecê-lo. até…

    Desculpa aí Brunão, nutro respeito e admiração pela sua figura e o tenho como referência… se não fizesse este comentário mesmo que tardio não respiraria ar puro no resto da semana. até..

  5. Fred Says:

    Quer dizer que ironizar o Carpinejar provoca reações histéricas de leitoras? Isso é engraçado. Acho o Carpinejar um tremendo babaca, que faz tudo pra aparecer. Sinto uma mistura de nojo e vergonha quando vejo aquela figura na televisão. E quando ele abre a boca é pior. Aquele velho papinho sobre relacionamentos, aqueles livrinhos metendo o malho nos homens ditos “cafajestes” e falando da “nova mulher”. Lógico que ele arrebata leitoras acostumadas a esse tipo de leitura inútil. Mas que é uma tremenda babaquice e falta do que escrever, é.
    Parabéns pelo teu blog, Bruno, é ducaralho.
    Abs.

    • brunobandido Says:

      Não sei se foi histérica, Fred. Mas ela me mandou um e-mail me malhando por isso. Também não gosto da figura dele, nem das crônicas, embora tenha alguns poemas bacanas. Pra mim ele é mais malabarista do que escritor e acha que é Deus e Luiz Felipe Pondé ao mesmo tempo.
      Valeu.
      Abraço.

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