caçando borboletas com aspirador de pó

“Andou pela primeira vez até a beira da praia e pensou: Não deve ser só isso.”

(Mário Bortolotto)

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Sobre duas latas de Nova Schin e algumas viradas de mesa

Eu só tinha duas latas de Nova Schin e a minha solidão. Trabalhava batendo no teclado  e chovia lá fora. Na verdade, eu não tava descontente com quase nada disso – a chuva, a solidão, a falta de cerveja suficiente, a falta de uma marca melhor de cerveja. A única coisa que me deixava pra baixo é o fato de que eu tava trabalhando. As duas latinhas terminaram em quinze minutos, segui batendo no teclado, parei de trabalhar pra escrever umas bobagens que venho escrevendo faz tempo e, ultimamente, tavam meio paradas.

(É uma longa prosa que envolve dividir um sala-e-quarto com uma jovem enfermeira viciada em benflogim, um pai que fode travecos e é parecido com o Dennis Quaid e o desgaste entre um fudido e sua cidade. Um dia a Gabi leu um pedaço e perguntou “Pô, bandido, isso aqui é pessoal?” Claro que é bastante pessoal, apesar de todos os códigos, sou eu que tô escrevendo, ora bolas. Não é que nem a porra desse blog em que só entrego partes da minha vida de bandeja como se eu fosse mais um Jack Kerouac (um Kerouac sem talento, é claro. Tô falando de códigos, não de valor literário). Aliás, são poucas partes que eu entrego aqui – às vezes umas pessoas acham que me conhecem um bocado só porque lêem essa bagaça. O fato de serem textos pessoais não quer dizer que eu seja só eles.)

Parei de escrever e caminhei até a geladeira na esperança tola de que uma outra latinha pudesse ter sobrado sem que eu percebesse na primeira vista. Nada feito. Sentei, cogitei a hipótese de assistir mais um vídeo da Lexi Belle, mas apenas continuei escrevendo. Lá pela meia noite ela bateu aqui em casa. Tava toda molhada, assim como eu quando havia chegado há umas quatro horas atrás. Trocou de roupa e sentou no sofá folheando meus gibis e eu segui escrevendo. “Não entendo como tu gosta dessas merdas, bandido”, ela disse enquanto passava os olhos no meu velho Lobo Vs Superman. Eu não esperava mesmo que ela fosse entender. Apenas segui digitando até acabar o parágrafo enquanto ela fumava debruçada na janela olhando as gotas caírem lá em baixo. Nenhum de nós tinha pressa. Às vezes as coisas acabam melhores quando são desse jeito.

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Como uma ponte sobre águas turbulentas

&, bem, essa não é a minha fase preferida do Presley nem nada do tipo. Mas também não é a pior e, minha nossa, como eu gosto de ouvi-lo cantando essa triste e bonita canção sobre querer dar segurança à sua garota. Eu sempre gostei de abraçar minhas garotas e pensar que eu tô protegendo elas de alguma forma. É o Keith Richards que diz algo como: “eu gosto de me deitar com uma garota que eu sinta vontade de dar segurança a ela. Se for pra comer uma boceta qualquer, prefiro ficar em casa e bater uma punheta.” Não é exatamente assim que ele dá a sua sentença, mas é algo parecido com isso. E é algo com o que eu me identifico. Embora eu sempre ache que dar segurança é só uma ilusão para um fudido que nem eu e que, a bem da verdade, eu nunca faço muito bem pra garota com quem eu tô tendo algo. Tem um mal que eu nunca sei direito o que é, mas que posso sentir a toda porra de momento. Não é confortável. Mas fazer o que?

Foda-se. Pelo menos agora, porque não era disso que eu tava falando, era dessa música do Simon and Garfunkel, mas se você quer voz e emoção, escute a versão da Aretha Franklin ou essa do Elvis, que pra mim é a melhor:

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Ninguém precisa de motivos pra admirar a beleza de uma mulher

Fora isso, hoje acordei cedo escutando músicas da PJ Harvey. Sempre achei ela mó bonita.


Cês não acham?

Além do mais, só colocar foto desses escritores que eu cito aqui é forçar a barra.

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2 Respostas to “caçando borboletas com aspirador de pó”

  1. adriana godoy Says:

    Bandido, o Elvis arrasa! Seu texto também….é algo como respirar em baixo deáguas turbulentas! Beijo

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