Periodismo Collones

Amanhã, dia 20, fazem 20 anos que o jornalismo com bagos morreu em terras brasileiras. Na primeira edição do Língua Pop, assinei uma pequena e humilde matéria a respeito dessa força viva que se chamava Tarso de Castro. Segue aí:

Tarso de Castro, porra!

O Língua Pop traz uma matéria sobre o jornalista brasileiro mais corajoso de todos os tempos. Tarso de Castro, o falecido fundador do Pasquim, que espalhou polêmica e bravura na imprensa brasileira. Mas por que ele não é tão lembrado pelos meios acadêmicos e midiáticos?  Nós esclarecemos aqui, além de contar detalhes e curiosidades sobre sua história, e entrevistar Tom Cardoso, biógrafo, e Nei Duclós, ex-colega de profissão.

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Viva Tarso de Castro!

por bruno bandido


A paixão dos marginais que comem a vida e soltam palavras e armas. A paixão dos poetas que comem o tempo e cospem ponteiros e facas. A paixão dos malditos que a vida os come.

tarsofoto2Gaúcho e brizolista e Don Juan e gênio da raça!  Tarso de Castro se destacou em Porto Alegre com seus comentários polêmico-políticos no Jornal “A Última Hora”. Usou da força da coluna social para conquistar sua mulher, uma psicóloga “socialite”, e se mandou com ela dentro de um fusca rumo ao Rio de Janeiro.  Já na capital carioca, entre mulheres e conversas nas mesas de bar, criou o famoso periódico “O Pasquim”. Projeto que abalou a ditadura militar.
Tarso sempre viveu algumas doses abaixo.

“Prefiro viver pela metade por uma garrafa de uísque inteira, do que passar a vida inteira bebendo pela metade.”

Morreu de cirrose hepática aos 49 anos de idade em 1991.

Profissionalmente, foi traído pelo ego de jornalistas que ele mesmo criou. Vaiemos um pouco Millôr Fernandes, Paulo Francis, Jaguar e Ziraldo.

Um prazeroso livro

tarso


A biografia “Tarso de Castro – 75 kg de músculo e fúria” é um verdadeiro favor que Tom Cardoso – também jornalista – fez aos subversivos da nação!

Copos de uísque com Glauber Rocha, viagens com Caetano Veloso, farras com Chico Buarque, inúmeras mulheres na cama, brigas com influentes personalidades, porres em Ipanema e as maiores sacadas publicitárias-jornalísticas do Brasil. Tudo junto. Pra ser lido com muita vontade em muito pouco tempo.

Che Guevara no Congresso em Punta Del Este, Tarso à direita. (foto retirada do livro)Che Guevara no Congresso em Punta Del Este, Tarso à direita. (foto retirada do livro)

O livro possui histórias que deliciam o leitor. Como quando Tarso usou de uma foto sua ao lado de Che Guevara tirada no congresso de Punta Del’Este, onde trabalhou como jornalista, para enganar a atriz holliwoodiana Candice Bergan. Disse que havia lutado na revolução cubana e faturou a moça. Mas como todo casanova, depois de um caso apaixonante entre férias na Bahia e quartos de hotel, o tempo passou e ele não deu mais bola nenhuma à atriz. Anos depois, em sua autobiografia, Candice disse que a grande paixão de sua vida foi um jornalista brasileiro que havia lutado na revolução cubana de Fidel.

Tarso e Candice Bergen. (foto retirada do livro)Tarso e Candice Bergan em uma praia da Bahia. (foto fo livro)

Ou quando Tarso havia se comprometido em escrever o texto para uma matéria sobre mulheres. Faltavam minutos para começar a impressão do jornal, quando ele voltou do bar para a redação do Pasquim. Os colegas desesperados diziam que não iria dar tempo. Sentou em sua cadeira e começou a datilografar sua máquina de escrever. Cinco minutos depois, para a surpresa geral, estava pronto. Ficou conhecido como uma das façanhas humorísticas mais debochadas do periódico. A página inteira cheia de “blablablablablabla” ilustrada por imagens femininas.

Várias brigas políticas são relatadas. Sua fuga para o Uruguai. Sua prisão na ditadura. Seu apoio a Leonel Brizola. Sua visão no jornalismo. Suas entrevistas antológicas.

Salve! Salve! Tarso de Castro!

Agora, confira a pequena entrevista que fiz com o paulista Tom Cardoso na época de lançamento do livro:

bruno bandido – Por que tua escolha em biografar Tarso de Castro?

Tom Cardoso – Meu pai, o também jornalista Jary Cardoso, trabalhou com Tarso em duas publicações: “Folhetim” e “Já”. Sempre foi um grande admirador do Tarso e tinha um projeto de escrever um livro sobre a imprensa alternativa. Durante muitos anos ele guardou tudo sobre o assunto, mas nunca se encorajou de escrever o livro. Então eu peguei o material e mandei bala!

bruno – Millôr Fernandes esboçou alguma reação contra as verdades que foram ditas sobre ele? E seus ardorosos fãs?

Tom – Não. Nunca tive problemas com o Millôr. Nem sei se ele leu o livro. Mas seus fãs, que não são poucos, pegaram no meu pé sim! Não dei bola.

bruno – Tu achas que falta a polêmica, a criatividade e a capacidade de não se levar a sério no panorama atual do jornalismo brasileiro?

Tom – Sim, o estilo de Tarso faz muita falta ao jornalismo atual. Hoje, ser politicamente correto, “ouvir o outro lado”, é o mais valorizado. Mesmo no caso de um Diogo Mainardi. Não há originalidade na atitude dele. Ele é um imitador barato de Paulo Francis.

O maldito Tarso de Castro

Em uma mídia impressa tapada em constantes e fracassadas buscas pela imparcialidade, pouco se ouve falar em Tarso de Castro. E nas universidades? Por que não se comenta Tarso em um ambiente em que estudantes enchem a bola de Zuenir Ventura, Ricardo Kotscho e Millôr Fernandes?

O jornalista e poeta Nei Duclós, deu sua versão sobre o esquecimento do mito jornalista gaúcho. “Tarso era generoso num mundo mesquinho. Pagou alto o preço de ter distribuído seu talento e compartilhado suas vitórias. Acabaram roubando as conquistas dele, seqüestraram-lhe o crédito”.

E Nei seguiu com um texto grave e acusador:

“Tarso batia forte, de A a Z. Escrevia o que lhe dava na telha. Tinha coragem. Sabia que a ditadura não estava apenas no Planalto, mas na cabeça de cada um. Atacava esses fortins com sua lança e sua palavra. Os caras de esquerda são de direita. Veja o governo Lula. Existe algo mais entreguista, traidor, vendilhão do que o governo Lula? A esquerda brasileira cumpre a escrita determinada pela direita: vendem o país e cobram comissão. Como poderão ser a favor do Tarso, egresso da Última Hora de Porto Alegre, que defendeu a Legalidade empunhando um Taurus 38 (revólver) de fabricação nacional? Eles reconhecem os verdadeiros inimigos. Tarso é perigosíssimo. O objetivo é enterrá-lo de todas as formas, apagar sua memória”.

Não vamos deixar que isso aconteça!

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8 Respostas to “Periodismo Collones”

  1. Mauricio Bach Says:

    Porra Bandidão, essa edição promete!!!
    Fodastica.
    vc e suas sacadas gigantescas.

  2. Mauricio Bach Says:

    é eu vi depois hehehe…
    culpa desse domeq aki do meu lado.
    mas o livro acabei de comprar no Estante Virtual.
    e fazia tempo que não ouvia, lia nada sobre o figura.
    valeu!!!
    mas vc é fodastico com seus post´s.

  3. giovani iemini Says:

    pô, se é Gaúcho e brizolista, não dá para ser gênio. contudo, se tiver qualquer inteligência e ainda for gaúcho e brizolista, é realmente um gênio entre os seus.
    hehehe.

    • brunobandido Says:

      a relação entre gaúcho e gênio é das mais limitadas. quanto ao brizola, os cariocas podem reclamar, mas no sul ele fez muita coisa boa. bastante genérico esse comentário. mas a parte do gênio entre os seus é mesmo engraçada, devido ao provincianismo babaca que muita gente tem por aqui. digo mais, não precisaria ser nem inteligente.

  4. Lalo Arias Says:

    Bruno, tive a pachorra de linkar lá no Fb. Abração.

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