sigo erra(n)do

Tem gente que vai ver Melancolia de Lars Von Trier na sexta-feira. Tem gente escrevendo crônicas furiosas a um tal Jobim (e nem é ao Tom). Eu sigo meramente bitolado, tomando café solúvel e perseguindo o nada. Ela reclama que não me via há muito tempo – eu sumo e não ligo. Ela faz um barulho danado pra acordar e ir ao trabalho. Me acorda. Eu saio por aí caminhando furtivamente e parando em bancas de jornal, acho uma edição de Pergunte ao Pó (o livro mais bem escrito de J. Fante, como vocês sabem) pela Brasiliense com tradução do Leminski num preço bem barato num sebo da rua da Ladeira, eu tinha dado esse livro pralguém, daí gasto o dinheiro do conhaque nele. Volto pra casa e sento pra escrever, mas não gosto do resultado e conecto Red Tube, carrego bato gozo limpo e volta a escrever. Escrevo A História Familiar da Punheta, um relato sórdido sobre flagras e sobre alguns homens doentes de uma família (ou da minha?) Eu cutuco sentimentos doloridos escrevendo sobre isso. Quando escrevo, códigos machucam mais do que confissões. É ali que pairam as almas penadas, eu tenho que lidar com elas, oferecer um drink e tirar o copo de suas mãos quando sacar que o porre não vai dar boa coisa. Assisto um filme bacana meio junkie meio romântico com o Jason Statham e uma camada grossa de fog toma conta dos meus olhos londrinos. Eles ficam embaçados por um tempo, a pressão deve tá alta como o diabo, passa o jornal na TV e eu desligo e tento dormir – sigo procurando o nada. Ela volta do trabalho, ela fica bonita através dos meus olhos de neblina. Ela quer acabar de assistir o filme do Statham pero meu pau não lhe permite, oh, minha nobre taradice escrota – pura sacanagem romântica e falta do que fazer. O que a gente vai fazer na sexta-feira? ela pergunta. Eu vou viajar, eu digo. Tem gente que vai ver Melancolia do Lars Von Trier. Tem gente que vai procurar um novo Jobim pra ser cuspido. Eu vou colocar um dos mesmos escritores de sempre dentro da minha mochila e planejar porres homéricos, desses que não se planejam.

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7 Respostas to “sigo erra(n)do”

  1. Adriana Brunstein Says:

    café solúvel não, Bruno

  2. Anônimo Says:

    Grande Bruno nem li o post inteiro, mas hj ganhei um presentaço, o dvd do Barão no RockinRio em 85, eu tambem sou bitolado pra uma porrada de coisas, to assistindo pela 2°x hj e na primeira confesso, chorei, q tesão de show. lembro q ja conversamos sobre Cazuza e mãe…cara, vou voltar a assistir, e quando pintar aki por Curitiba, chegue aki. (to legal ja…ta estranho né?,não sou um genio escrevendo nem de cara, imagina no meio do porre…)

  3. Anônimo Says:

    Bandido, pois é, o negócio é foda mesmo! Texto bom demais. Beijo

  4. MauricioBach Says:

    haha o anonimo q ganhou o dvd do Barão, Mauricio de Curitiba.
    tava bem ja…e acabei tomando um porres desses q não se planeja.

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