o solo manjado de despedida na minha cabeça

Eu podia dizer um bocado de coisas mas acabo ficando quieto. E tá esse calor dos infernos. A TV fala sobre esses idiotas que ficam tocando discos dos Beatles ao contrário procurando por alguma mensagem escondida nas gravações, Como você pôde fazer uma coisa dessas? ela me pergunta. Paul is dead. The thrill is gone na cabeça. Eu? Eu sou um escroto, pô. Isso eu já sei, ela diz. Não basta só saber, tu tem que contar com isso. Ela faz o silêncio flertar com o absurdo, o seu suspiro aprova a relação dos dois, ela me encara como se quisesse me virar ao contrário e ver se eu tenho alguma mensagem escondida, mas não tem nada, o que é pra ficar as claras – a minha escrotidão – sempre ficou, o resto são demônios, encrencas e letras de canções que eu não gosto mas sei de cor. E o solo de The thrill is gone. Eu não ligo pra vida do Paul. E eu não devia me importar coas cartas que já deixei há muito tempo em cima da mesa.

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10 Respostas to “o solo manjado de despedida na minha cabeça”

  1. adriana godoy Says:

    Bandido, poético, o final:”E eu não devia me importar coas cartas que já deixei há muito tempo em cima da mesa.”

    Beijo

  2. eve Says:

    se é que tem alguma coisa escondida, que fique lá.

  3. Ernane Catroli. Says:

    Poesia da boa, Bruno.

  4. MIriam Says:

    Bruno, acabei de ler teu conto no Granta em português. Bem maluco e bem bacana.

  5. Adriana Brunstein Says:

    “Ela faz o silêncio flertar com o absurdo”. ê, bruno…

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