sobre os motivos que não importavam quando ela queria ir pro pau

Saca, garota, esse aqui é meu mundo e só tem duas coisas que domam meus demônios. Uma garrafa de conhaque, um filme do Jarmusch. Tu não tá nessa área. Tu não vai sair impune ao jogar cara ou coroa coa moeda que pegou do meu bolso.  Olhar tuas pernas acalma meu estado de espírito e eu posso até dizer que vou me controlar evitando atacá-las, mas nunca aposte contra o instinto de um cara quebrado, um vagabundo sem vez.  Não se baseie no crucifixo de madeira que tu me viu usar há dois anos atrás naquele verão em que a gente bebia vinho Sangue de Boi na frente daquele bar onde hoje é uma agência das Lotéricas porque o dono dele era bicheiro e foi preso. Logo as lotéricas foram parar ali. Gozado, né? Mas não se baseie em eu ter te encontrado no Van Gogh depois de ter visto A Serbian Film no Cine Mário Quintana naquele festival de cinema de horror que tem todo ano mais ou menos no inverno. Eu tava sóbrio e te falei umas coisas bonitas naquela noite. Tu continuou fumando teu L&M e descascando o esmalte velho dos dedos. Segui olhando tuas pernas que tavam de fora mesmo sendo mais ou menos inverno – eu vestia o casaco verde musgo que roubei do meu pai. Agora lembrei do dia em que tu tava enchendo pra caralho e gritando feito louca e eu quebrei tudo e tu quebrou tudo e aí saí puto pra rua procurando o bar mais próximo e tu foi pra calçada vestindo só o casaco verde musgo com o zíper fechado, devia tá uns dois graus lá fora, tuas pernas de fora, admirei a cena, olhos em chamas voz rouca coxas lindas, e te levei pra dentro e gozei de primeira e saí pra rua de novo e tu seguiu gritando da janela até eu não escutar mais. Tu sabe que eu me amarro em pernas. Fechei os olhos agora e pude ver as tuas. Mas é o que eu disse, garrafas de conhaque filmes do Jarmusch, tu não vai me ganhar na bandeira branca com pernas. E tu sabe tudo isso e eu sei que o fato de tu saber não tem a mínima importância quando tu tá puta e quer brigar. Por isso eu andava tão quieto, escutando tuas trovoadas enquanto pensava no filme de perseguição que assisti no Intercine – e eu taria assobiando Blind William McTell se soubesse assobiar.  Saca, garota, esse é o motivo e eu sei que eu ter meus motivos não quer dizer absolutamente nada quando tu calça as Havaianas e quer brincar de furacão. Fica bem.

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9 Respostas to “sobre os motivos que não importavam quando ela queria ir pro pau”

  1. Camila Fraga Says:

    porra, se fuder, esse aí tá bom pra caralho.

  2. adriana godoy Says:

    BOA, BANDIDO. MAIS UM TEXTO FODA. BEIJO

  3. Diego Moraes Says:

    Mais um texto foda, Bruno.

  4. Sofia H. Says:

    um dos erros das mulheres: achar que seus charmes – o que elas acham q podem ser “charmoso” – podem domar qualquer tipo de homem.
    um erro dos homens: achar que são indomáveis. um par de pernas, de peitos, de olhos, ou uma bela boca pra acompanhar no conhaque pode mudar muita coisa. ou não. sei lá.

    beijo.

  5. Drix Says:

    também adoro coxas. de ambos os sexos.
    tu é foda Bruno.

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