notas

somos feos pero tenemos nuestras canciones

1 – Ela disse que adoraria me fazer um streap ao som de I’m Your Man. Se eu não bancasse o monoglota isso até soaria estranho. Mas quem liga? Ela nunca usa sutiã e quando tira sua blusa larga do Velvet Underground você simplesmente não liga pra nada. Ela tem aquela risadinha maliciosa no canto da boca toda vez que sabe que tá me enchendo de tesão, os olhos tristes que vão sendo tomados por fogo. É como uma subgozada. E depois a gente goza. Ela olha pro teto, respira fundo, sorri o gozo e começa a se tocar porque quer o orgasmo de cima agora. Eu percebo. Ela percebe que eu percebi e continua meio sem jeito. Ela sempre quer  o de cima depois de gozar comigo lá dentro.  Vou cair de boca daqui a pouco, eu e toda minha forte solidão pós-gozo, tentar seguir minha sina de desastre esforçado é só o que posso fazer – bruno ‘desastre esforçado’ bandido. É só o que posso fazer. Keep walking… Até que ela trema as pernas com minha cabeça entre elas. Desabo ali mesmo. No meio das coxas. Penso no streap do início e começo a ficar excitado de novo.  Sabe, eu me amarro num streap. “Odeio a vida mas amo seus peitos”, componho num ritmo blues lá dentro da minha cabeça.

2 – Eu tô num bar intragável e nem sei direito como parei lá. O pessoal da cidade realmente curte aquele bar. Tem um violão que passa de mesa em mesa e todos cantam clássicos da mpb. Eu disse pra Letícia que ia ir embora dali quando um cara tirou seu saxofone do estojo e começou a tocar Garota de Ipanema de um jeito muito errado. Ele não é só um saxofonista mala que se achou no direito de tocar num bar cheio de gente desconhecida. Ele é um aprendiz de saxofonista que é mala e se achou no direto de tocar num bar cheio de gente desconhecida. O pior de tudo é que sou o único que parece incomodado. Então retire-se bruno bandido, seu perdedor implacável  – o cara de 22 anos mais senil da cidade  – caia fora daí com sua rabugentice solitária, vai pra casa seu punheteiro solitário, bruno ‘punheteiro solitário’ bandido, vai escutar Van Morrison sozinho na calçada com seu velho mp3.
Tá bem! Tá bem!! Só espera eu ir no banheiro que a gente vai embora, ela diz. Tu pode ficar se quiser, eu digo, ouvi dizer que daqui a pouco o cara do saxofone vai tocar uma música inteira. Não, eu vou contigo. Fico no balcão. Um cara encosta no meu lado. E aí?
E aí.
Tu não tá pensando o mesmo que eu? Tu não me conhece de algum lugar?
Se eu te conheço não deve ser da igreja.
Só se for do presídio, Ha ha ha. Meu nome é Vinicius. O pessoal me chama de Sid Vinicius. Por causa do Sid Vicious, sabe?
Ok, Vinicius.
Cara, tá vendo aquela dama ali sentada? Ela é minha mulher.
Ok, quer um prêmio por isso?
Não. É que de repente a gente podia ir pro nosso apartamento. Eu deixo tu fazer o que quiser com ela, ele diz. E ele ia seguir falando, mas Letícia chegou.
Letícia, esse é o Vinicius, o pessoal chama ele de Sid Vinicius. Ele quer que eu coma a mulher dele. Tá vendo ela ali sentada?
Letícia olha pra ela. A mulher percebe e levanta e puxa o marido de volta pra mesa com cara de reprovação. Os dois são velhos e feios. Nós dois somos jovens e feios. Vamos embora do bar. O cara do saxofone sabe tocar parabéns pra você.

3. Eu tava por ir embora de vez da cidade onde cresci. 16 anos ou sei lá. A garota que eu namorava tinha acabado comigo com um mês de antecedência numas de estranhar menos quando eu fosse e de dar pros caras que sempre quis dar mas não podia porque não queria me trair, essas coisas. Dois dias antes de eu partir ela ligou. Disse que queria me ver. A encontrei no centro da cidade e ela começou a caminhar do meu lado e lágrimas começaram a aparecer debaixo dos seus óculos de sol. O choro começou a aumentar. Encostei num murinho e esperei as coisas acalmarem. Sempre foi só isso que eu soube fazer. bruno ‘eperando a tempestade passar’ bandido. Demos uns amassos. Eu não sentia mais nada. Um bêbado mendigo chegou e estendeu a mão preu apertar. Apertei. Se ele estendesse a mão prela, ela ficaria com nojo, eu sabia disso, ela sabia disso, o bêbado sabia disso – ele parou na frente dela, sorriu e falou Eu não vou apertar tua mão! e caiu na gargalhada. Depois perguntou se podia cantar uma música. Eu disse que não. Ele me mandou a merda e disse que ia cantar pra ela. Abriu a boca e os braços e olhou para o rosto da minha ex-garota e mandou “Não aprendi a dizer adeus, mas tive que aceitar, que amores vêm e vão…” Alguns bêbados sabem das coisas. O Bukowski dizia que se você quiser saber onde está Deus pergunte a um bêbado. Talvez ele tivesse certo. Esse aí sacou tudo que tava rolando naquele murinho. Pena que tinha um péssimo gosto.

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8 Respostas to “notas”

  1. Camila Fraga Says:

    tá difudê, baby

  2. alexandredepaulass Says:

    bom pra caralho, bruno.

  3. Bruno Says:

    Bandido, tu tá escrevendo cada vez melhor.

  4. Cláudio Souza Jr. Says:

    Muito bom…

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