eu sou a solidão comendo hot dog enquanto rolam notícias de garotas desaparecidas na tv preto e branco da carrocinha. eu triplico meu número de bobagens e troco a bateria da minha idiotice quando tô afundado nessa tristeza nublada só pra não ter que preocupá-la com o hooligan triste e com o palhaço agressivo que moram dentro de mim. é a defesa anti-defesa mais babaca da qual sou capaz. eu a amo quase como amo um gibi do azzarello ou a última garrafa de dommus que sobrou na prateleira do mercado. ela é o próximo amor da minha vida e calça meus tênis enormes pra caminhar pela casa imitando meu jeito estranho de andar e me fazendo rir porque descobriu que se eu for rir pra valer vai ser só de mim mesmo. eu sou o olhar desajeito enquanto ela cai fora mais uma vez pelo detector de metais. quantos aviões já levaram minha buceta preferida a cruzar o país? quantas músicas inéditas dos beatles ainda vão precisar ser lançadas? todas as bobagens que eu já disse/ davam pra encher um caminhão, canta o nei lisboa e, sabe, ela que se acostume com meu silêncio em épocas tranquilas, a patetice em épocas turbulentas, eu nunca vou lhe apresentar minha angústia.

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11 Respostas to “”

  1. Pedro Pellegrino Says:

    Excelente.Grande abraço.

  2. adriana godoy Says:

    Bom demais! Bonito, doce,forte. Beijo

  3. Danilo Dias Says:

    Fala, Bruno. Li há pouco tempo seu conto na Granta (depois de 5 meses, mais ou menos. Estava entre aqueles livros que compramos sem saber quando os leremos, e, por falta de tempo, infelizmente, existem muitos. É como seu personagem radialista que só espera o tempo passar).
    Bateu uma curiosidade: como é feita a seleção para essa publicação?
    Abraços

    • brunobandido Says:

      Cara, não sei mesmo. Acho que não é por seleção. Uma editora lá da Objetiva que me contatou pra essa edição e pediu um conto. Mas qualquer coisa o selo é Alfaguara, entra no site e vê se eles aceitam originais. E sei bem como é essa história do tempo passar, eu e o Cal. Abraço

  4. ecatroli Says:

    A vulnerabilidade do amor, da solidão, das perdas a que somos condenados. Ótimo.

  5. ecatroli Says:

    A vulnerabilidade do amor, da solidão, das perdas a que somos condenados e a originalidade de Bruno B.

  6. Kleber Felix Says:

    despedaçante, man

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