um estranho sinal de moderação

ela se joga em ácido
cortando a língua de anjos
e grita comigo, quase feroz,
quando chego do trabalho.

são dezoito e trinte e cinco
e eu trouxe pães.
tu come a tua colega, ela diz,
aquela negrinha.
coloco água na chaleira e fico
procurando o maldito pote
de café.

eu sei que tu come,
tu passa a tarde comendo
ela. Deus tem um maldito
senso de humor.
por que eu fui me juntar
com um tarado por negras?

a chaleira começa a dar
algum sinal de vida e
me dou conta de que
talvez tenha acabado
o café.

pego as chaves e saio
porta afora.
aonde tu vai? por que não
casa logo com ela?

entro no mercado,
faço o que tenho que fazer
e sento na frente de um
cursinho pré-vestibular
e fico admirando
as meninas.

elas são lindas –
estúpidas a ponto de
parecerem felizes –
e não há bunda
que não seja
um presente.

se eu ficasse sentado aqui
por uma semana
cometeria suicídio,
mas esses vinte minutos
são algo como o paraíso,
é o que penso.

tenho certeza
que ela não desligou o
fogo
e a água lá em casa
deve ter virado
vapor.

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Uma resposta to “um estranho sinal de moderação”

  1. Pedro Pellegrino Says:

    Certeiro!

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