o adeus do último escoteiro

Eu imagino que ele fosse um queridinho dos fodões de Hollywood. Quer dizer, olhando o começo da filmografia dele, não parece ser um desses diretores que arranjam muitos problemas ou não fazem concessões presses caras que tão querendo encher o cu de dinheiro lá na Califórnia. Ele parecia se comportar direitinho e usava o que tinha e tentava ser competente. Mas ele já começou com Fome de Viver. E aí fez o aclamado blockbuster Top Gun e postulou sua fama de “diretor fácil de lidar”.
Nos anos 90, dirigiu um dos meus filmes preferidos. Eu já falei dele umas quinze vezes por aqui. Já assisti mais de vinte. Uma ex-namorada minha com certeza devia querer matar o Sr. Tony Scott por todas as vezes que eu sentava no sofá pra assistir o clássico B “O último Boy Scoult”.

Logo na sequência, em 1993, ele rodou o bacana Amor à queima roupa, com roteiro de Quentin Tarantino. Tarantino criticou a direção do filme, disse que parece muito videoclipe, ele tem razão, mas tá longe de não ser um filme bacana. Lembrem-se que em Sleep With Me, o Tarantino faz uma ponta falando sobre Top Gun, mostrando que é um filme gay com argumentos inabaláveis.

Eu ainda tenho outro clássico particular dirigido por Tony Scott chamado Chamas da Vingança, com um dos meus atores preferidos que não escuto quase ninguém elogiar, Denzel Washington. Ele também era um dos preferidos de Tony Scott. Tem gente que ri de mim quando digo que esse é um dos grandes. Mas assistam os detalhes desse cara, sério, em cada filme ele parece outra pessoa e ainda assim parece a porra do Denzel Washington. Assistam Chamas da Vingança e assistam O sequestro do Metrô 123, também de Tony Scott. Olhem como ele constrói seus personagens em nuances, tiques, detalhes, um olhar diferente, sei lá, coisas pequenas que o mudam muito de um filme pro outro e casam pra burro com os personagens.

Eu lembro de ver O Sequestro do Metrô 123 no cinema e, mesmo sem ser um grande filme, ter ficado contente porque Tony Scott tinha parado coas edições mais frenéticas que começou nos anos 2000. Realmente não consegui engolir aquilo. Acho que ele estragava roteiros e argumentos que podiam gerar ótimos filmes – como Domino, por exemplo – coaquela porra de edição. Também assisti no cinema seu último filme, Incontrolável (2011). Muito bem editado. Muito bem dirigido. Uma aula de transformar um puta clichê num filme muito competente.

Tony Scott sabia usar os clichês. E era a prova de que eles podem dar certo. Li que ele tava confirmado pra fazer a sequencia de Top Gun e era cogitado para o remake de Meu Ódio Será tua Herança, o faroeste fodão de Sam Peckinpah (outro dos meus clássicos particulares). Dois filmes que, na minha opinião, não precisam acontecer. Mas, se ele assumisse, não duvido que, no mínimo, seriam filmes competentes. Eu já disse, Tony Scott era competente. Na boa, Tony Scott era o último escoteiro. Deve ser difícil ser o último escoteiro. Os bombeiros da Califórnia encontraram seu corpo. Tony Scott, com 68 anos de idade, pulou da ponte Vince Thomas nesse domingo.

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2 Respostas to “o adeus do último escoteiro”

  1. adriana godoy Says:

    Legal seu texto. Dá pra sacar um pouco o cara. Beijo

  2. Pedro Pellegrino Says:

    Foda!!

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