Caindo fora ao som de Freewheelers

Faz tempo que quero me mandar. Me mandar sempre foi o que me ditou, saca? Desde quando eu era garoto no interior. Sempre fui um fudido incorrigível porque nunca soube pronde ir, então transformei a vontade de me mandar e bater cabeça por aí numa espécie de religião cheia de santos errantes que se forjam em discos de rock, filmes b e literatura maldita. Nunca me importei com destino. Não acredito que eu seja capaz de amar alguma cidade, qualquer que seja. Nasci num estado com forte bairrismo alegórico e sempre vejo uma pá de gente defendendo sua terra – nunca ignoraria o lugar de onde vim e o que ele marcou em mim, mas, sempre vou desconfiar de quem defende muito uma cidade ou estado, quero dizer, tá tudo repleto de pessoas. Eu acredito no cara que tem um pedaço de terra e vive com sua família ou sozinho e morreria para defender seu espaço e sua própria tentativa de paz. Mas ainda me parece inconcebível achar que o melhor lugar é um lugar que tá repleto de pessoas. Mas, vá lá, isso é só o egoísmo arrogante de um jovem fudido que não sabe pronde ir. Não gostaria que alguém concordasse comigo. É claro que tenho uma porrada de gente com quem me importo. E tenho aproveitado pra passar com elas enquanto não vou. Tenho bebido e tocado rock com meus amigos aqui no interior. Eu conheço esses filhos da puta desde quando ainda não me conhecia. A gente não precisa de muito pra se entender – é o que sempre digo – apenas seguir rindo das mesmas piadas e acreditando que nossas histórias são lendárias e que o rock’n roll ainda faz algum sentido. Também andei por Porto Alegre e aproveitei pra beber com boa parte dos malucos que eu bebia por lá. Comi o churrasco barato do Giovanazz, bebi a bebida cada vez mais cara do velho Van Gogh e ainda tomei umas cervejas com meu ídolo Júlio Reny num restaurantezinho de comida mineira numa esquina qualquer da Getúlio perto da casa de sua mãe. Não podia tá mais satisfeito. Fato é que agora falta pouco mais de uma semana preu cair fora. Tô sem doenças raras e malucas, sem mulheres malucas e abortos programados e guerras particulares. Apenas eu e meus poucos hábitos perigosos e prazeres baratos (e meus gibis do Constantine). Uma garota bacana me espera e, além disso, ela tá com um novo livro de poemas do Bukowski, caso aconteça alguma cagada. Enquanto não chego vou ouvindo aquele disco do Freewheelers no headphone (valeu, Bortolotto, por indicar essa) e tô quase certo de que ele vai ficar aqui pra sempre, como mais uma dessas bobagens essenciais que a gente vai transformando em sagradas.

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