Richard Brautigan (poemas)

traduzidos mal e porcamente por mim:

Soneto

O mar é como
um velho poeta da natureza
que morreu de um ataque cardíaco
em um banheiro público.
Seu fantasma ainda
assombra os mictórios.
De noite dá pra
escutá-lo caminhando
descalço
na escuridão.
Alguém roubou
seus sapatos.
Poema de amor

É tão bom
acordar de manhã
sozinho
e não ter que falar pra alguém
que você lhe ama
quando não lhe ama
mais.

O poema bonito

Eu vou pra cama em Los Angeles pensando
em você.

Mijando, há alguns minutos atrás,
olhei pro meu pau
com afeto.

Saber que ele esteve dentro
de você duas vezes hoje faz com que
eu me sinta bonito.

traduzidos por Joca Reiners Terron:

fotografia 3

Um moleque idiota
e assustado
mandando
sua sombra
cair fora.

dito profundo 3

Se os beijos
de sua garota
fazem
seus joelhos
fraquejarem,
ela pode ser
uma vampira.

fotografia 6

Uma borboleta
dando
um cagão.

questão 1

É contra
a lei
tomar
sorvete
no inferno?

3 Respostas to “Richard Brautigan (poemas)”

  1. eve Says:

    Fodaaaaaaaços, Bandido! Principalmente o “poema de amor”, que me remeteu a “fim de festa”, do Itamar Assumpção e que por inoperância não postei pra você, e “o poema bonito”, uma das coisas mais bonitas que já vi expressas vindas de um homem. valeu por mais essa. abração.

  2. eve Says:

    talvez não tenha sido só inoperância da minha parte. é que não achei “fim de festa” na voz do Itamar. e tem que ser na voz do Itamar. mas, de qualquer jeito, “o poema do amor” tá no podium.

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