livre é o lutador de sumô

Eu tenho revisado um livro e começado a esboçar um romance. Tenho escrito uma nova peça de teatro, tô tentando escrever um curta metragem de terror com ideias minhas e do diretor Leandro Afonso e espero começar a montar a peça Gengivas Sangrentas logo. Mas quando eu tô sem muita disposição ou saco pra todas essas coisas, abro um arquivo que mantenho salvo no word e escrevo qualquer coisa por ali. O batizei de Livre é o lutador de sumô. Acho que de repente até pode virar uma espécie de livro de fragmentos e memórias algum dia. Mas por enquanto, é só o que me vem na cabeça. Sem revisão. Serve pra me conhecer um pouco. Às vezes começo a escrever alguma lembrança da infância e a conclusão é a de que o catolicismo deixou marcas profundas em mim. Assim como o bar. Acho que é uma boa linha pra percorrer todos os fragmentos se um dia pensar em lançá-los. Jesse Custer, da grande HQ Preacher, dizia que era mais fácil encontrar Deus no fundo de uma garrafa do que na igreja. Cazuza escreveu que o banheiro é a igreja de todos os bêbados. Eu acho que dá pra encontrá-lo em qualquer lugar. Mas me parece inegável que sou uma cria da igreja e dos bares quando leio algumas dessas coisas que escrevo. De vez em quando vou postando uns trechos dele por aqui. Os trechos menos importantes, é claro. Bobagens sobre padarias, charutos, mulheres e tacos de golf.

2.
Padarias são ambientes nefastos. Feitos para roubar dinheiro dos filhos de Deus. Por mais tosca, pobre, simples e humilde que seja uma padaria, o homem por trás dela vai tá sempre roubando do resto de nós.

3.
Desprezo padarias que são na verdade lojas de conveniência e vendem enlatados, produtos de limpeza e todo o tipo de merda que faz o pão ser apenas um detalhe de alto custo. Minha ideia de padaria é a de um lugar onde fazem e vendem o pão. Se dedicam inteiramente a ele. E o pão deve custar cinco centavos. Se você não tiver dinheiro, o padeiro dirá: Tudo bem, leva de graça. Mas não torne isso um hábito.

10.
Auto-ajuda: caminhe até a tabacaria mais próxima, mesmo que ela fique longe, compre um charuto avulso de três reais e fume-o pensando nos seus principais problemas. Um de cada vez.

13.
Sou capaz de me apaixonar mais de uma vez na mesma noite. De tesar nas velhas do hospício, nas babacas de academia, nas cabeças de crack, nas mendigas com camadas e mais camadas de sujeira em suas coxas de fora, essas que geralmente me pedem comida ou remédios para seus filhos, nas crentes andando pela cidade com suas saias longas e cabelos cumpridos, nas pequenas impossíveis do ensino médio, nas namoradas de amigos, nas mães de amigos, nas sogras e enteadas e primas, nas mimadas malas dos cursinhos pré-vestibular, nas atendentes de shopping center e nas faxineiras de mãos calejadas. Sou capaz de desejar todas as passageiras do ônibus mais lotado da cidade. Acredite, algumas delas nenhum tipo de homem normal, desses que lhe dão passagem no trânsito, que buzinam quando você não percebe que o sinal abriu, desses que seguram suas sacolas no metrô, que perguntam se podem dar seu troco em balas, enfim, nenhum desses as desejaria tão facilmente. E também sou capaz de me deitar apenas com a minha mulher. A vida inteira. Excluir do meu ego qualquer possibilidade de conquista. Me transformar num devoto tranquilo e derrotado. Só que no fim, por mais que todas as mulheres possam ser bonitas e desejáveis e dignas de suicídio ou de crimes passionais, a única mulher que me interessa é a mulher do toureiro. 

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