Dentes da memória

Tô lendo o livro Dentes da Memória, uma biografia/história oral da geração de poetas da contracultura brasileira, como Piva, Willer, Franceschi e Bicelli. O livro é importante pra sacar qual era a onda deles além desses rótulos eternizados que se lê e ouve em tudo que se fala deles hoje em dia. Além disso, tem relatos muito divertidos de delinquência romântica de classe média juvenil, como roubos de livros, bebidas, e o Willer entrando armado num hospício tentando tirar seu amigo de lá, e as aventuras e descobertas sexuais do jovem Piva. Saquem esses trechos:

 

Piva (a respeito do livro Paranoia): Minhas vivências estão ali. Eu tinha um amante judeu que estudava no Mackenzie. Ele namorava com uma lindíssima alemã ruiva e gostava que ela se fantasiasse de nazista e batesse nele. Depois ele vestia as calcinhas dela e trepava comigo, com ela assistindo. Não posso dizer quem são as pessoas. Mas isso está em “Paisagem em 78 R.P.M”:
“e
a nossa
amante ruiva bota no pescoço um
lenço verde de Tolstoi”

piva_minha_e_antiga

Willer – Um dia o Piva apareceu eufórico – porque ficava circulando na região de São Luiz e colecionando histórias. Tinha tomado conhecimento de um pederasta cujo prazer sexual consistia em contratar um monte de rapazes e reunir todos em seu apartamento. Então saía da sala, voltava pelado andando de quatro com um espanador enfiado no ânus, enquanto os rapazes tinham que ficar repetindo “lá vem o pavão, lá vem o pavão”, até que ele tivesse prazer sexual. O Piva é ciclotímico, e durante esse tempo, se amarrava em colecionar essas histórias. Depois curtiu outras coisas.

Piva – Eu tive minha revolução sexual aos seis anos. Isso era muito comum. Os anos 40 foram muito propícios a isso por causa dos gibis. Havia as coxas do Príncipe Submarino, Tocha Humana & Centelha, Batman & Robin – sempre pares homossexuais. A gente achava intrigante o que o milionário Bruce Wayne fazia na mesma cama que o colegial Robin, eles dormiam juntos. Fora isso tinha uma molecada lá perto de casa que fazia o diabo sexualmente. Fazíamos estripulias completa. No mais completo projeto freudiano de perverso polimorfo.

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