Reny/La Carne

Julio Reny. Meu maior mestre. Eu sempre atiro pra matar, ele diz. O que mais sinto falta de Porto Alegre é de, de repente, ficar sabendo de algum show dele no Ocidente ou qualquer café do Bom Fim e poder ir lá, quase sempre sozinho, pra ficar assistindo o mestre disparar suas canções em um público fiel e minguado. Teve um show dele no Becco, acho que a plateia era eu, o Ricardo Ara e uma mulher. Ficamos assistindo junto com os dois seguranças da casa. Foi tão bom quanto shows que ele fez em lugares mais cheios. Eu vi essa mulher em todos os outros, uma bela mulher de meia idade pálida e com cabelos escuros, meio maluca, cantava e dançava todas as músicas, sempre sozinha. Eu ficava bebendo um whisky em algum canto e olhando ela e sacando todas aquelas melodias de novo. Não existe uma noite com show do Reny que não seja uma boa noite. Pelo menos pra mim. Me identifico pra caralho com seu jeito de ver a vida e com suas composições. Além disso, nós temos a infelicidade de ter um rastro de mortes e perdas nas nossas costas. Pouco antes de ir embora de Porto Alegre, conversei com ele numa cantina italiana ao lado da casa da sua mãe. Ele me contou que, nos anos 80, tava achando o rock gaúcho muito machista e pediu pra namorada dele, a poeta Jacquelline Vallandro, que tava morando aqui na Bahia, escrever uma letra. Semanas depois ele recebeu a carta com os versos de Amor e Morte, que ele musicou na hora e virou um de seus maiores sucessos. Um clássico do rock gaúcho. Fatalidade fudida que meses depois de o Reny gravá-la, a Jacquelline morreu. Foi uma conversa longa aquela, na cantina italiana bebendo cerveja. Me contou histórias fudidas, me desejou boa sorte em Salvador e depois se despediu porque tinha que levar sua mãe ao médico. Ela já tá velhinha, ele disse, Não consegue andar sozinha direito. Grande cara.

 

La Carne. Faz uns cinco anos que o Ricardo Carlaccio me mandou pelo correio uma cópia do CD da banda junto com alguns de seus livros e o documentário do Kerouac. Foi um grande pacote. Ouvir “Jukebox” foi uma daquelas raras e maravilhosas descobertas. E isso que eu já a conhecia pela versão do cd da Tempo Instável, banda do Mário Bortolotto, que também é bacana, mas tem outra pegada. É uma dessas músicas que vou ouvir a vida inteira e a sensação de surpresa vai continuar (assim como Nunca Quisé, dos Intoxicados). Que letra. Que música. Pena que não achei a versão de estúdio no youtube nem em nenhum lugar pra postar aqui. Mas vai um show onde ela encerra o set list.

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