Rock The Casbah

 

Era quarta de noite, tava chuvendo pra caralho, mas a gente queria sair. Então fomos no blues. Tem um lugar aqui que tem blues toda quarta-feira. Não que eu vá pelo blues. É cover e eu não curto muito escutar a milionésima banda do mundo tocando Muddy Waters. Na verdade, geralmente, quando a banda começa a tocar, a gente vai embora beber em outro lugar ou direto pra casa. A bebida é cara pra caralho lá também. Então costumo encher meu cantil de whisky e só comprar uma ou duas vezes alguma coisa. Por que eu vou? O DJ é muito bom, tem garotas jogando bilhar (e isso é uma das sete maravilhas do mundo) e minha mulher gosta de dançar de vez em quando (outra maravilha do mundo). O DJ manda coisas como Johnny Cash, Cramps, The Head Cat e eu fico vendo minha mulher dançar e bebendo o bourbon do meu cantil. Ainda temos um pouco de Jim Beam e um pouco de Jack Daniels do estoque que fizemos quando fomos pro Uruguai. Como ontem tava chovendo pra porra, a gente achou que ia ser as únicas pessoas, mas a cidade tá cheia de turistas então tava cheio. Lá pelas tantas, enquanto rolava um The Pogues ou algo parecido, vários iranianos entraram dançando fazendo todo tipo de cirandas e troca de braços e invadiram a pista e ficaram lá se divertindo, pintados ainda do jogo em que levaram 3 da Bósnia e com bandeiras e fedendo a suor e tudo o mais. Foi bacana vê-los se divertindo. Eu nunca soube me divertir daquele jeito, e quase nunca vejo muita graça na euforia alheia, mas ontem foi bacana. O DJ se animou e teve a manha de colocar logo Rock the Casbah pros iranianos dançarem. Aqueles caras barbudos e baixinhos com suas belas garotas pálidas de cabelo crespo, todos bêbados e livres cantando The Clash. Depois, o DJ teve outra manha de lançar um Camisa de Vênus e todos rodaram com Simca Chambord. São bonitas as iranianas. E ainda me dão a impressão de que têm pelos nas axilas e, claro, muito pelo lá embaixo, o que me anima ainda mais. Ficamos olhando e bebendo por um tempo. A banda começou, eles são bons, parecem ser caras que já rodaram muito na cena local, pelo menos na minha impressão de quem não conhece muito a cena daqui, nada mais justo do que se reunirem quarta-feira e tocarem covers de bons e velhos blues e, embora a bebida seja cara no bar, nesse dia, não cobram nada pra entrar. Nada mais justo. Fomos embora.

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