são paulo

Acabei de chegar de São Paulo. Saí de lá às nove da manhã. Dormi umas quatro horas nas últimas 48, mas foi mó bacana. Eu e Camila chegamos cedo lá no sábado. Fomos pra Galeria do Rock comprar umas camisas e uns cds (foi muito maneiro na Baratos Afins, perguntei prum cara o que tinha do Julio Reny, ele não pareceu saber, então o lendário dono pulou e disse, tá em MPB, tem uns dois cds dele aí. E não é que um deles era o Último Verão? Por míseros 22 reais? A última vez que vi uma cópia dele em Porto Alegre tava bem mais do que isso. “Esse gaúcho é bom, é muito louco”, ele disse, “Ele e o Nei Lisboa”) e depois ficamos caminhando por lá até a Liberdade onde encontramos o Leo Yang e a Letícia. Eles passaram dez dias aqui no nosso muquifo em Salvador no mês passado. Pra quem não sabe, o Leo é o tatuador e desenhista que faz a hq Cem Paus comigo e que fez o desenho da capa do livro. É um chinês maluco e endiabrado – na estadia na Bahia, destruiu mais o apartamento do que nosso cão Chet Baker, e ele é um puta cão maluco e endiabrado – mas ele é brother pra caralho. Camila foi prum curso dela e então nós ficamos andando por aí. Ele nos levou em um pé sujo chinês onde se podia comer uma fritura com carne de porco dentro que era boa pra caralho e mais um pratão de massa de arroz com carne de porco também, tudo muito barato. Depois ficamos caminhando pela cidade, conversando e bebendo umas cervejas. Ele tinha perguntado se eu tava ansioso ou animado por lançar um livro. Claro que perguntou isso com ironia. Porque ele me conhece. Mas daí eu pensei um pouco e só concluí ainda mais que nada dessa coisa tem sentido nenhum, não pra mim pelo menos, nada da vida tem, eu até digo mais ou menos isso num conto do livro: “De qualquer forma, o que vem depois da derrota ou da vitória é sempre um cruel e despretensioso E daí?”. Então me peguei falando qualquer coisa sobre o desânimo e a desesperança, daí o china disse algo como ‘sei como é, mano. Às vezes tenho essas fita também. Se bem que a gente é diferente. Eu sou um santo querendo ser pirata. Você é exatamente o contrário’. Quando chegamos no lançamento, armados com uma garrafa de Domecq que o Leo comprou pra gente, a Camila já tava lá na frente do teatro com o Calixto. O Ricardo Carlaccio e a Fabiana também tavam por ali, no meu livro tem um poema que se chama ‘Por onde andará Ricardo Carlaccio’, por sinal. Mó bacana conhecer eles. E é mó bacana o espaço do Cemitério de Automóveis. E é mó bacana que um cara como o Mário Bortolotto tenha esse espaço. Na real, ele só deve ser um puta espaço bacana porque é do Bortolotto e de todos esses outros caras fodas que trampam lá. Eles fizeram a gentileza de deixarem duas entradas pra peça Killer Joe reservadas pra eu e pra Camila, porque ela tá enchendo todos os dias. Então eu pude ver a peça – puta elenco e grande texto, claro que o Mário iria dirigir bem um texto desses – e por isso o lançamento até que fez algum sentido afinal. Também pelo motivo de conhecer todo um pessoal bacana que eu só conhecia pela internet e rever a Heleninha Hutz, que fazia mó tempão que eu não via. Claro que eu não conheci muito esse pessoal porque não sou lá a pessoa mais sociável e aberta do mundo e infelizmente só pude beber por lá uma noite, mas é bacana ir além de perfis no facebook. Depois a Eve, o Leo e a Letícia ainda nos levaram pra comer no Estadão. Caralho, aquele sanduíche de pernil, porra! E de lá fomos direto pro show da Saco de Ratos no Clube Noir. Sem palavras além das duas possíveis: Rock’n Roll. O dia acabou às sete da manhã com o senhor Ming, pai do Leo, me dando uma carona pro aeroporto. Voo difícil e turbulento, pior pra mim que tava cheio de conhaque e cerveja no corpo. Um embrulho no estômago e as músicas do Buddy Holly passando na cabeça, tão ligados? E daí?

11 Respostas to “são paulo”

  1. Fabio Brum Says:

    prazer real te trombar por aqui, cara.

    grande abraço

  2. Pedro Pellegrino Says:

    Animal! Abração,punk.

  3. Paula Klaus Says:

    eu gosto quando as pessoas se materializam fora da rede. a vida real, na real, é uma merda mesmo mas são esses encontros e noites que fazem a gente ter alguma coisa que pode até ser confundida com esperança. eu achei muito legal ver vocês lá no Teatro. parabéns pelo livro, Bruno! um beijo.

  4. Mauro Pascotto Says:

    Ô projeto de viadinho, nem avisa porra! Ta aqui ainda?

  5. Aldo Jr. Says:

    Cara, que foda que eu não estava em São Paulo por esses dias… infeliz desencontro.
    Faz um tempo que não vejo o Carlaccio também. Bom saber que ele ainda anda por aqui… vivo na região e não o vi mais. Faz mó cara…
    Parabéns pelo livro! Quando chegarem mais, me avise – eu quero um. E mais que isso: quero te mandar um meu. Saiu mês passado, uma antologiazinha com poemas de todos os tempos… deve ter uns 30. Se tiver afim, manda endereço que te envio pelo Correio.
    Abraço!

    • brunobandido Says:

      vou te colocar na lista então, Aldo. e vou te mandar um e-mail. O Carlaccio, pois é, ele disse que tá trampando e estudando muito, aí fica difícil aparecer e escrever. abraço.

  6. Mauro Pascotto Says:

    Pena mesmo. Bom, quero um livro também, Quando chegar me avise por favor pelo mauro@aryoleofar.com.br , aí eu verei com certeza. No face passa muita coisa batida por causa dos spams. Abração

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