sobre a vida 3

Esses dias, eu tava lendo um livro no trabalho e tem uma hora que um garoto diz que vem tendo sonhos eróticos com Yvette Frank. Fiquei me perguntando se era uma mulher famosa ou apenas alguma personagem do mundo dele. Quando o capítulo acabou, digitei Yvette Frank no google, não achei nenhuma personalidade com esse nome. Algumas contas de redes sociais apareceram. Cliquei num Twitter e essa Yvette Frank compartilhava vários links de Sons of Anarchy, uma das minhas séries favoritas. Inclusive uns links bem bacanas, com entrevistas e matérias que gostei muito.

Quando eu trabalhava na Livraria, tinha um lance de fazer propostas pros clientes com e-mails cadastrados. Chegava um novo lançamento do Philip Roth, eu puxava um relatório de todos os clientes que já tinham comprado algo do Philip Roth ali e mandava um e-mail com informações do novo livro. Um dia, puxando relatórios de quem comprou a primeira temporada de Game of Thrones, pra oferecer a segunda, eu descobri que, em um mês, quatro clientes com o nome Beatriz compraram o box. Não é tão comum assim. Quatro Beatrizes da mesma cidade comprarem o mesmo produto na mesma livraria com poucos dias de diferença. Ampliei a pesquisa pra todas as unidades que a livraria tem no país, mas nenhuma Beatriz (a não ser as de Salvador) havia comprado esse produto. Mostrei isso prum vendedor novato que eu tava treinando, ele achou curioso, mas não pareceu achar tão curioso quanto eu. Se Deus existe, essa é a prova, eu disse pra ele. Ele ficou quieto.

Costumo sair com meu cachorro quase todos os dias. Às vezes solto ele em algum lugar pra correr enquanto eu fico sentado, às vezes nós dois damos uma longa caminhada pela orla. Numa dessas longas caminhadas, um pessoal do Nordeste da Amaralina tava sentado na calçada, esperando um campinho de futebol vagar. Um deles me parou, como se me conhecesse, perguntando como eu tava, se eu tinha voltado, como tinha sido a viagem. Tu tá me confundindo, cara, eu disse. Ele pensou que eu tava brincando, todos eles começaram a rir, ele insistiu na conversa, eu disse É sério, cara, não sou eu não, ele ficou meio puto, o clima começou a ficar um pouco tenso, o cachorro foi se afastando e eu resolvi me afastar também. Ainda pude escutar o cara me xingando porque eu tava sendo escroto com ele. Dois meses depois, em outra caminhada, um vendedor de coco gritou pra mim do outro lado da rua, me deu oi, celebrou o fato de eu ter voltado e gritou Bora Bahia. Dessa vez eu apenas acenei, pensando que realmente um cara muito parecido comigo (e muito mais sociável) deve ter vivido nessa zona. De lá pra cá, sempre que faço esse caminho, muitos desconhecidos me dão oi. Mas eu sempre tô com o cachorro, eles nunca comentaram nada sobre o cachorro, parece normal, pra essas pessoas, esse cara parecido comigo passear com o cachorro, como se ele sempre tivesse feito isso.

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