O final deste conto que um cara resolve botar a cadela da família no carro e abandonar ela em algum lugar – Jerry, Molly e Sa – é bastante citado pela internet. Esse trecho aqui, que logo depois de se desfazer do bichinho, ele para no bar, é tão bacana quanto:

“Após quatro cervejas, uma moça com um suéter de gola alta e sandálias, carregando uma maleta, sentou-se ao seu lado. Pôs a maleta no intervalo entre os bancos. (…) Ela disse a Al que seu nome era Molly, mas não deixou que ele lhe pagasse uma cerveja. Em vez disso, propôs que dividissem uma pizza.
Ele sorriu para Molly, e ela sorriu de volta. Al pegou seus cigarros, seu isqueiro, e pôs em cima do balcão.
– Uma pizza, vá lá! – concordou.
Mais tarde, Al disse:
– Posso te dar uma carona pralgum lugar?
– Não, valeu. Tô esperando alguém.
– Pra onde vocês tão indo?
– Lugar nenhum. Ah – Molly exclamou, tocando a maleta com a ponta do pé. – Você está pensando nisso aqui? – e riu. – Eu moro aqui em West Sac. Não to indo pra lugar algum. Aí dentro tem só um motor de máquina de lavar da minha mãe. Jerry, o garçom, é muito bom pra consertar coisas quebradas. Disse que consertava de graça pra mim.
Al se levantou. Cambaleou um pouco ao se voltar pra ela. Disse:
– Bem, até logo, querida. A gente se vê por aí.
– Certo! – respondeu ela. – E obrigada pela pizza. Não comia nada desde a hora do almoço. Ando fazendo força pra perder um pouco disso aqui. – Levantou o suéter e apanhou na mão um punhado de banha da sua cintura.
– Tem certeza de que não quer que eu te dê carona pra algum lugar?
A mulher balançou a cabeça.
No carro outra vez, dirigindo, Al procurou os cigarros e depois, com mais ansiedade, o isqueiro, lembrando que tinha deixado tudo em cima do balcão, no bar. Foda-se, pensou, deixa ela ficar com tudo. Deixa que ponha os cigarros e o isqueiro na maleta junto com o motor da máquina de lavar. Registrou mais essa despesa na conta da cachorra. Mas que fosse a última, por Deus! Ficou furioso porque a moça não tinha se mostrado mais amistosa, logo agora que estava pondo as coisas em ordem. Se tivesse num estado de espírito diferente, podia ter trazido a moça pro seu carro. Mas quando a gente está deprimido, isso transparece, até no jeito de acender um cigarro.”

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