crepúsculo da importância

Ando inventando histórias de fantasmas. Tem um casarão antigo aqui perto de casa e me parece impossível que não tenha algum ali. Mas existem fantasmas maiores, que eu esqueço entre um episódio e outro de Demolidor ou um vômito e outro por causa de conhaque estragado e cerveja ruim. Ando escrevendo uma história de fantasmas. Navio de crianças é o nome. É prum libretinho que o Kleber Felix pretende lançar no selo dele. Mas eu não tenho certeza se há um fantasma que preste nela. Tem a confusão, os olhos mais escuros são sempre os olhos da confusão. Enquanto isso vejo as pessoas dançando no bar. Os rapazes satisfeitos com a pobreza da alma. Amigos felizes e apaixonados. E eu fico contente por eles. Um deles diz que não há nada melhor que gozar dentro da pessoa que ama. Caralho, eu fico contente por ele. Mas também penso no absurdo que é a ideia. Desde quando o amor cabe dentro de uma trepada? Alguém inventou isso, é óbvio, e eu só espero que as pessoas acreditem nessa merda e não apenas finjam que acreditam. Ninguém precisa ser tão ferrado. Nem o Frank Castle ficou ferrado por causa do amor. Ele simplesmente já era – as pessoas bolaram o funcionamento da vida pra que ele seja como uma máquina de fazer desculpas, então a gente finge e põe a culpa nos livros, nos lutos, na porra do James Dean ou sei lá – mas a gente já é. E não tem nada de mais. Nunca, pelo amor de Deus, nunca na vida, nada terá algo de mais.

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