Clint Eastwood

Anos depois da lendária antologia Charles Bronson, eis que surge no ar a Antologia Clint Eastwood. Tem texto meu .

“(…)
Roubei minha mulher de um pianista. Um dos péssimos. Ele tocava de vez em quando no bar da Tina em Brotas e toda noite cobrava seu couvert num rodízio de churrasco metido a granfino. Eu era habitué. Do bar da Tina, é claro. Lá eu conhecia grande parte dos vagabundos que depois ia prender. E bebia com eles. Não é porque uma pessoa é uma péssima pessoa que ela não seja uma ótima companhia no bilhar. Isso é até inversamente proporcional, eu suponho. Eles gostavam de jogar com um policial, achavam que um negócio desses podia salvar sua pele em uma enrascada ou que, sei lá, eu acabaria me corrompendo. Bem, eu não sou um bom cristão, já cobicei a mulher do próximo e, Deus me perdoe, roubei de pai e mãe. Mas sempre tentei ser. Era isso o que me deixava de igual pra igual com os bandidos. É o que todo bandido tenta, ser a merda de um santo.
(…)”

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