wood shakespeare

Eu lia esse gibi em que a caveira do cemitério se amarrava num monólogo. Era como Shakespeare, só que misturado com Ed Wood. Eu ria pra caralho assistindo Nós Jogamos com os Hipopótamos. Era bacana não trabalhar. Naquela época ainda podia aparecer uns peitos na Sessão da Tarde. O meu sofá fedia a suor. Eu fodia com minha mulher quatro vezes ao dia. E duas noites por semana ainda fodia com outra. Ah, sim, sempre acreditei em Deus. Saca só, meu crucifixo é do tamanho de um punho. E tem esse escapulário que minha vó me deu há uns vinte anos e ainda não arrebentou. O lance é que não consigo prestar atenção no que o padre fala. Eu fico olhando as mulheres, mães, filhas, porra, quando eu vou na igreja eu só penso em foder. Mas de noite eu rezo. Toda noite. Pai Nosso e Ave Maria. Sei Salve Rainha de cor. Não quero conversar com Deus. Eu falo essas frases que eu decorei. São as únicas coisas que decorei na vida. Minha memória é uma merda. Nem Detalhes do Roberto Carlos eu decorei e é a música mais linda que se pode ouvir nesse planeta. Não sei que diferença faz, provavelmente nenhuma, eu só penso as porra das orações antes de dormir. Que diabo interessa? Eu não entendo vocês, os ateus. Minha mulher, por exemplo. Sempre fica me olhando com uma cara de Que porra cê tá fazendo? quando eu começo a fazer o sinal da cruz deitado na cama. Aí eu acabo, faço o sinal da cruz de novo e durmo.
Ela deve ficar lá pensando: Mas que cara cheio de merda…

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