poema nº 62

Olhos de papel

Acha isso engraçado?
Minha voz te assusta
as camareiras estão no quarto
à esquerda, com copos
na parede
– o coração é um hamster no
micro-ondas
Se fôssemos católicos o suficiente
ou malignos o suficiente
jamais passaríamos fome
Sonharias devagar entre meus dedos
o sol esporrando nas persianas
as sirenes lá fora que só
servem pra colorir a cidade
Despejar em minhas pálpebras
o sangue do pó e sangrar
escondendo o útero na bolsa
Olhinhos de papel
lírica de rock argentino
Brigando por um chupão
como se teu marido
ligasse para bichos de estimação
segredos distantes
e orações escuras
Que a noite não nos mate
e que a tua bunda nos coma

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