poema nº 72

Ontem no solstício de inverno

 

Toda pedra é uma consciência adormecida

me disse um buda adormecido

numa estação de trem em Rishikesh

– onde encontrei a paz

quarenta e nove graus celsius

superpopulação de moscas e pessoas

dois ratos dividiam

conosco o vagão – dentro de mim.

E todo deus é OM pois todo deus

são todos os mantras e orações

sorriu o buda adormecido

e estendeu suas mãos malucas

como se bebesse água de

um riacho filipino dentro de mim.

Nessa altura, o carinho desmemoriado

de meu cão me fazia lembrar

Helena Blavatsk e as bruxas chapadas

sorriam lá fora sem conseguir falar e

traiam seus namorados e lambiam

o pescoço do destino

e toda folha que arranquei de toda

planta formava em minha sala

o grande espelho vulgar.

Ontem no solstício de inverno

a garota que tem me visitado

tirou sua roupa e parecia

mais linda e parecia a Virgem

com a fumaça de seu punhal azul.

Seu filho (que ainda não existe)

dormiu sorrindo

assistindo aos Simpsons no sofá.

 

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