Archive for the ‘Açougue Pop’ Category

discípulo descrente

07/08/2014

Neste sábado vou ser mais um discípulo descrente e participar do show do Reverendo T nesse grande festival aqui de Salvador. Vou ter a honra de tocar duas músicas com o Reverendo, de autoria dele, e depois mandar mais duas ou três minhas. Afudê. O show é cedo, lá pelas 18h. Nesse dia do festival também tocam Prof. Doidão e os Aloprados, Zefirina Bomba, Novelta, The Honkers, The Sexy Drivers e The Pivos. Até lá.
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puta de toulouse

07/07/2014

dizem que alguns gatos pretos,
durante a noite,
viram dançarinas de cabaré
– talvez
por causa de toulouse-lautrec.
por sinal,
você parece uma de suas
putas.
deitada na cama
com as tetas de fora
completamente sozinha.

Reny/La Carne

23/05/2014

Julio Reny. Meu maior mestre. Eu sempre atiro pra matar, ele diz. O que mais sinto falta de Porto Alegre é de, de repente, ficar sabendo de algum show dele no Ocidente ou qualquer café do Bom Fim e poder ir lá, quase sempre sozinho, pra ficar assistindo o mestre disparar suas canções em um público fiel e minguado. Teve um show dele no Becco, acho que a plateia era eu, o Ricardo Ara e uma mulher. Ficamos assistindo junto com os dois seguranças da casa. Foi tão bom quanto shows que ele fez em lugares mais cheios. Eu vi essa mulher em todos os outros, uma bela mulher de meia idade pálida e com cabelos escuros, meio maluca, cantava e dançava todas as músicas, sempre sozinha. Eu ficava bebendo um whisky em algum canto e olhando ela e sacando todas aquelas melodias de novo. Não existe uma noite com show do Reny que não seja uma boa noite. Pelo menos pra mim. Me identifico pra caralho com seu jeito de ver a vida e com suas composições. Além disso, nós temos a infelicidade de ter um rastro de mortes e perdas nas nossas costas. Pouco antes de ir embora de Porto Alegre, conversei com ele numa cantina italiana ao lado da casa da sua mãe. Ele me contou que, nos anos 80, tava achando o rock gaúcho muito machista e pediu pra namorada dele, a poeta Jacquelline Vallandro, que tava morando aqui na Bahia, escrever uma letra. Semanas depois ele recebeu a carta com os versos de Amor e Morte, que ele musicou na hora e virou um de seus maiores sucessos. Um clássico do rock gaúcho. Fatalidade fudida que meses depois de o Reny gravá-la, a Jacquelline morreu. Foi uma conversa longa aquela, na cantina italiana bebendo cerveja. Me contou histórias fudidas, me desejou boa sorte em Salvador e depois se despediu porque tinha que levar sua mãe ao médico. Ela já tá velhinha, ele disse, Não consegue andar sozinha direito. Grande cara.

 

La Carne. Faz uns cinco anos que o Ricardo Carlaccio me mandou pelo correio uma cópia do CD da banda junto com alguns de seus livros e o documentário do Kerouac. Foi um grande pacote. Ouvir “Jukebox” foi uma daquelas raras e maravilhosas descobertas. E isso que eu já a conhecia pela versão do cd da Tempo Instável, banda do Mário Bortolotto, que também é bacana, mas tem outra pegada. É uma dessas músicas que vou ouvir a vida inteira e a sensação de surpresa vai continuar (assim como Nunca Quisé, dos Intoxicados). Que letra. Que música. Pena que não achei a versão de estúdio no youtube nem em nenhum lugar pra postar aqui. Mas vai um show onde ela encerra o set list.

Cem Paus

24/04/2014
cem paus
Leo Yang, além de ter desenhado a capa do meu primeiro livro (que sairá em julho) e de manter sua empresa autônoma de tatuagens Cyborgues Dirty Chinese, também desenha a história em quadrinhos Cem Paus (que tem o meu roteiro). Nossa HQ é feita na velocidade de uma idosa serpente do deserto do Mojave. Porém, hoje, o China tomou alguma droga e decidiu bolar uma pequena revistinha via xerox com a primeira parte da história. E ele também resolveu vendê-la a 4 paus para manter os seus vícios em crack e em biscoitos da sorte. Quem não for de Campinas ou de Salvador e quiser comprar, a gente manda por correio, pelo mesmo valor mais o frete. Só falar comigo ou com ele por inbox no facebook ou pelo e-mail brunobandido00@gmail.com .

 

Dentes da memória

04/04/2014

Tô lendo o livro Dentes da Memória, uma biografia/história oral da geração de poetas da contracultura brasileira, como Piva, Willer, Franceschi e Bicelli. O livro é importante pra sacar qual era a onda deles além desses rótulos eternizados que se lê e ouve em tudo que se fala deles hoje em dia. Além disso, tem relatos muito divertidos de delinquência romântica de classe média juvenil, como roubos de livros, bebidas, e o Willer entrando armado num hospício tentando tirar seu amigo de lá, e as aventuras e descobertas sexuais do jovem Piva. Saquem esses trechos:

 

Piva (a respeito do livro Paranoia): Minhas vivências estão ali. Eu tinha um amante judeu que estudava no Mackenzie. Ele namorava com uma lindíssima alemã ruiva e gostava que ela se fantasiasse de nazista e batesse nele. Depois ele vestia as calcinhas dela e trepava comigo, com ela assistindo. Não posso dizer quem são as pessoas. Mas isso está em “Paisagem em 78 R.P.M”:
“e
a nossa
amante ruiva bota no pescoço um
lenço verde de Tolstoi”

piva_minha_e_antiga

Willer – Um dia o Piva apareceu eufórico – porque ficava circulando na região de São Luiz e colecionando histórias. Tinha tomado conhecimento de um pederasta cujo prazer sexual consistia em contratar um monte de rapazes e reunir todos em seu apartamento. Então saía da sala, voltava pelado andando de quatro com um espanador enfiado no ânus, enquanto os rapazes tinham que ficar repetindo “lá vem o pavão, lá vem o pavão”, até que ele tivesse prazer sexual. O Piva é ciclotímico, e durante esse tempo, se amarrava em colecionar essas histórias. Depois curtiu outras coisas.

Piva – Eu tive minha revolução sexual aos seis anos. Isso era muito comum. Os anos 40 foram muito propícios a isso por causa dos gibis. Havia as coxas do Príncipe Submarino, Tocha Humana & Centelha, Batman & Robin – sempre pares homossexuais. A gente achava intrigante o que o milionário Bruce Wayne fazia na mesma cama que o colegial Robin, eles dormiam juntos. Fora isso tinha uma molecada lá perto de casa que fazia o diabo sexualmente. Fazíamos estripulias completa. No mais completo projeto freudiano de perverso polimorfo.

my kind of woman (it’s only armpit hair but I like it)

14/03/2014

Gosto de mulheres com pelos no suvaco. Gosto de Rolling Stones. Elizabeth Jagger, gosto de você.
elisabethjagger 1305vitrine6

E sempre me amarrei em Juliete Lewis. Como eu sou um cara bacana, ela resolveu me fazer um agrado. juliette

algo me diz

13/03/2014

algo me diz que
– em domingos
de sol –
alguns black blocs
pedalam as
bicicletinhas do
Itaú.

6º dia de carnaval na Bahia

05/03/2014

hai-cai só

dia de ressaca
vomito na privada
meu cachorro se
preocupa

Richard Brautigan (poemas)

14/02/2014

traduzidos mal e porcamente por mim:

Soneto

O mar é como
um velho poeta da natureza
que morreu de um ataque cardíaco
em um banheiro público.
Seu fantasma ainda
assombra os mictórios.
De noite dá pra
escutá-lo caminhando
descalço
na escuridão.
Alguém roubou
seus sapatos.
Poema de amor

É tão bom
acordar de manhã
sozinho
e não ter que falar pra alguém
que você lhe ama
quando não lhe ama
mais.

O poema bonito

Eu vou pra cama em Los Angeles pensando
em você.

Mijando, há alguns minutos atrás,
olhei pro meu pau
com afeto.

Saber que ele esteve dentro
de você duas vezes hoje faz com que
eu me sinta bonito.

traduzidos por Joca Reiners Terron:

fotografia 3

Um moleque idiota
e assustado
mandando
sua sombra
cair fora.

dito profundo 3

Se os beijos
de sua garota
fazem
seus joelhos
fraquejarem,
ela pode ser
uma vampira.

fotografia 6

Uma borboleta
dando
um cagão.

questão 1

É contra
a lei
tomar
sorvete
no inferno?

tramp poetry

04/12/2013

por onde andará ricardo carlaccio?


pai e filho caminhando pela cidade
forjando golpes de boxe
no ar –
a sinfonia da vida
podia ser um riff do Slash.
ele para nas casas lotéricas,
dá um bilhete ao garoto e diz
Compre sua própria ilha
quando ganhar.
então visitam o bar
do velho Silas e
uma dose de dreher
e um copo de leite
e o garoto imagina que
tudo aquilo ali
será sua própria ilha.
ele sorri sem jeito
ao contemplar o olhar de tristeza
do pai
enquanto assiste um desfile
de mulheres bonitas
passar na tv.

hai kai de terror nº1

arrepio na espinha
– nada
me espia

hai kai de terror nº2

cheiro de sangue
dois furos
no pescoço da madrugada

hai kai de terror nº3

noite de morte
junkies invadem
a casa assombrada

hai kai de terror nº4

lua redonda
guarda noturno
desaparece no parque

hai kai de terror nº5

olhando pro nada
o cachorro late
fantasmas de barata