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Elvis – parte 2

22/10/2009

partes anteriores:

apresentação Uma canção para Amanda (Ela tem os lábios mais famosos por essas bandas. Antes de entrar no bar eu já tinha ouvido que aquelas belezinhas carnudas são capazes de assobiar todas as músicas do Jon Spencer Blues Explosion…)

parte 1O nome do cachorro (…meus pensamentos estão para a minha garota e logo eles se destroem abrindo espaço para mil planos de vingança. Tenho que honrá-la aqui na cidade….)

O anjo cortou suas asas com gilete

Tô sentado num declive de grama e olhando o sol se pôr lá no rio. Moro há três anos e  há três quadras do cais e nunca tinha feito isto antes. Fico aqui malboreando às sete da tarde e não nego que mataria por uma cerveja. Na verdade é isso que eu faço se for pensar no meu trabalho. Ganho dinheiro pra matar quem não conheço. As pessoas aqui andam faceiras, passeiam com cachorros, correm para perder quilos, caminham e se alongam. Talvez esteja na hora deu me matar, acabar logo com toda essa bobagem. É nisso que eu penso quando ouço uma voz ao meu lado, é uma garota que se sentou e eu nem havia percebido. Não faço ideia do que ela tenha falado.

“O que?” Minha voz sai embargada.

“O que é que cê tá fazendo aqui?”

“Pensando em me matar.”

“Afogado?”

“Eu não vou me matar agora, eu só tô pensando nessa possibilidade.”

Lembro do meu irmão e uma conversa quando éramos jovens. Lembro de eu comentar que o melhor jeito para se suicidar era pular na frente de um caminhão a toda velocidade. Lembro de ele me mandareu parar com bobagens.

“Você não pensa mesmo em se matar né? E se for fazer isso não vai foder a vida de um caminhoneiro. Arranja um jeito solitário pra se matar, é assim que tem que ser.” O Jesse sempre soube das coisas.

“Porra, eu escolho um caminhoneiro pedófilo, sei lá.”

“Pára com merda, Elvis. E além do mais, um tiro na boca é o melhor suicídio.” O Jesse sempre soube das coisas, como será que ele está?

“Putz, cê é tão deprimido assim?” A garota fala e me acorda de um transe.

“Eu te conheço?”

“Ah, cê  nem sabe quem eu sou ainda” Ela fala como se fosse engraçado. “Sou a Leila, sua vizinha. Apartamento de cima.” Não lembro dela, está vestida quase como uma hippie e eu não entendo uma merda destas.

“Hum, então é sua mãe que faz aquele barulho horrível de salto alto.”

“Não, eu moro sozinha. Faz tanto barulho assim?”

“Eu e minha ex-mulher costumávamos falar mal da dona desse sapato.”

“Eu, no caso.”

“É, você, mais conhecida como ‘essa filha da puta que fica andando de salto pra lá e pra cá num apartamento minúsculo’. Por que é que você faz isso, hein? Garotas ripongas nem usam essas porras.”

“Eu não sou riponga.”

“Que pena, pensei que ia ter uma companheira pra escutar Jefferson Airplane.”

“Cê gosta de Jefferson Airplane?!” Ela fala animada.

“Claro que não. E sim, você é uma hippie que usa salto alto. Um bocado estranho”

“Eu só me visto bem pra ir pro trabalho.”

“Deveria se vestir nas horas livres também.”

“Cê é mó velho engraçadinho né?”

“Sou, por isso que tô pensando em me matar. Ninguém gosta de engraçadinhos.”

“É por causa da tua ex-mulher? Por isso que não vi mais ela lá, te deixou?”

“Assassinato.”

“Porra, lamento, que merda.”

“Nem esquenta”, eu digo pra ela que começa a enrolar uma erva. Ficamos um tempo em silêncio até que ela lambe a seda e pede fogo. Alcanço o meu Zippo do Elvis. Ela vai fundo e puxa seu baseado impunemente olhando o pôr do sol, sentada na grama e vestida com sandálias e um vestido de pano. Eu conheço esse tipo, deve estudar ciências sociais, comunicação, teatro ou qualquer merda do tipo. No trabalho deve ser uma estagiária que faz serviço de secretária para algum idiota.

“Você é a figura mais estranha nesse cais. Essas botinas, calça de sarja, camisa fechada.” Ela me diz assoprando a fumaça que resolveu poupar de sua garganta.
“Acredite, se eu estivesse como esses caras de calção e regatas eu estaria bem mais estranho do que pareço.”

Ela ri como só se ri depois de fumar umas bolas e me estende o cigarro, não sou chegado na maconha, mas muito de vez em quando dou umas tragadas. Pego o bagulho da sua mão estendida e jogo o filtro de Malboro no chão.

“Porra, cês eram um casal tão esquisito que teve um assassinato no prédio e ninguém fez fofoca.”

“Tenho a impressão de que eles devem pensar que fui eu quem a matei.”

A gente ri como só se ri depois de fumar umas bolas. E enquanto eu levo o baseado pra boca com uma mão, a outra está na grama apoiando minhas costas. Ela começa a acariciar essa mão e eu apenas deixo que a fumaça suba pra cabeça e olho o sol que já toca o rio e vou arranjando uma bela duma desculpa para os meus olhos vermelhos.

Ela meio que se convida para entrar quando chegamos na porta do meu apartamento, mas eu digo que estou ocupado. Coloco um velho Presley na vitrola, acaricio meu cusco Edmundo e adormeço chapado, é a primeira vez que durmo fácil depois que mataram Priscila.

“Elvis, você deveria se ajudar um pouco”, ela me diz.

“Porra, eu tenho tanta saudade dessas tuas pernas.”

“Eu deveria ter vindo com calças.”

“Você é a minha garota. Jamais faria uma coisa dessas.”

“Vim te dar um conselho.”

“Não adianta, garota. Eu tentei, mas não consigo ler Pound.”

“Não te afunda em piadas sem graça, Elvis. Isso é só um jeito fácil de carregar a tristeza.”

“A gente não vai falar dessas coisas agora né?”

“Droga, atende o telefone.”

Acordo com o telefone tocando e de pau duro. Priscila tava bem pra caralho, ela e suas pernas arrebatadoras. Só pode ter sido a bosta daquela maconha que a vizinha me deu. Qual era mesmo o nome dela? Grace, ou algo assim. Essa merda não pára de tocar, seja quem for não vai desistir. Atendo e é a Rita, deve estar zangada por eu não ter ido ver o Jesse, ela não sabe sobre eu ser um viúvo agora, nem sei se ela sabia que eu era casado. Será que o Jesse sabe? Eu não sei, porra, às vezes sinto falta do meu irmão. Mas só às vezes. Rita está com a voz fodida, pergunto o que foi e ela diz que é o Jesse.

“Ele tá causando muitos problemas?”

“Muitos não. Um só, na verdade.” Puta merda, ela tá com a voz fudidaça.

“O que foi que ele fez dessa vez?”

“Se atirou do terceiro andar do hospital.”

“Desgraçado. E como é que ele tá? Digo… Fisicamente.”

“Porra, Elvis, ele tá morto.”

“…”

De repente Rita começa a gritar.

“E agora? Vai aparecer aqui ou não? Vai deixar de bobagem e se despedir do idiota do teu irmão?” Ela chora.

“Calma Rita, você não sabe o que tá se passando comigo, eu tô numa merda total.”

Eu tô numa merda total. Mas merda total é tudo o que Jesse é agora, nada mais do que isso. E nem foi com um tiro na boca. Tenho que ir pra São Paulo, segundo a Rita ele deixou coisas a serem resolvidas por lá. Levo meu Del Rey no posto para calibrar e trocar o óleo deste velho cascudo 89. Estaciono na frente do meu escritório, puta que o pariu, Fabian e Adolfo me esperam na porta pelo lado de fora.

“Bom dia, garotos. Por que vocês não têm tacos nas mãos?” Bato a porta com força e me preparo pra pancadaria.

“O nosso chefe nos mandou aqui. Quer saber a quantas anda o teu trabalho.” Intima Fabian, o mais sociável da dupla, se é que isso é possível.

“Fala pro Engomado que eu tenho pedras no meu caminho.” Digo desleixado com as costas no Del Rey.

“A gente não tá aqui pelo Alex. A gente tá pelo nosso chefe mesmo, o Senhor Vasquez, e não queira ver o velho perder a paciência.” Ele fica agressivo aponta o seu indicador rente ao meu nariz.

“Heh, não queira ver”, repete Adolfo, como um retardado.

“Vasquez? Armando Vasquez?”

“Sim, o manda chuva.”

Puta que o pariu. Seguro o pescoço de Fabian, viro o seu corpo e o colo com os beiços no capô do carro. Adolfo grita “Hey” e eu o mando calar a boca com tanta fúria que ele obedece.

“Diz pra porra do teu manda chuva, que eu não vou matar o Senador”.

“Isso não é uma questão de escolha.” Responde Fabian enquanto beija o Del Rey.

“Ah se é. Pode dizer pro Armando que a pessoa que eu vou matar não é o tal Paim, e sim a porra do filho dele.”

“O que é que o idiota do Edmundo fez dessa vez?”

“Nada de mais. Apenas matou a minha mulher.”

“Poxa, então ele te fez um favor.” O puxo pelos cabelos e devolvo seu rosto com força para o capô, cai duro na sarjeta. E você, Adolfo, depois de levantar o seu amiguinho, cês vão correndo contar o que eu disse pro Armando. Digam que o filho dele está com os dias contados e que o senador vai ficar sabendo do plano de seu assassinato.

“O chefe não vai gostar nada disso.”

“Até que um dia você falou algo inteligente.”

Entro no escritório. Desligo o telefone da tomada, pego uma garrafa de Red Label e vou embora. Eles já saíram dali. Tem manchas do sangue de Fabian na lataria do meu carro. Agora é passar em casa e cair na estrada hoje mesmo. Tenho que resolver as pendências de Jesse, depois eu volto e, ou eles me matam, ou vão tentar negociar. Fecho com a última opção. Quero que eles achem que eu posso negociar. Mas agora não devo pensar nisso, ganhei um presente com essa coincidência, porém uma esmola não tira ninguém da miséria. Vai ser uma longa viagem fodida essa. Só eu, o Del Rey e, porra, um bocado de fantasmas.

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o primeiro capítulo de Elvis

19/10/2009

O nome do cachorro

“Oh, Elvis, você deveria tentar ler Pound.”

“Eu já tentei.”

“Ah é?”

“Sim. Há uns anos atrás, enquanto eu comia um xis calabresa e assistia a um jogo do Palmeiras.”

“Não fode Elvis. Sua escrotice me tira do sério.”

“Verdade garota. Eu nunca perdia um jogo com o Edmundo em campo.”

“É por causa dele o nome do cachorro?”

“Ééé. Eu tava em dúvida entre Edmundo ou Tony Clifton.”

“Ai, Elvis, você devia chamar Ezra Pound.” Ela era engraçada.

Lembro dessa nossa conversa. Era um domingo de manhã e estávamos deitados na cama. Li uma vez em um livro do Stephen King que, dependendo da situação em que nos encontramos, podemos lembrar-nos de cada momento específico do passado. Algum momento perdido em algum lugar da nossa memória.  Lembro agora porque descobri o maldito nome dele, o canalha que vou perseguir até enfiar uma faca em seu bucho e fazer lingüiça com as suas tripas. O mesmo nome do melhor jogador de futebol que já existiu e o nome do meu cusco viralata, assim se chama aquele maldito que vai pagar por ter assassinado a minha garota. Vasquez é o sobrenome, que é o que importa num caso como esses. Seu pai é um velho magnata e ele um filho da puta classe média alta herdeiro de milhares de hectares de plantações de arroz. O cara tem uns quarenta anos, mas nunca deixou de ser um agroboy arrogante que abusa de sua influência econômica para não se meter em encrencas coas autoridades.

Sai por aí atirando mulheres para dentro de sua picape quatro por quatro e, se forem jogo duro, acaba logo com elas. Foi isso que ele fez com a minha amada e algo me diz que tenho que ir com calma. O telefone toca. É uma mulher que quer meus serviços de detetive para ver se o marido está lhe traindo. Não tenho tempo para esse tipo de bobagens, mando ela ligar na semana que vem e, provavelmente, isso não vai acontecer. Saio do meu escritório e não deixo o aviso de “volto daqui a pouco” na porta.

Eu estava certo. Não iria voltar daqui a pouco e também tava certo em acreditar que devo ir com calma na busca por Vasquez. Quando eu abria a porta do meu Del Rey, senti uma batida forte na cabeça, uma dor ardente desceu para o pescoço e seguiu rumo à espinha em questão de um ou dois segundos. Tudo estava escuro agora.

Estou amarrado em uma cadeira. Isso deve ter algo a ver com o Vasquez, mas então ele sabe de minha existência. Será que ele matou a minha garota Priscila por um motivo diferente do que mata as outras mulheres? Será que foi para me atingir? Eu jamais me perdoaria. Mas eu nunca tinha ouvido falar nesse filho da puta antes. Sei que deve ter muita gente por aí querendo o meu fim, mas esse tipo de pessoa não tem a mínima ideia de quem eu seja. Sempre fiz bem o meu trabalho. Puta merda, eu jamais me perdoaria. Não pode ser. Minha cabeça dói bastante e estou num lugar escuro, sinto que piso numa espécie de chão batido de terra, deve ser um galpão e galpões ficam em fazendas. Edmundo Vasques sabe quem sou. Tento me desamarrar mas os nós se mantêm fortes, escuto um portão abrindo, vejo a luz do dia  lá fora, entra um baixinho de cabelo lambido e óculos de sol.

“Desculpe pela cabeça, eu falei pro Fabian e pro Adolfo conversarem contigo antes. Mas eles não são lá muito sociáveis.”

“Quem é você?”

“Só um momentinho, se me permites. Vou te deixar mais confortável, amarrar um convidado não é algo muito educado. O senhor não acha?”

Ele caminha e me desamarra. Posso acertar um soco e tanto na cara do babaca, mas algo me diz que os caras que me pegaram tão na espreita. Eu iria para briga e começaria uma pancadaria total, apontaria a arma para alguém e obteria minhas respostas. Opa, eu não sinto a arma entre a barra das minhas calças. Eles a recolheram de mim. Eu tenho que ir com calma nesse caso.

“O que você quer?”

“Prazer Elvis, o meu nome é Alex e tenho que ter uma conversa séria com você”.

“Desculpe, mas eu não levo ninguém com cabelos engomados a sério”.

“Tudo bem. Não sou eu quem tu deves levar a sério. É o meu patrão. Ele tem um servicinho para a tua pessoa.” Eu odeio o jeito que ele fala.

“Serviço?  Então bata no meu escritório e não na minha cabeça. Eu terei prazer em lhe atender. Vou indo embora, adeus, Engomado.” Eu caminho em direção à saída.

“Eu sei que mataram a sua mulher.”

“O que você sabe sobre a Priscila?” Viro-me irritado.

“Sobre ela? Nada. Eu só sei sobre você.”

“O que o seu patrão quer?”

“Que tu mates um… Inimigo pessoal, digamos.” Será mesmo que é ele quer meus serviços ou apenas tão querendo me enquadrar? Pelo menos não parece ter nada a ver com a morte da minha garota.

“Matar? Eu sou apenas um detetive.”

“Corta essa Elvis. A gente conhece o seu trabalho. O Oliveira que nos indicou.” O General Oliveira não seria descoberto por ninguém que queira me enquadrar.

“Eu já disse, não sei de nada. E só trato de assuntos comerciais no meu escritório.”
“A gente te capturou porque o trabalho que queremos merece sigilo máximo e aceitação total.” Eles vão me obrigar a aceitar o serviço. “Nós queremos que tu mates o senador Paim.” Ele fala de um jeito como se isso fosse uma grande coisa.

“Quem é esse Paim?”

“O Senador eleito pelo estado, é claro.”

“Eu não dou bola para política. Com licença, Engomado, tenho assuntos pessoais para tratar.” Volto a caminhar rumo ao portão e dou as costas para Alex, paro antes de sair.

“Não se preocupe engomado eu não vou falar pra ninguém dos teus planos. E quanto a minha arma, eu a quero de volta.”

“Pois aqui está ela.” Eu me viro e ele já tá coa arma apontada para mim.

“Pode tentar Engomado. Mas só eu sei atirar coessa arma.”  É verdade, ela é tipo um opala que só o dono consegue ligar. Depois que digo, sinto um cano frio na minha nuca.

“A gente tem outra normal bem aqui, grudadinha no teu cangote” É a voz de um dos capangas que soa como uma risada idiota.

Aceito o serviço e recupero minha pistola. Fácil assim. Chego em casa com a cabeça a mil, são tantos problemas e o telefone está tocando. Quando o telefone toca para um detetive uma coisa é certa, nada de bom vai adocicar nossos ouvidos. É voz de mulher, pergunta se é o Elvis quem fala.
“Elvis, aqui é de São Paulo, é a Rita que tá falando.”

“A Rita mulher do Jesse?”

“Ex mulher”

“Desculpe, mas faz tanto tempo que não falo com ele.”

“Liguei pra dizer que ele está internado.”

“Como?”

“As drogas, Elvis. A depressão.”

“Ele sempre foi fraco pressas coisas.”

“Eu não posso ajudar o Jesse, Elvis. Grande parte de sua tristeza foi causada por mim. Eu to ligando porque cê tem que vir pra cá.”

“Rita, eu tenho problemas demais para ajudar um homem desse tamanho.”

“Então, cê acaba de ganhar mais um. Ele pergunta por você todo o santo dia. Bem, eu fiz a minha parte. Ele tá no Hospital do Servidor Público, é no terceiro andar. Mas é só dar nome dele na recepção.”

Ela desliga o telefone. Vocês conhecem aquela lenda que diz que irmão gêmeo sempre sabe o que o outro tá sentindo? Pois bem, cês sabem que isso é a mais pura bobagem. Há muito não quero nem saber o que ele sente, não nos falamos há anos e eu tenho dor demais para ter que sentir as dores de Jesse. Vocês estão a par dos meus problemas, conseguem me entender, não é? Talvez um whisky ajude, abro a garrafa de Blue Label, uma gentil recompensa pelo meu último trabalho. Priscila nunca deixava eu abrir, ela dizia para guardar pruma ocasião especial. Pelo jeito vai demorar pra acontecer alguma, então já tenho um copo na mão. Ela também não gostava do meu hábito de beber. As mulheres sempre implicam com, pelo menos, um dos nossos hábitos. Acho que se colocam numa competição com eles. Mas não consigo pensar muito nisso agora.

Minha cabeça dói e eu clamo por Priscila. O Edmundo percebe que estou triste e se deita encostado nas minhas pernas e lambe os meus sapatos. Coloco Houng Dog no som porque a gente adora essa música e ele agradece balançando seu rabo. Só que eu não presto muita atenção, meus pensamentos estão para a minha garota e logo eles se destroem abrindo espaço para mil planos de vingança. Tenho que honrá-la aqui na cidade. Sugo uma gole do Blue Label e nem ligo tanto assim, abro os Cantos de Pound numa página marcada por ela, bem no meio, daí eu tento ler mas encho o saco. É a primeira vez em anos que eu não consigo controlar o meu choro. Pelo menos estou sozinho e dentro da minha casa, só o Edmundo viu.

(continua)