Archive for the ‘zero’ Category

texto sobre o livro

03/09/2014

O Ernane acompanha meus textos há bastante tempo. Foi um dos primeiros a solicitar o livro comigo. Leu em um ou dois dias e escreveu este texto aí de baixo com suas impressões. Muito bacana. Se liguem:

“Estou pensando muito em almas. Uma palavra que me exige e se impõe sem que eu ouse substituí-la. Aconteceu com a leitura de “Tem um palhaço agressivo…”. A um passo do que pulsa e sofre. A voragem do poético. E as palavras que não resvalam.

De um único sentido possível para a vida através da criação artística, Bruno Bandido já sabia desde as suas mais antigas baladas ao som da elite do rock. Sabia-o muito antes.  Que aqui, sequer um lampejo, uma miragem que seja de um tempo que pudesse ser bom. E tempo bom nunca há.  Dentro de purgatórios e infernos, entes diurnos e noturnos esquadrinham as cidades, seus meandros, seus bares, sua orla. As ruas mais desertas. Quartinhos de pensão. Um pequeno apartamento dividido com amigos. Porto Alegre. Salvador.

Seres febris, bêbados, perdedores mansos, loucos santos. Solidários e no miolo da solidão: todos. Impossível não se sentir arrastado, dominado por eles no trajeto comprido de suas errâncias. Em ritmos variados eles chegam, seduzem e, algumas vezes, retornam. Almas. Fred Fudido, Cíntia Laura, Custela, Cal Canalha, Renata, Sofia…

Há nesses contos sinceridade, rigor, amor, tesão, sexo urgente,  e a personalidade de um narrador humilde  que na primeira pessoa direciona o cortejo com mãos experientes. Celebremos então.  Lendo e relendo, algumas vezes ri um pouco. Muito mais vezes, num crescendo, fiquei triste e triste. Os olhos cheios de lágrimas. Porque Literatura é emoção e também incômodo. De sangue, esperma, vômito, luto e dor se compõe este livro. Os ralos e os mornos que saiam de baixo, portanto. Que há livros assim. Que pedem seja assim. Alguns. Poucos. Este incluído.”

Ernane Catroli.

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epígrafes

02/09/2014

 

 http://antoniocicero.blogspot.com.br/2008/11/wh-auden-funeral-blues-blues-fnebre.html

 

Acho muito comovente esse poema do Auden, Blues Funeral. A última estrofe virou epígrafe do meu livro. Pois tudo mais acabará mal de hoje em diante. O último verso. Achei que cabia já que todos os contos retratam um período onde praticamente houve uma coleção de lutos, hospitais, perdas e derrotas. Blues funeral. “quantas histórias de hospital alguém consegue ouvir durante uma vida inteira?” aparece em um dos textos. E quantos funerais? E quantas mortes alguém consegue morrer até desistir de uma vez por todas dos hinos de vitória, felicidade e esperança? “Tudo mais acabará mal de hoje em diante” é uma espécie de homenagem pessimista. Gosto de pensar nisso.

***

E falando no livro, da caixa que tá pra chegar pra mim na semana que vem, a maioria já tá reservado. Quem quiser comprar comigo, deixa o nome no inbox. Também já tá à venda na Livraria Cultura e nahttp://www.bartlebeedeli.com.br/livros-ct-62fe3

epígrafes

02/09/2014

 

 http://antoniocicero.blogspot.com.br/2008/11/wh-auden-funeral-blues-blues-fnebre.html

 

Acho muito comovente esse poema do Auden, Blues Funeral. A última estrofe virou epígrafe do meu livro. Pois tudo mais acabará mal de hoje em diante. O último verso. Achei que cabia já que todos os contos retratam um período onde praticamente houve uma coleção de lutos, hospitais, perdas e derrotas. Blues funeral. “quantas histórias de hospital alguém consegue ouvir durante uma vida inteira?” aparece em um dos textos. E quantos funerais? E quantas mortes alguém consegue morrer até desistir de uma vez por todas dos hinos de vitória, felicidade e esperança? “Tudo mais acabará mal de hoje em diante” é uma espécie de homenagem pessimista. Gosto de pensar nisso.

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E falando no livro, da caixa que tá pra chegar pra mim na semana que vem, a maioria já tá reservado. Quem quiser comprar comigo, deixa o nome no inbox. Também já tá à venda na Livraria Cultura e nahttp://www.bartlebeedeli.com.br/livros-ct-62fe3

Venda dos livros

25/08/2014

Os livros que sobraram do lançamento e ficaram comigo já foram vendidos. Daqui duas ou três semanas recebo mais. Quem se interessar, fala comigo no inbox. Pra galera que já tinha se interessado e eu ainda não falei, é porque não sobrou o suficiente, mas aí já tão na lista dos próximos. Também deixei 3 lá no sebo do Tarcisio Buenas no Cemitério de Automóveis no sábado. Quando mais chegarem, vou mandar outros pra ele. Também dá pra comprar no site da editora, o link tá aí (onde também tá postado o prefácio do Bortolotto) e algum dia desconhecido entrarão no catálogo de algumas livrarias como Cultura, Saraiva etc.

 

http://www.bartlebee.com.br/catalogo/livro/tem-um-palhaco-agressivo-e-um-hooligan-triste-em-algum-lugar-aqui-dentro

são paulo

24/08/2014

Acabei de chegar de São Paulo. Saí de lá às nove da manhã. Dormi umas quatro horas nas últimas 48, mas foi mó bacana. Eu e Camila chegamos cedo lá no sábado. Fomos pra Galeria do Rock comprar umas camisas e uns cds (foi muito maneiro na Baratos Afins, perguntei prum cara o que tinha do Julio Reny, ele não pareceu saber, então o lendário dono pulou e disse, tá em MPB, tem uns dois cds dele aí. E não é que um deles era o Último Verão? Por míseros 22 reais? A última vez que vi uma cópia dele em Porto Alegre tava bem mais do que isso. “Esse gaúcho é bom, é muito louco”, ele disse, “Ele e o Nei Lisboa”) e depois ficamos caminhando por lá até a Liberdade onde encontramos o Leo Yang e a Letícia. Eles passaram dez dias aqui no nosso muquifo em Salvador no mês passado. Pra quem não sabe, o Leo é o tatuador e desenhista que faz a hq Cem Paus comigo e que fez o desenho da capa do livro. É um chinês maluco e endiabrado – na estadia na Bahia, destruiu mais o apartamento do que nosso cão Chet Baker, e ele é um puta cão maluco e endiabrado – mas ele é brother pra caralho. Camila foi prum curso dela e então nós ficamos andando por aí. Ele nos levou em um pé sujo chinês onde se podia comer uma fritura com carne de porco dentro que era boa pra caralho e mais um pratão de massa de arroz com carne de porco também, tudo muito barato. Depois ficamos caminhando pela cidade, conversando e bebendo umas cervejas. Ele tinha perguntado se eu tava ansioso ou animado por lançar um livro. Claro que perguntou isso com ironia. Porque ele me conhece. Mas daí eu pensei um pouco e só concluí ainda mais que nada dessa coisa tem sentido nenhum, não pra mim pelo menos, nada da vida tem, eu até digo mais ou menos isso num conto do livro: “De qualquer forma, o que vem depois da derrota ou da vitória é sempre um cruel e despretensioso E daí?”. Então me peguei falando qualquer coisa sobre o desânimo e a desesperança, daí o china disse algo como ‘sei como é, mano. Às vezes tenho essas fita também. Se bem que a gente é diferente. Eu sou um santo querendo ser pirata. Você é exatamente o contrário’. Quando chegamos no lançamento, armados com uma garrafa de Domecq que o Leo comprou pra gente, a Camila já tava lá na frente do teatro com o Calixto. O Ricardo Carlaccio e a Fabiana também tavam por ali, no meu livro tem um poema que se chama ‘Por onde andará Ricardo Carlaccio’, por sinal. Mó bacana conhecer eles. E é mó bacana o espaço do Cemitério de Automóveis. E é mó bacana que um cara como o Mário Bortolotto tenha esse espaço. Na real, ele só deve ser um puta espaço bacana porque é do Bortolotto e de todos esses outros caras fodas que trampam lá. Eles fizeram a gentileza de deixarem duas entradas pra peça Killer Joe reservadas pra eu e pra Camila, porque ela tá enchendo todos os dias. Então eu pude ver a peça – puta elenco e grande texto, claro que o Mário iria dirigir bem um texto desses – e por isso o lançamento até que fez algum sentido afinal. Também pelo motivo de conhecer todo um pessoal bacana que eu só conhecia pela internet e rever a Heleninha Hutz, que fazia mó tempão que eu não via. Claro que eu não conheci muito esse pessoal porque não sou lá a pessoa mais sociável e aberta do mundo e infelizmente só pude beber por lá uma noite, mas é bacana ir além de perfis no facebook. Depois a Eve, o Leo e a Letícia ainda nos levaram pra comer no Estadão. Caralho, aquele sanduíche de pernil, porra! E de lá fomos direto pro show da Saco de Ratos no Clube Noir. Sem palavras além das duas possíveis: Rock’n Roll. O dia acabou às sete da manhã com o senhor Ming, pai do Leo, me dando uma carona pro aeroporto. Voo difícil e turbulento, pior pra mim que tava cheio de conhaque e cerveja no corpo. Um embrulho no estômago e as músicas do Buddy Holly passando na cabeça, tão ligados? E daí?

Livro à venda

07/08/2014

Meu livro já tá à venda no site da editora. AQUI. Lá vocês também encontram os livros Socos no Escuro, da Camila Fraga e o A fotografia do meu antigo amor dançando tango, do Diego Moraes. Bacana que os três estejam no mesmo balaio. Viemos de uma geração perdida e atrasada dos blogs. Quando eles eram a coisa mais ultrapassada da internet, nós insistíamos lá, com textos diários. Era uma época bacana, a Internet parecia maior quando eu acordava de ressaca, ligava o computador e podia ler pedradas da Camila, do Diego, da Adriana Brunstein, do Ricardo Carlaccio, do Mário Bortolotto, Kleber Felix, Raquel Herzog, Pierre Masato, Marcelo Montenegro e por aí vai, uma atrás da outra… Pra mim, esses dois livros, da Camila e do Diego, são pequenos clássicos da minha geração. Gosto muito dos dois. Lá no site vocês também encontram o livro do Lucas Barroso, outro jovem autor gaúcho.

Abaixo, segue o belo prefácio escrito pelo Mário Bortolotto sobre o meu “Tem um palhaço agressivo e um hooligan triste em algum lugar aqui dentro”, confiram:
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Nós que não sabemos nada sobre automóveis

Este é um livro de um tempo que o rock ainda fazia algum sentido. Ou talvez seja apenas o livro que prova que o rock faz mesmo algum sentido. Ou não teria sentido existir esse livro. Se o rock não fizesse sentido. Este é um livro de um sujeito sem esperança, mesmo que esse sujeito tenha apenas vinte e poucos anos. E sujeitos de vinte e poucos anos têm como premissa ter esperança. Eu conheci o Bruno numa oficina de dramaturgia em Porto Alegre. Ele era um dos caras estranhos que pintaram na oficina. Ele e outro comparsa. Os outros até podiam ter talento, mas não eram exatamente estranhos. E quando eu digo “estranhos” é porque percebo que eles não fazem parte de turma nenhuma. Assim como eu. Porque mesmo que andemos em gangues, não há como disfarçar a solidão e o abismo como um convite. Depois teve a vez que bebemos uns conhaques no Van Gogh e falamos sobre miséria e exílio disfarçando o assunto com opiniões sobre filmes, livros e gibis. Sujeitos como nós se aproximam apenas para ter a certeza de que não são os únicos. Não é exatamente porque precisam de companhia ou de solidariedade. Nós não ficamos necessariamente à vontade em acontecimentos sociais. É preferível um canto seguro do balcão. Sujeitos como nós se aproximam apenas para ter a certeza de que vão terminar sozinhos. E que são capazes disso. Apenas para afugentar qualquer dúvida de que estão mesmo do lado errado da estrada. Aliás, nós não temos dúvidas. Apenas queremos evitar o constrangimento. Apenas queremos nos certificar. Porque somos eternamente aquelas “crianças sem turma no recreio do colegial”. E ouso afirmar que é por isso que ele me convidou para escrever esse prefácio. Esse livro do Bruno é o atestado de tudo que eu escrevi aí em cima. Seus contos são sempre narrados na primeira pessoa, o que torna tudo ainda mais pessoal. O narrador em primeira pessoa jamais se distancia. Ele não é o técnico na beira do campo. Ele é o centroavante e o zagueiro ao mesmo tempo. Ele está lá dentro esbarrando nos outros personagens, sendo chutado e abalroado por eles. E como é um livro onde o rock é um personagem presente porque sem o rock nem existiria esse livro, o personagem principal ouve e canta rock o tempo inteiro. Como os caras dentro do carro ouvindo “Head Cat” (a banda rockabilly do Lemmy). A trilha já entrega que eles não têm pra onde fugir. E eles não querem fugir. Mesmo que eles saibam que não vale a pena. Eles vão até o fim. Ou como o cara cantando Sabina para o cachorro. Não importa que o filho não venha a nascer. O que importa é que ele iria se chamar “Harvey Dean Stanton” e que é preciso escrever, porque não há mais nada o que fazer entre uma punheta e outra. É um livro sobre sujeitos que não vão se dar bem, sobre “pessoas que mantêm o inferno dentro do coração”, sobre esses caras que se sentem sozinhos e angustiados depois do sexo. Que espécie de panaca consegue sorrir depois de uma trepada? Porque nós já nos acostumamos com os “falsos gemidos” ou porque “algumas mulheres tem essa dificuldade de entender que também são literatura”. Porque nós sabemos que tem uma hora que algo quebra e que não é mais possível colar, então os passeios com os cachorros costumam ser mais longos. Porque fica cada vez mais difícil voltar para casa. Não é um livro que arrisca cortejar o desespero. É um livro que fode o desespero. É um livro destituído de lascívia, porque todo o sexo nele é triste e duro, mesmo que a mulher esteja vestida de Cleópatra em um motel temático. Isso só torna tudo ainda mais triste. E esse é um livro que está fadado a terminar e você sabe que nada vai acabar bem, como um casal de amantes que se conhecem nas férias e que sabem que tudo vai acabar em alguns dias. É um livro de pessoas que não têm pressa de conhecer o abismo, mas que andam em direção a ele com a determinação de um Hemingway enlouquecido indo em direção à hélice de um avião, mas, no caminho, sentam numa banqueta de boteco pra beber mais uma dose ou se esparramam no sofá de uma namorada e jogam vídeo game com o filho dela. A típica determinação dos que relutam. Me senti triste, mas saudavelmente conformado após a leitura desse livro. E eu creio que é assim que os de nossa laia irão se sentir. Os outros vão seguir com suas vidas insistindo na ideia de que há uma luz no fim da estrada. Uma luz e uma arca de um navio pirata e ingressos permanentes num mundo de glamour e inclusão social. Nós sabemos que não há nada lá. E seguimos com nossos passos trôpegos e inseguros. Nós não temos pressa de chegar a lugar nenhum. E seguimos a pé, porque o Bruno e eu…bom, a gente não sabe nada sobre automóveis

livro saindo

03/08/2014
Trinta cópias do meu livro já saíram da gráfica. Essas cópias irão direto pra São Paulo, vou tá lá colocando elas à venda no dia 23 de agosto (sábado), na Buenas Bookstore. no Espaço Cemitério de Automóveis. O que sobrar dessas 30, vou vender via internet/correio pra quem quiser comprar diretamente comigo (o preço vai ser um pouco mais em conta). Senão, amanhã mesmo já deve tá à venda no site da editora Bartlebee e, ainda nesse mês – não sei a data exata -, entrará no catálogo de algumas livrarias.

Pra quem ainda não sabe sobre o que se trata, “Tem um palhaço agressivo e um hooligan triste em algum lugar aqui dentro” é basicamente um livro de contos. Até porque os “poemas” dele são narrativas e não poesia. O narrador é o mesmo em todos os textos e dá tanto pra montar uma ordem cronológica na bagaça, quanto pra lê-los separadamente. Foi uma seleção que fiz entre inéditos e alguns já publicados, seja em blog ou outros cantos da internet. Embora os que não sejam inéditos, tenham sido revisados e alguns mudaram drasticamente nesse processo.

Também tem uns dois ou três posts do blog que achei que cabiam no universo do livro e do narrador mesmo não sendo fictícios, já que eu não fazia muita ficção em blog. Isso foi bacana. Virou uma confusão da porra. Revisando os posts, pude chegar a algumas reflexões sobre o que eu tava passando e transformá-las em literatura também. Depois de juntar tudo que eu gostava e cabia na mesma temática, escrevi o conto inicial “O rock’n roll dos idiotas” pra meio que apresentar personagens, narrador e o clima do que estaria por vir. E também escrevi o conto final “Cães”, dando um fim pra cronologia da história e colocando uma espécie de elemento fantástico nela – só um pouco.

Os temas são os mesmos de sempre. Umas mulheres, bebidas, gangues (das quais roubei os apelidos de vários brothers meus, tais quais Negão Raridade – Alinson Alaniz, Custela – Leandro Caldas e Fred Fudido), além de morte, solidão e crianças. Tudo pra falar de desesperança, desolação e prazeres baratos. Aos vagabundos, psicopatas, fudidos e malucos que curtem o que escrevo, comprem esse se puderem e me ajudem a, pelo menos uma vez na vida, sair do mercado com uma garrafa de Domecq ao invés do velho Dreher. Valeu.

 

Conto no Jornal Cândido.

23/07/2014

Saiu conto meu no Jornal Cândido, da Biblioteca do Parana. Clica na ilustração de Rafael Campos Rocha pra abrir.

Ou aqui pra baixar o pdf da revista completa, que tem uma pá de coisas bacanas.

 

 

 

 

Argentina e Holanda

09/07/2014

Sempre torci pra Argentina porque sempre curti ver o futebol que eles jogam e também curto vários jogadores que já vestiram a camisa. Sempre torci pra Holanda pelo mesmo motivo. Em 2010, não torci pra Holanda porque o futebol que eles jogavam tava indo contra o próprio futebol deles. Nesse ano, eles tão jogando um futebol bacana. A Argentina não. Mesmo assim eu tô quase triste porque acho que Holanda ganha. Ou seja, vou assistir o jogo e torcer pela Argentina. Então eu sou mesmo um brasileiro filho da puta.

Prefácio do livro

26/06/2014

O Mário Bortolotto acabou de me mandar o prefácio do livro Tem um palhaço agressivo e um hooligan triste em algum lugar aqui dentro, que vou lançar, pela editora Bartlebee, logo mais. Eu pedi pra ele escrever o prefácio lá em janeiro e fui adiando o prazo de entrega várias vezes. O primeiro motivo é pelo constrangimento de dar um prazo apertado a alguém que tem que ler a merda do seu livro, identificar alguns pontos positivos nele (porque é um prefácio, não vai se falar nos negativos) e ainda escrever sobre eles. Mas o motivo principal é que mesmo decidindo que selecionando o que eu tinha escrito desde os 19 anos, se eu escrevesse um conto de abertura e um de encerramento, dava pra formar um livro bem pequeno, porém constante, eu ainda não tava lá muito contente com ele. Bem, ainda não tô. Cada texto que eu dou por encerrado é uma espécie de fracasso. Mas, enfim, dando mais tempo pro prefácio, eu tinha mais tempo pra ficar alterando um bando de coisas. Do arquivo que mandei pra ele, eu excluí parágrafos inteiros, mudei outros tantos, mudei pontuações, coloquei textos novos e tudo o mais. É muito babaca isso de ser escritor, ficar se perguntando se um travessão fica melhor que uma vírgula quando nenhuma pessoa do mundo ligará pra isso. Acho que o Hank Moody já disse algo parecido. E é paradoxal como eu não aspiro uma grande literatura e ainda me importo com isso, mesmo querendo produzir algo com erros e ruídos, como eu sou, como são as músicas que eu faço e, provavelmente, tudo o que vou fazer. Cada vez que eu ler, vou acrescentar ou excluir algo, e, agora, com o prefácio pronto, vou finalmente dar por encerrado e mandar fechar logo o arquivo final. Bacana é que de todas as mudanças, nada que o Bortolotto tenha citado no prefácio eu alterei. Então ele achou alguns mesmos pontos positivos que eu – a alma do livro, podre ou não, está intacta. Lendo o texto dele, até faz sentido que isso tenha acontecido. O título é NÓS QUE NÃO SABEMOS NADA SOBRE AUTOMÓVEIS. Quando tiver mais perto do lançamento, compartilho aqui com vocês.